Vivi com José Saramago um dos momentos mais gratificantes da minha vida profissional. Aconteceu em Maio de 1981, quando o Círculo de Leitores, a propósito do lançamento da sua Viagem a Portugal, convidou um grupo de jornalistas a acompanhar o escritor numa deslocação ao interior do País em que ele próprio fez de cicerone. Foram três dias à descoberta de um Portugal que muitos de nós desconhecíamos, com etapas em locais deslumbrantes, como Sortelha, Marialva e Cidadelhe. Eu era um miúdo, ainda a dar os primeiros passos na profissão, e talvez por ser o benjamim do grupo tive mais facilidade em travar longos diálogos com o escritor. No início daquela que seria talvez a década mais feliz da sua vida, Saramago estava ainda longe do reconhecimento público de que gozou mais tarde. Estivera longos meses desempregado, na sequência do 25 de Novembro de 1975, e aplicara toda a sua férrea força de vontade na escrita. Desse labor nasceu a obra que confirmaria a sua vocação de romancista: Levantado do Chão, lançada meses antes.
Mas esses, para o futuro Nobel da Literatura, ainda eram tempos de incerteza. O êxito de Levantado do Chão não foi imediato: o romance foi maturando entre o público e só ganhou projecção à medida que se sucediam as críticas favoráveis, com semanas de intervalo. O lançamento da Viagem a Portugal ocorreu nessa altura em que conheci pessoalmente Saramago e fui testemunha directa da paixão que o escritor tinha pelo País. Aqui e ali, revoltava-se com atentados notórios à nossa memória histórica. Uma vez e outra, maravilhava-se perante jóias do nosso património natural e cultural, procurando transmitir esse deslumbramento aos seus companheiros de jornada.
Publicada a reportagem no jornal onde então trabalhava, liguei ao escritor, pedindo-lhe uma entrevista. E ele acedeu de pronto. Era o tempo do balanço de Levantado do Chão, o Memorial do Convento vinha a caminho. Longe da imagem pública que transmitiu nos anos posteriores, Saramago era uma pessoa tímida, que procurava disfarçar essa característica – reflectida também numa ligeira gaguez – com um rosto fechado e até um pouco duro. Mas os seus traços fisionómicos logo se suavizavam à medida que a conversa progredia e se estabeleciam pontos de contacto com o interlocutor. Lembro-me de lhe ter dito na altura que também o apreciava como poeta: os seus Poemas Possíveis (1966), que lera pouco antes, deixaram-me uma excelente impressão. “Agradeço-lhe, mas sei que nunca serei mais do que um poeta mediano”, disse-me. Não voltou a editar outro livro de poesia.
Depois dessa longa entrevista, seguiu-se outra, por ocasião do lançamento d’ O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984). Guardo uma grata memória de uma tarde passada no seu apartamento na Rua da Esperança, em Lisboa, com a conversa a fluir para o gravador ao som das partituras de Bach e Mozart que enchiam a casa. Era já evidente, nessa altura, a consagração literária do escritor que 14 anos mais tarde se tornaria o único autor em língua portuguesa até hoje distinguido pela Academia de Estocolmo.
Saí de Portugal, andei longos anos fora. Só voltei a ver José Saramago depois do Nobel, quando o escritor foi recebido no Diário de Notícias com uma estrondosa ovação dos jornalistas, por iniciativa de Mário Bettencourt Resendes, então director do jornal. Um gesto que pôs fim simbólico a uma traumática etapa da vida do centenário periódico onde Saramago, enquanto director-adjunto, escreveu alguns dos mais inflamados editoriais do Verão quente de 1975 – textos que o perseguiram durante o resto da vida.
Nunca partilhei das ideias políticas de Saramago nem apreciei um certo culto narcísico que o escritor foi alimentando nos anos imediatamente anteriores e posteriores ao Nobel, aliás bem patentes em dezenas de páginas dos seus Cadernos de Lanzarote. Alguns dos seus livros são projectos falhados, como Jangada de Pedra ou A Caverna (que deixei a meio, farto de tanto ataque primário ao “capitalismo”). Mas é incontestável o lugar na história da literatura portuguesa do homem que nos legou o Memorial do Convento, o Ensaio sobre a Cegueira e As Intermitências da Morte, notável novela-testamento em que de algum modo ironizava com o seu próprio destino físico.
Mas o meu livro preferido será sempre a Viagem a Portugal: costumo ter à mão e consulto com frequência o meu exemplar da primeira edição, com uma amável dedicatória do autor. Recordação daqueles três dias inesquecíveis e testemunho perene do amor de José Saramago pelo Portugal profundo, pelo Portugal de sempre.




Gostei de te ler, Pedro. O Memorial do Convento e As Intermitências da Morte são dos meus livros preferidos.
Levei muitos anos, como sabes, a reconciliar-me com Saramago. Ainda bem que o fiz a tempo de o apreciar ainda em vida. Fizeste-lhe aqui uma bonita e justa homenagem.
Ainda bem que gostaram, Leonor e Teresa. Este texto pretendeu ser apenas um pequeno testemunho pessoal. Poderia tê-lo escrito antes. Mas não calhou: só senti o impulso de o escrever agora.
So conheci Saramago ha relativamente poucos anos…
ADOREI ” As intermitencias da morte”…maravilhoso..
gosto do estilo de escrita.. tambem gosto do “Homem”..
sempre convicto nas suas ideias , boas ou nao . conforme as pessoas, fez-me lembrar este funeral o do Alvaro Cunhal, que nao . sendo “comunista” tive bastante pena , pois acreditou sempre no que disse, nao . foi um “troca de tintas” como muitos que ha na nssa praca ,…
Jose Saramago…
morreu fisicamente, mas vai continuar vivo nos que o conheceram…e leram…
bem haja por ter existido…
Obrigado pelas palavras tão simpáticas e cordiais que aqui deixa. Eu também gostei muito dessa novela de Saramago, que há-de ser lembrada como uma das suas obras mais originais e mais reveladoras.
O Memorial do convento é dos livros mais fascinantes que li ate hoje!!!!
Um dos melhores romances portugueses do século XX.
Será possível diferenciar as análises sobre Saramago, o escritor e o homem? Ambos morreram. Um com obra literária marcante, outro partidário de regimes facínoras.
É sempre possível separar o homem da obra. Direi mais: é até desejável. Se não fosse assim, muitos dos grandes criadores artísticos da história da humanidade estavam eliminados das nossas listas de preferências. Quantos deles, através dos séculos, não defenderam regimes ditatoriais e mesmo sanguinários?
