Sebastianismo


fiodeprumo,

D. SEBASTIÃO, Rei de Portugal…

Louco, sim, louco, porque quis grandeza

Qual a Sorte a não dá.

Não coube em mim minha certeza;

Por isso onde o areal está

Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem

Com o que nela ia.

Sem a loucura que é o homem

Mais que a besta sadia,

Cadáver adiado que procria?

Nesta sexta feira da Paixão, cinzenta, chuvosa e fria deixo-vos este poema sempre tão pré monitório. De facto, todos nós vivemos à espera de que, um dia, D. Sebastião voltará para nos salvar. De nós mesmos!

5 comentários em “Sebastianismo”


  1. Correndo o risco de incorrer sobre o culto de Pessoa, que é terra já culta, cultivada, e não cultura por colher… e aproveitando o discurso, que diz curso sobre a loucura:

    Sem halo, cura, que é, oh mãe?
    Mais que a vês, esta se adia,
    Que dá ver, a dia, há do cumpro, queria?

  2. CRISTO

    Também Ele ” UM SEBASTIÃO”…tão desejado
    de um tempo em que Roma dominava imensa e imparável
    e os Herodes de então
    atentos
    ceifavam ameaças que nasciam
    para os lados de Belém lá na Judeia

    chegou de manso e “foi crescendo em sabedoria”
    os grandes apenas o temeram
    só os mais humildes entendiam

    E um dia, homem feito
    pregou a humildade e a compaixão
    ensinou a perdoar erros alheios
    pequenas excepções
    perdeu a cabeça no Templo com os vendilhões
    (Nem Cristo os aceitou)

    Foi seguido aclamado adorado
    fizeram-se ramos de paz e de oliveira
    e desafiado a tomar o poder
    recusou
    não era a isso que vinha
    não era esse o seu Reino

    então num golpe de asa
    foi condenado
    ninguém sabia
    qual o crime que fizera
    e Pilatos lavou as mãos
    como se isso lhe bastasse

    traído, mal amado
    vendido por tão pouco
    três vezes então negado
    entregue à loucura de gente em histeria
    nesse mesmo dia
    foi crucificado

    passados dois mil e alguns anos
    esse Deus, ou apenas” homem justo”
    continua a sua caminhada

    a humanidade não o merece
    nunca o mereceu
    mas essa cruz ficou como um sinal
    um doce beijo, uma tatuagem
    uma estrela do norte
    uma miragem
    e de uma ou outra forma
    o Mundo não esqueceu

    nem mesmo a natureza
    que hoje
    durante todo o dia chorou a sua morte

  3. Já foi assim com Salazar… depois com a desilusão do 25 de Abril que foi mais um movimento de destruição que de construção veio a CEE outro Sebastião, mais uma fuga de nós mesmos. Nós seríamos o “bom aluno” , o “filho”, o “vassalo” com o Sebastião Europeu a dizer como nos deveríamos comportar. Quando começou a parecer que também não nos salvava, na primeira década de XXI apareceu em certos jornais a mania da união com Espanha…ou seja outra fuga…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *