O pé, semi-automático, encaixa no chinelo à primeira tentativa. A terra não está firme. Ao fim de cinco horas de sono, não pode estar. Mas no Verão é pior, quando a luz a entontece, esplendorosa, à segunda-feira apenas para lhe prometer a terça, a quarta, a quinta e a sexta.
Levanta o estore. Lá fora o plátano despede folhas silencioso e conivente com a estação. Boa para despedimentos – ciciou com azedume para o vidro, que lhe respondeu num balão, como na banda desenhada. Enquanto a mancha de vapor se desfaz em lágrimas pensa nos colegas. Dez, ao todo. Número bonito, redondo, em vésperas de Natal.
Até ao final do mês vai sentir-se culpada, de cada vez que os encarar no escritório, por não ter sido incluída na tranche, sabe-se lá porquê. Jingle bells, jingle bells, que sensibilidade decidirem despachá-los quase no Natal.
Suspira, olha para o relógio e acelera. Tenho exactamente 45 minutos para mudar de pele.

mudar de pele. às vezes temos mesmo de. Já passei por isso, há uns anos largos. Senti-me uma sortuda no meio da injustiça; e esta pareceu-me ainda mais pesada por isso.
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Boa semana Teresa *
Beijo, Catarina 🙂
Muito bom: dizer tanto em tão poucas linhas.
Essa “pele”, Teresa, se bem percebi, é muito sensível mas também a possível e necessária, de momento , digo eu…Tocou-me muito a forma como abordou o “tema” – senti empatia …Obrigada, Teresa
Belíssimo. Poucas palavras, muitas reflexões.
Estou sem palavras.
Obrigada, meus lindos 🙂
Este teu post é o regresso à realidade para mim, Teresa. Impressionou-me imenso, por ser tão verdadeiro, tão sensível e tão bem escrito. Mas dói…
Como se diz obrigada em Tailandês? 🙂