Tens toda a razão, Pedro. Gostei do teu texto, é um testemunho pessoal honesto e sentido. E, quanto à questão do homem e da obra, tantos exemplos que há por aí, que a direita convenientemente esquece. Olha Céline, olha Ezra Pound, olha Malaparte, entre tantos outros. E mesmo a questão do Verão Quente nem sempre é bem contada. As pessoas esquecem-se do clima político da altura e de ter sido um plenário de trabalhadores do DN que saneou os 24. E, muito antes disso, uma direcção afecta ao PS tinha saneado, por exemplo, a poetisa Natércia Freire, responsável pelo suplemento literário do jornal e respeitada à esquerda e à direita. E depois do 25 de Novembro foram saneados centenas de profissionais da imprensa, rádio e televisão. Por isso, é melhor não andarmos a atirar pedras, pois não? Um grande abraço.
Gosto de te ver por cá, David. Foste um dos jornalistas que estavam naquele dia memorável, no DN, a aplaudir Saramago. Um gesto bonito da direcção do jornal, que pôs fim a contenciosos antigos que na altura já não faziam qualquer sentido. Tal como referes, se não soubéssemos separar o homem da obra, teríamos de apagar os nomes de muitos escritores das nossas listas de preferências: à direita e à esquerda, não faltam exemplos de quem aplaudiu as mais sinistras ditaduras (e até regimes totalitários, como os de Hitler e Estaline). Borges elogiou Pinochet – devemos, por isso, deixar de admirar a sua obra? E Sartre, que andou encantado com a China maoísta?
É bom ter memória. Os ‘saneamentos’ no DN, como justamente referes, não começaram nem acabaram com Saramago.
Abraço amigo.
Ainda bem que alguém tem memória e não se limita ao bla bla do juízo de valor e opinião sem fundamento ou argumento.
Não creio que Saramago, que era um optimista informado, como ele próprio dizia, sobre o futuro da sociedade e do homem, fosse um defensor de regimes facínoras. Acreditar na possibilidade do comunismo não é o mesmo que defender a sociedade concentracionária estalinista, o ataque à cultura universal na revolução cultural maoísta , a monarquia informal de Estado dos Kim coreanos. Ser-se comunista é simplesmente lutar, de muitas maneiras possíveis (e muitas delas erradas), pelo ideal duma sociedade sem proprietários privados de meios de produção, sem Estado e sem dinheiro, como bases sociais para um salto no desenvolvimento humano. Creio que Saramago subscreveria esta visão do comunismo.
olhe,amigo , eu ainda nao vi um comunista que nao queira ser proprietario privado, que nao queira ter um tacho para se governar e gostava de saber como é que sem Estado, sem dinheiro e sem gente que dà emprego, voce vivia!!!!!!!!!!!!!!!!!! E depois, devemos apreciar Saramago pela sua obra, porque o lado humano,é como todo o lado humano… cheio de qualidades e defeitos!!Quem se julga perfeito que atire a primeira pedra!!! De facto cada vez estou mais convencida que nòs portugueses temos muito mais de àrabes que de europeus!!! Basta ir a Marrocos e ver com olhos de ver! Apreciem a obra e deixem-se de tretas e lé …lé…Lé. Vivam os escritores, principalmente os bons!
Senhora Carla Simões, obrigado pelo comentário e pela oportunidade que me dá de poder rebater alguns equívocos, na minha modesta opinião. Em primeiro lugar, é preciso distinguir a pessoa e as suas ideias, que muitas vezes (nunca, arriscaria eu) não se confundem. O homem é o sujeito e a sua circunstância, no qual as duas instâncias se interpenetram e se degladiam. As circunstâncias específicas duma época obrigam o homem a agir em conformidade com elas para salvaguardar a sua própria pessoa e os seus próximos. Eu, marxista que sou, nunca abdicaria da minha propriedade privada, dos meus rendimentos, na medida em que preciso de sobreviver e de viver dignamente numa sociedade que me impõe este tipo de existência (o livre-arbítrio é uma ilusão), embora o ideário marxista nada tenha contra a propriedade individual em si mesma.
Se eu acredito, em virtude da minha experiência de vida e das leituras cuidadosamente estruturadas que tenho feito, na possibilidade duma sociedade comunista (a muito longo prazo, admito, por força da realidade), na qual as pessoas guardarão a sua propriedade pessoal, como expressão física essencial do seu ser, é porque a ideia de comunismo não admite apenas a propriedade privada dos meios de produção de bens socialmente necessários, e nada mais. E isso porque ela consiste numa privação da propriedade dos outros sobre eles, que estão cativos do direito duma minoria, criando assim muitas injustiças na distribuição e irracionalidades concorrenciais, além de formas de alienação financeira da actividade produtiva, como temos estada a verificar uma vez mais. Mas, dado que vivo numa sociedade capitalista, muitas das actividades que posso realizar têm que ser realizadas a título de propriedade privada dos meios para tal. Não é a vontade de cada um que, por si mesma, muda o modo de produção social. São antes as condições técnógicas e sociais da produção que criam as condições para o transformarem, e os ideais surgem então como uma orientação teórica da prática para que tais possibilidades existentes se convertam em realidades efectivas. É isto o sentido da práxis comunista. E José Saramago, com a sua obra literária, nada mais fez do que elevar mais um degrau na tomada de consciência da necessidade e na possibilidade de realização de tal ideal igualitário. Mas, como de novo fez notar Saramago, o homem é um misto de ideais e de circunstâncias, de altruísmo e de egoísmo. O homem é um homem do seu tempo. E é nesta tomada de consciência para a qual contribuiu Saramago que nos devemos apoiar para sermos cada vez melhores, mais coerentes com os nossos ideais, e para sermos cada vez mais humanos, para que os nossos ideais compreendam em si cada vez melhor aquilo que somos e podemos vir a ser.
Respeitosos cumprimentos.
O comunismo, mesmo pintado de cores suaves, é sempre a negação do homem e da sua individualidade, é a sua transformação numa simples e descartável peça da máquina de execução do poder totalitário.
Como outros totalitarismos a ditadura do proletariado é sempre o governo duma minoria, que se organiza no partido para dominar a sociedade, sobre a maioria.
A história do séc.xx não deixa dúvidas sobre a natureza real do comunismo e das escolhas libertárias dos povos que o experimentaram.
E eu, que trabalhei durante uma década numa autarquia de maioria absoluta comunista, sei bem do que estou a falar e do que não quero para o meu pais.
Porque a liberdade é ainda o valor fundamental para tudo o resto se consiga conquistar.
Como Saramago sabia muito bem e por isso não se “exilou” em Cuba ou na Coreia do Norte, mas num país de democracia “burguesa” ocidental…
Alguém trata melhor os comunistas do que as democracias “burguesas” que eles querem derrubar?
