Se a moda pega


Sérgio de Almeida Correia,

As mudanças que previsivelmente irão ocorrer em Italia, com a substituição de Silvio Berlusconi pelo ministro da Justiça Angiolino Alfano, a quem competirá chefiar o governo e terminar a legislatura, são apenas a primeira consequência do ataque desferido por um louco, no passado dia 13 de Dezembro, na Piazza del Duomo, em Milão, contra o primeiro-ministro italiano.

Que Berlusconi tenha medo de ser assassinado não é de estranhar. Nem que tenha escolhido Alfano em vez de Brambilla ou Cafagna, as quais são bem mais conhecidas pelas suas imagens na Vanity Fair, na Maxmen ou por estarem entre as mulheres escolhidas pelo popular Daily Mail para a categoria "most stunning politician", do que pelas suas qualidades intelectuais ou políticas.

O que causa temor é que numa democracia tão fortemente consolidada e enraizada como a italiana, pese embora a influência das organizações mafiosas, agora cada vez mais localizada, regionalizada e controlada, é que a democracia continue a não ter meios para obviar a esta situações.

Quem escolheu Berlusconi não escolheu Alfano ou Brambilla, do mesmo modo que entre nós quem votou Barroso não queria Santana, ou quem escolheu Sócrates não espera que as suas muletas se passem a chamar Assis, Pinto ou Rodrigues, por muitos que sejam os méritos que se possam nestes encontrar.

Bem sei que a política, tal como a vida, é feita de homens de coragem, ou devia ser, mas a sua falta não explica tudo em relação a quem lá chega, nem ao modo como a democracia continua a ser incapaz de enfrentar estas situações tão desvirtuadoras da vontade popular. Bastam dois dentes partidos, um cargo em Bruxelas ou uma minoria relativa e tudo muda numa legislatura.      

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