Enquanto no Brasil há muitos que desejariam o retorno da ditadura militar, entre os quais o candidato mais bem classificado nas sondagens das presidenciais da próxima semana, em Espanha há quem sonhe com o regresso da 2ª República dos anos trinta e a sua política anticlerical e antirreligiosa (a que chamam eufemisticamente “laicismo”). Não contente com a já aprovada exumação de Franco da basílica do Vale dos Caídos, o Podemos veio agora apresentar ao governo minoritário de Pedro Sánchez o seu plano urbanístico para o local: nada mais nada menos do que demolir a grande cruz de pedra que encima o conjunto (que consideram “simbologia fascista”), tirar dali os restos mortais de José António Primo de Rivera (fuzilado no início da guerra, pelo que faz parte das vítimas da mesma), arrebatar a basílica que ali existe para o controlo público para que sirva de “memória democrática” e “dessacralizar o espaço”, obviamente mandando embora os monges beneditinos que por lá se encontram.
A ideia não é exactamente nova e já teve outras variantes, como a do movimento que pretendia que o estado se devia apoderar da mesquita-catedral de Córdova para a transformar num “espaço de cidadania laico”. Todos estes grupinhos, com o Podemos à cabeça, são legatários directos dos movimentos anticlericais que, em especial nos anos trinta, foram responsáveis pela morte de milhares de clérigos e pela destruição de monumentos religiosos, incluindo catedrais (como a Sagrada Família, em Barcelona), igrejas, mosteiros, seminários ou qualquer outro tipo de simbologia cristã, de que o “fuzilamento” do monumento ao Sagrado Coração de Jesus no Cerro de los Angeles se tornou exemplo cabal. Aliás, não é invulgar vermos alguns elementos do Podemos, alguns com responsabilidades de destaque, com simpáticos cartazes com igrejas a arder acompanhados das palavras “ardereis como en el 36”. Por isso, os planos apresentados não são propriamente de espantar.
Parece que o governo não está muito para aí virado, mas nunca fiando. Para aguentarem o escasso apoio parlamentar, podem ceder nalguns pontos. Mas aí comprariam uma severa guerra com boa parte da sociedade espanhola e dariam novo lastro a um PP enfraquecido. Com o problema da Catalunha nas mãos, não é muito aconselhável arranjarem sarilhos vindos de outro lado.


Se o monumento é aos mortos da Guerra Civil dos dois lados, que sentido faz ter uma cruz e um mosteiro a guardar anticlericais e anti religiosos? A menos que se queira convertê-los depois de mortos.
Se é só aos franquistas mortos na Guerra Civil então é um monumento ao franquismo que, com o beneplácito da Santa Madre Igreja, foi uma ditadura extremamente sanguinária, sobretudo no começo, aliada desses cristãos impolutos que foram Hitler e Mussolini.
extremamente sanguinária!!!??? quando terroristas atacam as comunidades cristãs no Reino de Espanha não pode existir qualquer piedade por parte das suas forças armadas, ainda por cima no seu território natural !!! bem hajam, todos os militares que defenderam as comunidades cristãs no Reino Espanha…bem haja, Salazar por ter estado no lado certo da História…
“Salazar por ter estado no lado certo da História…” Um derrotado do lado certo? Esta não se percebe bem. A PIDE e a Censura ainda estavam mais certas (não é?) e desapareceram. Também o exército português na guerra colonial estava do lado certo mas as colónias foram-se. Bolas para o lado certo. Prefiro o lado errado, pelo menos sinto-me a ganhar apesar de estar do lado errado.
Aquilo era uma guerra civil, por isso estavam ambos no seu “território natural”, excepto talvez os aliados de ambos os lados. Sanguinários foram ambos os bandos.
Salazar do lado certo???? Os derrotados nunca estão do lado certo.
Hitler cristão???!!!
Que sentido faz? O sentido da reconciliação, que é o objectivo do monumento. Estão lá mortos de ambos os lados, não só de um.
Colocar uma cruz na campa de um ateu não parece um processo de reconciliação. Parece mais uma vingança, uma forma de dizer: Vencemos.
Pela mesma razão não faz sentido por lá uma foice e um martelo porque estão lá comunistas enterrados e o franquismo acabou.
Se as coisas fossem como diz, os cemitérios estavam pejados de foices e martelos. Não me parece que seja exactamente isso que lá está.
As coisas que aprendemos com estes comentadores. Eles até nos ensinam que o Hitler e o Mussolini eram “cristãos impolutos”.
Extraordinário.
Peço desculpa se a ironia foi demasiada para si. Não considere o “impolutos”.
Os senhores em questão diziam-se cristãos e apoiaram Franco com auxílio militar. Estou a ensinar-lhe algo que não sabia?
Há-de dizer-me em que fontes históricas bebeu essa treta de o Hitler se considerar cristão.
Logo ele que toda a vida arengou contra a “debilidade” do cristianismo.
E nunca teve qualquer prática religiosa conhecida.
Sim, eram cá uns exemplos de cristandade. O Mussolini nem era anticlerical nem nada.