Caro Carlos Pinto, talvez a minha ideia de comunismo seja de facto muito heterodoxa. Como deixei implícito no comentário anterior, e como José Saramago reconheceu, a experiência comunista foi um desastre. E mostrou que a ditadura do proletariado, o centralismo democrático, a dita democracia de partido único estavam condenados ao fracasso, e mais, negavam uma das conquistas históricas universais da civilização burguesa: a liberdade individual. Por isso penso que, a concretizar-se alguma vez o comunismo, tal possibilidade só se deverá, não a voluntarismos políticos, mas às condições objectivas do desenvolvimento da economia, acompanhado do progresso da democracia participativa e da moral humanista. O comunismo, se alguma vez puder existir, será só a falta objectiva de necessidade social, devido ao desenvolvimento das forças produtivas e da transformação das relações de produção, da propriedade privada dos meios de produção, do dinheiro e do Estado como sistema repressivo acima da sociedade civil. E, com isso, uma maior liberdade do indivíduo.
Os meus sinceros cumprimentos.
Caro Pedro Mota, os seus desejos são certamente partilhados por muitos milhões em todo o mundo.
Eu incluído. Mas, sejamos rigorosos, isso já não é comunismo nos termos em que foi teorizado pelos seus fundadores. É uma outra coisa, um outro mundo que está por inventar, bem melhor do que o comunismo.
Até lá vamos saboreando a democracia “burguesa” capitalista com todas as suas virtudes e contradições. E, já agora, denunciando as atrocidades que se vão fazendo pelo mundo, mesmo nos países comunistas. Por exemplo exigindo a libertação dos presos políticos em Cuba. Para que “cuba livre” não seja só nome de bebida.
Saudações democráticas deste que já foi comunista e acredita que o mundo pode ser melhor.
Caro Carlos Pinto, só para terminar que vem aí um dia de trabalho, subscrevo inteiramente o que disse. Não terá todavia dito Marx que só tinha a certeza duma coisa, que não era marxista? E não terá Saramago concluído o mesmo? Para gente que entende…
Então ainda não viu um comunista
Já imaginava que os nossos amigos comunistas iriam reagir às minhas palavras, mas olhem, a minha vivência e a minha formação são suficientes para ter uma ideia muito precisa do que são os idealismos comunistas, li tudo o que podia ler sobre o assunto (Estaline, Lenine, Marx, Trotski, Che, Engels …tudo) para além disso trabalhei no meio deles (comunistas) durante 15 anos, portanto sei muito bem qual é a filosofia dos comunistas em Portugal. Respeito muito e admiro homens que deram a vida e o melhor dela contra o fascismo de Salazar: Tarrafal, PIDE, tortura, e tantas outras coisas,sofreram na pele, mas “comunistas” à pressão vi tantos.!!! Por exemplo: Américo Tomás passou por Almada não muito tempo antes do 25 Abril. O largo estava cheio de gente, com bandeiras e palmas. Depois do 25 Abril, morreram todos? Não… eram todos comunistas|||||||| Depois, os mesmos Viva Otelo!, Mais tarde, os mesmos, Morra Otelo! Por isso, ninguém me venha dar lições de História e de moral!… Tacho não tenho nenhum, porque alguma coisa que tentei fazer após o 25 Abril, e eram ideais de uma jovem de 20 anos, foi tudo roubado por comunistas que tentavam arranjar poleiro à conta dos trabalho e das ideias dos outros!::: E sobre o assunto, tenho dito, porque não tenho a pretensão de fazer filosofia, ou ter uma “diarreia” intelectual a propósito de Saramago. Não estou de acordo com os seus ideais, não tenho paciência para ler alguns dos seus livros, mas aqueles que li, apreciei-os como leitora, sabendo que um escritor para além da informação que tem, usa a fantasia, a criatividade e a liberdade naquilo que escreve. Recebeu um prémio e outros vários que honraram Portugal e por uma série de circunstâncias merece respeito. Gostaria que o Sr. Pedro Mota tivesse a coragem de autorizar a minha outra opinião. Divirtam-se a fazer comentários porque eu tenho os meus tachos para cuidar ( aqueles verdadeiros…)
Subscrevo praticamente na integra o seu comentário e, por isso mesmo, volto a dizer-lhe que ainda não conheceu um comunista.
saiu “anónimo” erradamente, peço desculpa, mas eu sempre dei a cara pelas minhas afirmaçoes, e lamento que o Sr. Pedro Mota continue a não autorizar o meu outro comentário em que refiro que eu não consigo publicar os meus poemas em Portugal, apesar de em Itália já ter ganho prémios. (possivelmente é a sua índole democrática que não lho permite….)
Só agora li a sua afirmação de que eu, Pedro Mota, não autorizei um comentário da senhora Carla Simões. Estarei a ler bem? É inacreditável! Que surpresas a Net ainda reserva? O que posso fazer para não autorizar-lhe um seu comentário? Acaso sou o dono deste Blogue? Não diga mal dos outros sem ter a certeza do diz.
Já agora, a propósito do que escreveu inadvertidamente sob anonimato (terei também feito algo de inadvertido?), gostaria que não confundisse Filosofia com política. A Filosofia dos comunistas é naturalmente o marxismo, melhor dito, o materialismo dialéctico. Pergunto-lhe, porém, se conhece algum comunista que saiba alguma coisa de filosofia marxista? Olhe que eu não conheço mais do que dois (talvez haja mais alguns): Eduardo Chitas e José Barata-Moura . A Filosofia marxista é muito complexa, leva muitos anos a estudar, como qualquer outra filosofia e, infelizmente, não pode partilhar devidamente o seu tempo com a prática política. Além do mais, há muito mais na filosofia marxista (teoria do conhecimento, metodologia, ontologia, teoria da práxis , ética, estética, etc., que influenciaram profundamente todas as ciências humanas) do que a política comunista deixa antever. Leia obras como “A Ideologia Alemã”, os Grundrisse “, a “Dialéctica da Natureza”, Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã”, “Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”, escritos por Marx ou pelo seu amigo Engels, como tudo o que permanece de válido e tudo o que está datado, assim como livros mais recentes como Lógica Formal e Lógica Dialéctica”, “Metodologia das Ciências”, ambos de Henri Lefebvre , “Marxismo e Teoria da Personalidade” de Lucien Sève , o Volume 10 da Enciclopédia Einaudi intitulado “Dialéctica”, “Marx, Pensador do Possível” de Michel Vadée , “Filosofia da Práxis ” de Sánchez Vázquez , “Compreender o Capital” de Duncan Foley , e mais, muitos mais livro que se continuam a escrever pelo mundo fora, sobretudo em França, Itália, Inglaterra e Estados Unidos. Assim terá um vislumbre da riqueza e da complexidade do marxismo. E perceberá então que, tal como tudo o que de importante se concebeu, muito do que ficou escrito nesses livros não resistiu ao critério da prática, esse critério que o marxismo definiu melhor do que qualquer outra filosofia, pelo que o marxismo até poderá ser aplicado, junto com outras contribuições, à explicação histórica, social e económica, da queda dos regimes ditos socialistas.
