Em relação às declarações de Jeroen Dijsselbloem (ler “Iérun Dêissélblum”), há que notar que a frase terá sido algo do género (cito de memória) de «Se eu gastar o meu dinheiro em mulheres e álcool, não vou pedir que mevenham ajudar».
Ao invés de o atacarem pelo que disse ou terá querido implicar, alguém devia ter feito o óbvio: olhar para a cara dele e ter dito: «Jeroen, filho, se calhar não te tinha feito mal…».

Pois não, João. Bem visto.
Somos, de facto, especialistas em atirar ao lado do essencial.
Veja-se como batemos desalmadamente no AO, mera questão vocabular, ao mesmo tempo que nada dizemos nem fazemos acerca dos erros de sintaxe, que se desenvolvem como cogumelos nos meios de comunicação e na boca das elites, e esses sim com efeitos desastrosos na organização e na expressão do pensamento.
E, como não nos preocupamos com o rigor do pensamento, eis-nos a retorquir por todo o lado e a cada instante:
– Vem-nos este sujeito falar de copos e putas, quando, lá na Holanda, é o que se sabe…
Esquecemo-nos, entretanto, de que não é disso que nos acusa o dito sujeito.
Ele acusa-nos é de gastarmos nisso o dinheiro que julga que é seu.
Portanto, a nossa contra-argumentação sai uma vez mais ao lado, porque os holandeses podem gastar o dinheiro no que entenderem, porque gastam o que é deles.
Tal imprecisão de pensamento pode passar despercebida por cá.
Mas, noutros meios, desacredita-nos.
Não sei se o ilustríssimo sujeito continuará ou não em funções.
O que eu sei é que a decisão não contará certamente com argumentações desta natureza.
João de Brito
Jerónimo. Jerolmo, como punha Fialho, em versão alentejana.
Cumpts.
Os holandeses sempre chatearam a portuguesada desde os tempos dos filipes.
Mas desta vez, a malta voltou a pôr-se a jeito…e a boca saíu para gregos e troianos, e está no ar por muitos anos e bons!
Vai demorar a esquecer esta boca!