Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?
Nesta sexta feira da Paixão, cinzenta, chuvosa e fria deixo-vos este poema sempre tão pré monitório. De facto, todos nós vivemos à espera de que, um dia, D. Sebastião voltará para nos salvar. De nós mesmos!


Correndo o risco de incorrer sobre o culto de Pessoa, que é terra já culta, cultivada, e não cultura por colher… e aproveitando o discurso, que diz curso sobre a loucura:
Sem halo, cura, que é, oh mãe?
Mais que a vês, esta se adia,
Que dá ver, a dia, há do cumpro, queria?
Fernando Pessoa tem essa distinção de génio.
De uma forma súbtil mas clara e inequívoca, deixa-nos Helena Sacadura Cabral um convite à reflexão, acompanhado de uma inquietante constatação.
CRISTO
Também Ele ” UM SEBASTIÃO”…tão desejado
de um tempo em que Roma dominava imensa e imparável
e os Herodes de então
atentos
ceifavam ameaças que nasciam
para os lados de Belém lá na Judeia
chegou de manso e “foi crescendo em sabedoria”
os grandes apenas o temeram
só os mais humildes entendiam
E um dia, homem feito
pregou a humildade e a compaixão
ensinou a perdoar erros alheios
pequenas excepções
perdeu a cabeça no Templo com os vendilhões
(Nem Cristo os aceitou)
Foi seguido aclamado adorado
fizeram-se ramos de paz e de oliveira
e desafiado a tomar o poder
recusou
não era a isso que vinha
não era esse o seu Reino
então num golpe de asa
foi condenado
ninguém sabia
qual o crime que fizera
e Pilatos lavou as mãos
como se isso lhe bastasse
traído, mal amado
vendido por tão pouco
três vezes então negado
entregue à loucura de gente em histeria
nesse mesmo dia
foi crucificado
passados dois mil e alguns anos
esse Deus, ou apenas” homem justo”
continua a sua caminhada
a humanidade não o merece
nunca o mereceu
mas essa cruz ficou como um sinal
um doce beijo, uma tatuagem
uma estrela do norte
uma miragem
e de uma ou outra forma
o Mundo não esqueceu
nem mesmo a natureza
que hoje
durante todo o dia chorou a sua morte
Já foi assim com Salazar… depois com a desilusão do 25 de Abril que foi mais um movimento de destruição que de construção veio a CEE outro Sebastião, mais uma fuga de nós mesmos. Nós seríamos o “bom aluno” , o “filho”, o “vassalo” com o Sebastião Europeu a dizer como nos deveríamos comportar. Quando começou a parecer que também não nos salvava, na primeira década de XXI apareceu em certos jornais a mania da união com Espanha…ou seja outra fuga…