Se parece absurdo, deixá-lo-á de ser se puder dedicar-se ao estudo sério do marxismo. Se nenhuma concepção do mundo tem o privilégio de se garantir ‘a priori’ a verdade sobre o mundo, em todo o caso o marxismo deu um contributo imenso para um melhor conhecimento da realidade como um todo.
Desejo-lhe a melhor sorte para a sua actividade literária. Sinceramente, Pedro Mota.
Eu já vi. Estava ontem a tomar o pequeno almoço ali no café da esquina…
E tinha uma etiqueta na testa?
Não tinha etiqueta mas ainda vi a ponta da fralda quando mastigava…
A menina, mulher ou senhora, desconheço-o, Carla Simões, dever-se-ia informar melhor antes de falar sobre os sonhos (não revelados, senão não o seriam) daqueles que acreditam no ideário comunista; quanto ao tacho, presumo que tenha um. Estarei errado?
Olá Carla!
Grandes verdades ditas nesse comentário!
Apesar dos media quererem impingir uma ideia errada dos “pobrezinhos” comunistas e bloquistas.
Aliás, o saramago disse que o Nobel era para portugal…mas o dinheiro para ele! Embora ninguém lho tivesse pedido.
cptos
Chamar bom escritor a este marreta, que apenas sabe caluniar, é obra!
ENBFT quer dizer o quê?
Que tristeza de comentário! Guarde esse ódio político para outra altura homem! Triste que deve ser o senhor…com esse ódio dentro de si!
em primeiro lugar quero prestar a minha singela homenagem a um HOMEM que teve a coragem de se assumir tal e qual como era e É por ser assim teve a estima que teve. Sim teve a inquisição no sec . XX mas não deixou de ser aquilo que todo o Povo conhece alertou disse mas mas como sempre este País não o percebeu. Agora já partiu mas fica a sua obra para as futuras gerações. Mas actuais tem para com Saramago a maior admiração nesta geração aqui estou pois desde sempre acompanhei o seu percurso literário pois através das suas obras se conhece a pessoa ou as pessoas. Bem Haja J SARAMAGO.
Primeiro que tudo, você é um cobarde: nesta situação um pseudónimo não é aceitável.
Finalmente: você não sabe ler, pelo menos Literatura! Saramago viverá pela sua obra muito mais do que Luís de camões e até mesmo que o provável Homero.
Se a obra é “marcante”, como você, aparentemente contraditório, afirma, o escritor não morrerá; à sua obra ficará para sempre associado o nome José Saramago.
E a Igreja de Roma não é ou nunca foi facínora?
A minha intervenção dirigia-se naturalmente a “singularisb alentejanus”. Não o referi na altura porque pensei que o meu comentário viria “agregado” ao dessa pessoa…
Não exageremos, senhor Jorge Ribeiro, Saramago é talvez um dos melhores estilistas e criadores de personagens do último meio século na literatura portuguesa. Embora muitas vezes use o seu estilo paradoxal, à vez barroco e coloquial, para disfarçar alguma falta de ideias originais e que vão ao âmago das coisas em muitos dos romances que escreveu. Se quer comparar alguém a Homero na época contemporânea, o que é impossível pelo que ele representou na vida e na cultura clássicas, pode lembrar-se de Goethe , de Ibsen, de Joyce , de Brecht . Na literatura universal, Saramago, por mais brilho que tenha no seu estilo e na sua magnífica frontalidade que tentou refrescar a envegonhada e hipócrita mentalidade portuguesa (vide Caim, que todavia só choca a referida ridícula sensibilidade puritana portuguesa e o Vaticano), é apenas uma nota de rodapé. E, no entanto, para nós, que somos tão mesquinhos, Saramago só pode ser um gigante.
Senhor Pedro Mota: gostei de ler o seu texto, mas não alterei a minha opinião, porque o que os autores, que citou, não alcançaram a abrangência que Saramago conseguiu, não só no “retrato” e análise crítica da sociedade portuguesa de várias épocas, sempre com ligação implícita à nossa (séc. XX e XXI), como de questões cruciais da Humanidade de todos os tempos.
Os outros, que também conheço, além de muitos mais (GRANDES também), limitaram-se a alguns aspectos, importantes sem dúvida, mas sem a amplitude da obra de José Saramago.
Continuo na minha e gostaria de ter saúde e tempo de vida suficientes para conseguir documentar a minha opinião com exemplos de todos os romances de Saramago (são os que me motivam mais, por serem “ficção”).
Quanto a sermos mesquinhos, estou de acordo consigo, mas apenas como amálgama de criaturas que vivem no mesmo país que já não são um povo e muito menos se sentem uma Nação (a não ser quando joga a selecção de futebol…).
Mas ainda há, como sempre houve, muita fruta sã que resiste no meio da podridão.
Obrigado de qualquer forma, pelo seu comentário.
Cumprimentos.
Caro senhor! REGIME FACÍNORA… Não pretendendo fazê-lo mudar de opinião sobre o conceito de facínora, não resisto a manifestar-lhe a minha, bem como a convidá-lo a uma reflexão. E olhe que… facínora por facínora, é bem mais “justo” o facínora que esteja ao lado dos oprimidos, dos pobres, dos espoliados, dos sem voz,… do que os facínoras que, ao que parece, o senhor quer idolatrar. Ou quer chamar justos, puros e santos aos causadores das grandes tragédias da humanidade? Consegue demonstrar-me que a fome no mundo, o desemprego e o actual desastre da economia mundial, se deve aos facínoras da União Soviética, ao Fidel Castro, ao Lula da Silva e outros? A quem se deve o actual estado do planeta, senão ao capitalismo selvagem, aos Madoffes e companhia? Reflicta meu caro senhor! Quem sabe talvez possa mudar de opinião. E por tabela, o que faz a Igreja pelos pelos pobres, pelos desgraçados da vida, pelas crianças sub-nutridas, etc, etc? Já viu a igreja descalça, faminta, sem esperança? Viu o Claudio Toscani, partilhar a sua fartura e a do Vaticano com a pobreza? Óbvio que não viu e jamais verá. O que nunca deixará de ver são estes, em nome sabe-se lá de quê, a extorquir os pobres e os pobres de espírito. Reflicta caro senhor!..
