14º: Minority Report (Steven Spielberg, 2002)
Na sociedade futurista (e aparentemente securitária) de Minority Report, filme baseado no conto homónimo de Philip K. Dick, um departamento policial experimental tornou possível a previsão de homicídios (recorrendo a três psíquicos, denominados por Precogs), sendo os futuros criminosos presos antes mesmo de cometerem os crimes – o que reduziu para zero a taxa de homicídios. O problema surge quando o sistema prevê que John Anderton (Tom Cruise), líder do Departamento Precrime, irá assassinar um homem que ele nunca viu. E aqui “começa” verdadeiramente o filme: com Anderton, em fuga, a tentar por todos os meios provar que não pode ser culpado por um crime que não cometeu. Durante a sua cruzada, Anderton procura também demonstrar que o sistema de premonição de crimes tem uma falha fundamental – que um crime antigo, aparentemente previsto, resolvido e arquivado, poderá expor.
Nenhum dos elementos de Minority Report – os cenários e o ambiente futuristas e tecnologicamente avançados, os poderes psíquicos (no caso, a premonição) – é estranho ao género. O argumento, esse, tem alguns pontos questionáveis (e susceptíveis de gerarem um longo debate), algo que é comum a praticamente todos os filmes que lidam com temas que envolvem premonições, ou viagens no tempo (por exemplo), mas não deixa de colocar questões interessantes, e de ser um filme com um argumento, com desempenhos e com cenas suficientes para manter o espectador interessado. Recomendo.



O argumento parece-me atraente. Apenas me questiono se não ficaria melhor em ambiente do nosso tempo. A tecnologia robótica e não só permite-nos imaginar este tipo de ficção sem termos de nos “deslocar” para o futuro e, portanto, sem termos de observar excessos fantasistas.
Seria interessante, sem dúvida, mas teria alguns problemas para solucionar (as premonições, por exemplo).
Já agora, desculpa o reparo: andas a esquecer-te de colocar o ‘tag’ nos ‘posts’ («cinema: ficção científica»), o que dificulta qualquer busca que queiramos fazer.
Reparei nisso entretanto. Estou a resolver 🙂
Não sei se o problema seria real. É relativamente fácil colocar conceitos futuristas em mundos actuais. Olhe-se para o sucesso da reedição da série “Battlestar Galactica” em que as armas não são a laser ou phaser ou outras que tais mas simplesmente munições normais e armas atómicas. No spin-off “Caprica” isso é levado a um extremo em que reconhecemos praticamente tudo. É como se a tecnologia não estivesse mais que ums dez anos à frente. É tudo uma questão de se ser hábil com a “suspension of debelief” e nisso Spielberg é muito hábil.
Aquilo que a introdução da tecnologia futurista faz é fornecer o elemento de controlo sobre o indivíduo, como todas as sequências de análise de retina demonstram. Nesse aspecto Spielberg até ensaia uma reflexão interessante (e acrítica) sobre o “product targeting” que se começa a ver.
Se me permitem um pequeno “off-topi”.
Ahhh grande Galactica! 🙂
Confesso que demorei muito tempo a ver todas as 4 seasons da série, mas é realmente fantástica!
Gosto muito da cinematografia de “camara ao ombro” das cenas no espaço, do ambiente meio rústico, “sujo” e realista de toda a série (neste aspecto, muito próximo de Firefly, outra magnifica série de sci-fi). Gosto muito dos personagens, principalmente da fantástica interpretação de Edward James Olmos. O facto da Starbuck ser uma mulher, por oposição ao Starbuck da série original, é apenas mais um “corte” entre as duas “interpretações”, que já têm pouco em comum, na minha opinião. Katee Sackhoff está também de parabéns por esse papel magnífico.
Enfim, é sem dúvida uma das minhas séries favoritas, de todos os tempos.
Concordo.
Não falo de Battlestar Gallactica porque essa é uma das minhas grandes falhas actuais. A resolver muito em breve.
Neste filme fiquei com a sensação de faltar uma coisa: a reflexão interior da personagem de Cruise relativamente à sua anterior profunda crença no sistema de defesa preventiva, a qual é destruída pela sua situação. O filme perde-se um pouco entre os meandros do drama familiar e a crise pessoal que esta situação provoca. Mete demasiadas coisas ao barulho, mas é um filme interessante. Ainda assim não creio que eu o colocasse na minha lista de 15 (se a fizesse) mesmo que seja melhor que Avatar. Só que Avatar é um marco diferente.
Concordo com a ideia: faltou essa reflexão. Esse ponto torna-se demasiado simples, quando poderia ser interessante explorar.
Em relação ao próprimo Minority Report, é um bom filme de sci-fi na minha opinião.
Gostei especialmente da maneira como o futuro é “extrapolado” do nosso presente, com uma estética muito familiar. É bastante realista, levando-nos a acreditar que realmente daqui a umas décadas, o mundo poderá ser assim.
Nunca liguei muito ao Tom Cruise, mas neste filme não está mau de todo.