Parece que o “senhor” ANÓNIMO a 21 de Junho de 2010 às 10:34 nunca ouviu falar do Tribunal do Santo Ofício da Igreja de Roma, dos séculos de terror, tortura e assassinatos da Inquisição…
Parece também que não tem qualquer informação do quase certo assassinato, desejado pela alta hierarquia da igreja de Roma, do Papa João Paulo I…
Depois vem dizer-me que essa igreja está “ao lado dos oprimidos, dos pobres, dos espoliados, dos sem voz”? Ou não percebi bem o seu texto?
E já agora, porquê ANÓNIMO? Tem medo de quê?
A este comentário impõe-se uma pergunta: Haverá “regime mais fascínora” que o capitalismo – devorador insaciável, canibal, fascínora…
Haverá quem mais tenha lutado contra esse predador da humanidade que Saramago? A resposta está no seu legado literário e, acima de tudo, na sua verticalidade intelectual. Porque isso sim, é ser Comunista!
Bonito este depoimento, pela seriedade intelectual de quem o escreve.O meu muito obrigado, pelo prazer que me deu lê-lo.
Obrigado. Aquela viagem, de facto, para mim foi memorável. E aquele livro de Saramago acompanha-me até hoje.
Gosto de ler-te, sabendo que este é um testemunho pessoal emocionado e não mais um dos milhentos textos laudatórios que vão aparecer de todos os lados, agora que ele morreu. Não me era uma figura simpática, como homem, mas sempre o admirei como escritor. O engraçado é que na última entrevista em que o ouvi em directo, com a qual muita gente ficou chocada, consegui finalmente vê-lo com outros olhos e concordei com ele em vários pontos que defendeu. Falei disso aqui, na altura. Era uma figura controversa, cheia de contradições como todos os que se questionam profundamente. Fico contente comigo própria por ter conseguido aproximar-me um bocadinho mais do homem, mas isso podia até não nunca ter acontecido que o escritor não sairia beliscado. Não li todos os livros, quero ainda ler alguns, outros não. Mas nunca hei-de esquecer como me deixou maravilhada o Memorial, o primeiro que li dele.
O «Memorial» sim, sem dúvida. Aconteceu-me tal e qual… 🙂
Estive a pôr a leitura em dia, até uns «posts» mais abaixo e, talvez por isso, agora arrepiei-me: diz-se «aconteceu-me»? ;-)))
LOL. Diz-se, sim, Nicolina. E depois de uma belíssima crónica do António Lobo Antunes, eu digo até “morreu-me” em relação à morte de alguém que me é querido. Não pode ser mais verdadeiro, e mais poético.
🙂
Excelente, essa expressão.
Sim, sim. Diz-se (pode dizer-se) “aconteceu-me”, “morreu-me”, etc. É coloquial do mais coloquial, é até rural de tão popular, mas nada de mais poético e ilustrativo. Chega a ser um mimo, um afago, um brilho nos olhos.
Diz-se e, nos momentos certos, escreve-se quando está mesmo a apetecer; nos momentos certos, quando apetece mesmo, até dá gosto. Quais são os momentos certos? São aqueles ditados pelo texto e pelo contexto.
Há até um livro do José Luís Peixoto – salvo erro, o primeiro dele – que se intitula assim mesmo. ‘Morreste-me’.
Ana: obrigado pelas tuas palavras, sempre generosas.
Dos livros de Saramago, apenas li dois: Memorial do Convento e a Caverna.
Fiquei de tal maneira impressionada com o Memorial do Convento que me aventurei com a Caverna.
Foi pena, não ter sido ao contrário, pois certamente continuaria a lê-lo.
Para mim, leitora mediana, que aprecia uma boa leitura, daquelas que prendem, a Caverna foi uma decepção.
Mas o desaparecimento do nosso Nobel, espicaça-me a curiosidade e outros livros virão.
M.I.M.
Se aceita um conselho, mais ou menos consensual, sugiro-lhe o Ensaio sobre a Cegueira ou O Ano da Morte de Ricardo Reis para próxima leitura. Penso que não vai ficar decepcionada.
Excelentes sugestões, Ana. Subscrevo. Além de recomendar – sempre – a ‘Viagem a Portugal’.
Esse é dos que nunca li, Pedro. Vai para a minha lista.
Parabéns pelo texto. Faz, muito provavelmente, justiça à experiência vivida.
Por curiosidade, saberá o período em que decorreu “a viagem” propriamente dita?
Saudações literárias (a quem as queira receber),
O Pedro Correia está para fora, mas creio que há-de dar com este seu comentário para lhe responder.
Bela memória, belo texto.
Obrigado, compadre. Um abraço.
Excelente texto de homenagem Pedro, que honra o homem e o escritor. Estou de acordo consigo quanto à irregularidade da obra, também não consegui ficar “agarrada”à Jangada , dos livros que li do autor, foi o único que nunca concluí. para além do Memorial do Convento, O ano da Morte de Ricardo Reis é aquele que considero mais fascinante. É interessante que o Pedro não o tenha mencionado, provavelmente não o terá achado tão interessante. É esta diversidade de opiniões que me parece enriquecedora, quem lê Saramago tem à disposição uma obra tão vasta e diversificada que certamente encontrará nalgum dos seus livros qualquer coisa que o toque, interpele e em que se reveja.
‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’ é um livro especial para mim: Ariel. Soube dele ainda antes de estar concluído e de algum modo ‘vi-o’ nascer. Tem toda a razão no que refere: “Quem lê Saramago tem à disposição uma obra tão vasta e diversificada que certamente encontrará nalgum dos seus livros qualquer coisa que o toque, interpele e em que se reveja.”
É curioso, este texto teve o condão de me «reconciliar» com a figura, porque há a escrita e há a «figura». Este retrato que aqui traças permite, sem dificuldade, gerar uma memória equilibrada (e por isso agradável) para os dois aspectos. A lisura no trato, na análise, é, de facto, uma enorme qualidade.
Excelente texto. Parabéns!
Obrigado, Nicolina. Deixas-me sem palavras.
as cenizas del descansaran a metade en espanha e oitra metade en portugal, asi quero eu que fagan cas minhas, eso so entende que ama a terra
Por supuesto.
…morreu de guerra o cavalo da guerra, morreu de peste o cavalo da peste, morreu de fome o cavalo da fome, a morte é a suma razão de todas as coisas e a sua infalível conclusão, a nós o que nos ilude é esta linha de vivos em que estamos, que avança para isso a que chamamos futuro só porque algum nome lhe havíamos de dar, colhendo dele incessantemente os novos seres, deixando para trás incessantemente os seres velhos a que tivemos de dar o nome de mortos para que não saiam do passado.
José Saramago, Jangada de Pedra
Saramago, coma sua obra, avançará no sentido do futuro, ficando incessantemente entre os vivos.
Não tenho a menor dúvida quanto a isso.
A escrita de Saramago revela-se genial, não só pelas ideias (discutíveis, claro, mas muitíssimo bem defendidas e coerentes), mas também pela maneira de as explanar através de histórias nacionais, mundiais e pesooais.
Ler o Memorial do Convento é algo que nunca mais se esquece: uma história interessante e pungente, que nos faz olhar para dentro de cada cada um de nós!
As ideias são discutíveis, claro. Como referi, não me revejo na ideologia de Saramago e critiquei sempre o apoio que tributou a regimes autoritários (no caso de Cuba, a partir de certa altura, com matizes). Mas a obra literária fica. E quando um escritor é grande a obra transcende as circunstâncias da sua época. Não tenho a menor dúvida de que será esse o caso de Saramago.
Manuel Alegre
A Missa do Gato
O povo diz: As pessoas para serem boas, ou morrem ou se ausentam. É o que está a acontecer. Quantas vezes ouvi críticas a José Saramago. Quantas vezes até o ultrajaram. Não gosto da maneira como ele escreve. É um direito que tenho, tal como muitos que o criticaram, hoje acorreram aos Passos do Concelho para para se curvarem perante o escritor. Cinismo? Hipocrisia? Não sei nem me interessa. Nem direito tenho de o julgar pelas palavras injuriosas que dirigiu a DEUS.O DEUS em que acredito, é bom, é justo, e sabe perdoar… Mas dizer que Saramago foi superior a Camões ou Homero, acho demais. Que a sua alma descance em paz.
Estou plenamente de acordo! Como pode um Estado curvar-se perante aquele que disse, que Portugal deveria ser uma província Espanhola, é uma vergonha.
O que é ser patriota???? qual o valor da bandeira que nos representa???? Porque será que hoje vi alguém , que até é Reitor de uma universidade, apregoar tanto e defender a suas “dama”, José Saramago, se calhar, está a piscar o olho á fundação que será inaugurada para o ano! Quem lhe deve favores, que lhe pague, agora esbanjar dinheiro publico, neste tempo, é que o povo não devia perdoar. Mas o povo quer é festa e futebol . E eu sei bem do que digo, que acompanhei esses “Hipócritas nestes dois dias”. E como “Vermelho que é,” o P.S. e o P.C.P . que pague os favores políticos , dos seus próprios bolsos, é que não foi á toa que ele deu apoio ás campanhas eleitorais últimas…
Bem hajas, Sua Ex.ª o presidente da Republica, e da assembleia da republica. Estarem presentes, era dar demasiada importância. Espero que o Sr. Reitor, que teve uma intervenção de se tirar o chapéu, se digne e aplique á “sua” universidade, como se aplicou nestes dois dias. Pelos vistos, dá mais protagonismo, falar da casa alheia, do que naquela, em que as propinas lhe garantem esta projecção! Hipócritas , já que não resistem a um grande plano nas televisões.
E diga-se de passagem, tirando os que estiveram na Câmara municipal de Lisboa, as ruas até ao cemitério , ao contrário das expectativas , não tinha povo á espera. O povo não dorme. E direito ao PANTEÃO, é só para aqueles que enalteceram Portugal, para aqueles que nunca renegaram a Pátria, para aqueles que defendem a Bandeira. Para mim as cinzas deveriam ser tratadas pela Valor Sul, esse era o destino digno daqueles que queriam este Portugal como província!
osmeus mais sinceros parabéns pelo seu texto…partilho inteiramente da sua opinião!!!!!Saramago poderá ter sido um bom escritor…..(pessoalmente não sou fã) mas acima de udo ele RENEGOU A PÁTRIA e as honras que se lhe têm feito… meu Deus…. como é possivel??????? em quê ele enalteceu Portugal???? defendendo que deveríamos falar Espanhol ????? mas o povo é mesmo assim quer é festa e futebol e como ainda não inventaram uns comprimidos para a menória curta temos de assistir sentados a este desplante!!!!!!!!!!!!
Tanto ódio aqui à solta. Faz-me sempre impressão o ressentimento que tantas pessoas alimentam em relação a quem não pensa como elas – de tal modo que nem no dia de um funeral deixam de exprimir palavras de insuportável azedume sobre o morto. Isto diz muito sobre o carácter de quem assim se exprime.
mas será que Portugal pediu para ser enaltecido?!!! Ou serão os portugueses que precisam que se lhes passe a mão pelo pêlo? E a propósito de quê? Será que acham que o merecem? Por favor, deixe-se de opiniões pessoais sem discernimento!!!
Como está sua casa, Mariquinhas? Ainda tem janelas com tabuinhas?
Comuna, intolerante, ignorante, rancoroso. Fez mal a muita gente, a sua escrita ácida denota uma mente carregada de problemas do foro psicológico. Deixai ficá-lo nas Canárias! Tenha a coragem de publicar. Cumprimentos,
Como vê, o seu comentário foi publicado. Mas como se atreve a falar de coragem? Mesmo com Saramago morto, não teve coragem de assinar o seu nome para lhe dar este coice póstumo.
Está assinado! É um pseudónimo, seja como for… Ricardo Campos, se quiser posso facultar-lhe o meu nº de BI ou NIF mas particularmente. Sempre critiquei Saramago e não será a sua morte que me vai mudar as ideias. Ele não foi exilado (até merecia 🙂 , virou as costas à Pátria que agora faz o politicamente correcto. Triste encenação. Sou bem mais brando com Saramago do ele foi com Deus e no entanto sou um comum “anónimo” mortal nascido num dia gélido de inverno! Muito obrigado por ter publicado o meu antipático comentário e peço desculpa se provoquei alguma crispação.
rickywinterborn@yahoo.com seja lá quem for (português não deve ter orgulho de ser, veja-se o endereço de correio electrónico…): Nunca deve ter lido romances de José Saramago; quando muito leu ou ouviu falar sobre ele. E, como muitas pessoas que conheço, “emprenha pelos ouvidos”: se soubesse ler, Literatura, veria que José Saramago respeita mais as ideias dos outros do que a própria igreja de Roma…
Até os burros aprendem; comece a ler Saramago, sem preconceitos, e daqui a uns tempos veremos.
E se precisar de explicações gratuitas terei muito gosto em dar-lhas.
Caro Jorge Ribeiro, vivemos num global por muito que lhe custe a língua global é o inglês. O meu e-mail principal está em Português; fique descansado.
Fui militar voluntário e jurei defender a Pátria (que alguns desdenham) com a própria vida; dificilmente dar-me-á lições de patriotismo.
Li o Memorial do Convento e O Evangelho Segundo Jesus Cristo, que me desencorajou a ler qualquer outra obra dele!
Esqueci-me de dizer que o prémio Nobel de Saramago vale tanto como o de Barak Obama…
Caro Jorge; está equivocado; “só os burros não aprendem”.
Obrigado pela oferta de explicações. Tomei nota e quem sabe…
O meu 1º comentário foi de facto muito acutilante. A diplomacia não é o meu forte, lamento e tentarei fazer melhor, mas pelo menos disse o que penso.
Estou a gostar deste blog 🙂 Fervilha, o que é bom!
Assim está melhor, caro Ricardo Campos! Reconheço-lhe evidentemente o direito de ter a sua própria opinião e de a expressar, mas creio que («Li o Memorial do Convento e O Evangelho Segundo Jesus Cristo, que me desencorajou a ler qualquer outra obra dele!», palavras suas) o que leu e talvez a forma como tenha lido não terão sido suficientes para apreciar e descobrir o que está “por baixo” do texto, de descobrir que (nem no “Evangelho…” nem mesmo em “Caim”) Saramago falta ao respeito aos católicos nem aos Cristãos, e que não mente. E eu sou Cristão e conheço não só integralmente a Bíblia como o (Al)Corão: pode haver tão convictos como eu, mas mais não os há decerto.
De qualquer forma quase que apostaria que, com o minha colaboração, mudaria de ideias em relação não só a Saramago como aos seus romances. Em todos os aspectos…
Continuo ao dispor.
Muito bem. Estou sempre pronto para aprender. De que modo se propõe a ajudar-me? E desde já, obrigado.
Contacte-me por “mail” e disponha-se a ler de novo Saramago.
Depois veremos, certo?
Assim já me apetece enviar-lhe um abraço.
Desculpe, esqueci-me de indicar o meu endereço:
jorgemonizribeiro@sapo.pt
Sou muito velha, conto muitas dezenas de anos e tenho lido com muito interesse os vossos comentários, meus caros jovens. Acho que todos os livros, independentemente dos autores, devem ser lidos para se poder ter opinião se são bons ou maus e mesmo essa qualificação é muito subjectiva. Pessoalmente sou leitora do José Saramago e de muitos outros escritores considerando Camões um dos maiores. Só não entendo o ódio que votam a alguns escritores mesmo depois da sua morte.
Mantenham o diálogo duma maneira honesta e tolerante para satisfação dos velhos que gostam de ler o que voces escrevem
Ricky ‘Corajoso’ Winterborn…
Nascido no Inverno. Deve ter sido num dia mesmo muito frio.
Independentemente da afirmação banal segundo a qual todos temos qualidades e defeitos, o senhor, anónimo, parece ter os piores defeitos: o culto da ignorância, a inveja e a raiva. Efectivamente, só Homens ímpares conquistam a grandeza de Saramago, independentemente dos seus ideais. Talvez não saiba que um IDEAL é algo existente no entendimento e que, por isso, tem um grau de perfeição superior. Saramago afirmou, no Outono de 1991, a propósito do “socialismo real”, o comunismo, “O modelo falhou, não tenho dúvidas. É mais do que óbvio. (…) Este era um dos modelos possíveis. Mas penso que o ideal não morre. Sobreviverá, disso tenho a certeza, e haverá tempo para pensar nele noutra escala, noutras condições.”
Que o modelo falhou não restam dúvidas.
Boa tarde
Bela homenagem a sua.Gostei
Obrigado, Ana. Provavelmente até nos conhecemos na altura. O Círculo de Leitores teve um gesto ímpar ao convidar Saramago a escrever esta obra, graças ao ‘faro’ do seu administrador à altura, que era alemão. Aproveito para lhe dizer que gostei do seu blogue, que não conhecia. E já percebi que partilhamos a paixão pelo Oriente – e por Timor em particular.
Obrigada Pedro Correia. Confirmo o que diz.
Sim, de facto gostei muito de viver em Timor (1 ano).Não esquecerei.
cumprimentos
anA
Um dia destes faço uma menção especial ao seu blogue, Ana. Merece.
Boa Noite
Caro Pedro
Os meus comentários foram feitos porque me identifiquei com o seu texto e o seu sentir. A sua simpatia e disponibilidade para as respostas agrada. .)
Gostava muito de Saramago. Por ele cheguei ao vosso blog. Fiz um link para vocês, e … está tudo óptimo
Grata
anA
Foi esta a mensagem (+-)que lhe mandei para pedro.correia@dn.pt-, mas veio devolvida. Mando por aqui mas por favor não publique
(Também com agrado verifico que conseguem aconchegar quem nasce em dias de Inverno muito,muito gelados. )
Obrigado, uma vez mais, Ana.
Também ao ser controverso, foi genial. Convém recordar aos mais apressados que a distância depura o labirinto mais mesquinho das emoções. Havemos de continuar a ouvir falar de Saramago, ainda com mais respeito e admiração.
O facto de ser polémico não o apouca, pelo contrário. Nós, em Portugal, é que estamos muito pouco habituados a pessoas controversas, que digam em voz alta o que pensam, incomodem quem incomodarem. Preferimos criticar baixinho, sobretudo pelas costas e de preferência no anonimato.
Acertou na mouche, Sr. Pedro. Todos temos o direito de expressar a nossa opiniao, mesmo indo contra a corrente. Saramago foi polémico, inconveniente? errou? Acertou? Eram as suas conviçoes, eram as suas ideias. Podemos nao estar de acordo, ok, mas devemos respeitar a diferença. Os portugueses nao estao habituados a respeitar as opinioes dos outros, criticam porque fez, criticam porque nao fez e devia ter feito, somos uns insatisfeitos! hà sempre um mas… Mudemos a nossa mentalidade!!!!!!!! Somos pouco corajosos quando temos de dar a cara! Criticamos pelas costas, nao somos capazes de avaliar os nossos proprios defeitos… Foi para Espanha? Problema seu… Defendeu certos regimes? Eram as suas conviçoes… E ainda bem que as tinha, porque de gente que nem sabe que està neste mundo, estamos nòs fartos!! Foi polémico? Ainda bem… para ver se acorda este povo que parece que anda meio dopado e nao reaje a nada!!! Devemos realçar as coisas positivas e deixar perder as negativas. O portugues està sempre a ver o copo meio vazio e nao o copo meio cheio.!!!!!!!!!!
Gaita, mudem de cassette, modernizemo-nos, viva a cultura e quem dela faz a sua bandeira! Obrigada Saramago, concorde ou nao concorde ele foi mais bravo do que eu que ainda nao consegui editar os meus poemas, neste pais retrògrado e mesquinho, de comadres e compadres…. e jà consegui 3 prémios literàrios em Itàlia 2 segundos lugares e um primeiro.
Se isto nao quer dizer nada… ao menos façamos uma pequena reflexao…. (a propòsito, os acentos, deve-se ao facto de que o teclado é italiano!). E… venham mais Saramagos!!!!!!!!!!!!!
Carla Simões, o seu comentário veio na hora certa, reflecte os meus sentimentos. Na verdade não percebo o porquê de tanta polémica, só porque Saramago, ou outro ser deste mundo, pensem diferente dos demais e tenham a coragem de o dizer. Penso que é na diferença que se encontra a aprendizagem, pois este mundo seria um “tédio” se todos fossemos exactamente iguais. Dou “vivas” à diferença, pois é com ela que praticamos a tolerância, nos questionamos ao longo da vida e nos vamos encontrando a nós mesmos…aprendemos com os outros todos os dias.
Realmente quem vive apenas em julgamento, não consegue ver e apreciar a “mensagem” que a vida nos transmite a cada hora que passa.
Já agora se me permitem, deixo também o meu apreço pelo texto de Pedro Correia, uma visão pessoal mas imparcial e sincera, que me trouxe muita paz.
Sinceros cumprimentos
Agradeço-lhe o comentário, de que gostei muito.
Quem reflecte um mínimo sobre a condição da sua família, dos seus filhos, da Humanidade, das condições de vida da maioria
dos portugueses e dos povos, deveria saber que ser comunista é saber abstrair-se da visão a 1,70 metros do chão e olhar
a Terra do espaço :
– é ter consciência política do que se passa à nossa volta,
– é ser observador e revoltado contra as injustiças,
– é ser solidário com as pessoas que sofrem na pele as decisões politicas, económicas e sociais dos responsáveis políticos,
– é pensar no futuro da sua família, amigos e humanidade e não ser egoísta pensando apenas no seu próprio conforto e bem estar material,
na sua pequena família e nos bens de consumo,
– é não se deixar enganar (alienar) e acreditar nos boatos lançados por certa imprensa nacional e internacional,
– é não se deixar distrair com “pão e jogos”,
– é compreender que o Estado deve sempre agir em benefício da maioria dos portugueses e por isso devemos
reforçar as suas estruturas, capacidades produtivas para bem de todos e não destruí-las com privatizações selvagens,
– é compreender que em condições difíceis de crises económicas, o Estado (nós) é sempre chamado a intervir para salvar
grandes grupos económicos financeiros e outros em agonia,
– é compreender que depois do Estado (nós) salvar com milhões de Euros esses Grupos Económicos (em Portugal e não só),
desses Grupos voltarem a apresentar volumosos benefícios, os nossos governantes voltaram a pedir esforços para “emagrecer
o Estado” e apertar o cinto aos portugueses,
– é ter consciência e provas que são sempre os mesmos a pagar os erros e as crises,
– é ser a favor da liberdade e contra todo o tipo de ditaduras e regimes totalitários,
– é compreender que o ser humano não é perfeito e saber distinguir “O Individuo” do “Comportamento do Individuo”
– é ter consciência e acreditar que este tipo de sociedade não faz a maioria de portugueses felizes,
– é ter consciência que este tipo de sociedade será um dia substituído por uma sociedade mais justa, mais solidária,
mais pacifica e mais feliz. Oxalá saibamos construí-la para os nossos netos ou melhor ainda para os nossos filhos,
começando já.
É disto que Saramago fala directamente e indirectamente na sua obra, nas suas entrevistas, na sua vida.
Os nossos comentários, acções, atitudes e comportamentos serão provavelmente esquecidos dentro de dias, a obra de Saramago não !
Como diria Gandhi, “a grandeza dos Homens mede-se pelo bem que fazem para a Humanidade, não pelos seus bens materiais”.
Saramago é um Homem Grande, a sua obra faz bem à Humanidade e pode ser um Farol para a Humanidade se assim o quiserem.
O Mundo seria melhor com mais “Saramagos”, …seja um(a) !
Saramago estará sempre entre os vivos.
Fernando Guerreiro
É bom ler o que escreveu Sr. Fernando Correia. Faz bem a alma e dá-nos alento para seguir em frente cada vez com mais força porque sabemos que se olharmos para trás está lá alguém que como nós tenta abrir as mentes daqueles que nunca tendo feito nada para alterar o estado das coisas, se têm vindo a acomodar ao que lhes tem sido imposto, ficam na sua mesquinhez criticando e dizendo mal de tudo e de todos. Se se dignassem a ler Saramago estou certo que certas mentes que hoje o criticam teriam dele outra perspectiva . Saudações. Edgar Faustino
Saudações, Edgar.
Pedro Correia
(Fernando é o outro, ilustre sportinguista e radialista)
Gostei da lisura e honestidade do seu texto de homenagem à grande figura da Saramago.
Quanto à sua grandeza literária ninguém questiona a sua obra. Quanto às suas opções políticas é normal as divergências que demonstrou, bem como de outros comentários neste seu blog.
Contudo, e tomando como exemplo os meus falecidos pais, da mesma idade de Saramago, compreendo e respeito o seu ideal político, face às agruras e dificuldades que, todos eles pobres e operários, tiveram que ultrapassar numa luta diária de sobrevivência, da qual sou testemunha porque, também eu, sofri na pele essas mesmas dificuldades. No fundo, essa mesma ideologia não defendia nenhum tipo de ditaduras, mas limitava-se apenas à defesa duma sociedade mais justa e igualitária, aliás que era demonstrada na prática, pela solidariedade e afecto com que conviviam e partilhavam entre si. Em rigor, defendiam o inverso desta nossa sociedade selvagem e desumana que nos está a ser imposta por um neo-liberalismo acéfalo.
Quanto à sua obra, resta-me adquirir uns poucos livros que me faltam, entre os quais o que referiu “Viagem a Portugal”. Já quanto à “Jangada de Pedra” discordo de si, pois, tais como outras posteriores, Saramago demonstrava a sua visão genial e futurista, pois a história presente demonstra que Portugal e Espanha foram, e são, nos âmbitos político e económico, os “parentes pobres” dessa Europa que hoje é uma União Europeia.
Verá que gosta da ‘Viagem a Portugal’.
Voltámos à censura do PREC que Saramago tanto gostava!?
isso vem a propósito de…
Foi o ultimo dos grandes comunistas que conheci, e do qual tenho dedicatorias escritas, ficará para sempre no meu coração.
Um dos últimos? Está assim tão pessimista?
EU COMO SEMPRE CRITIQUEI A POSTURA DELE EM VIDA CONTINUO A CRITICAR DEPOIS DA SUA MORTE
EM NADA ME ORGULHA A SUA PESSOA E MUITO MENOS A SUA PERSONALIDADE.
PODE SE QUE AGORA SE TENHA ENCONTRADO COM DEUS E ESTE LHE TENHA PERDOADO.
Qual é a necessidade de escrever o texto todo em maiúsculas? Receia que não consiga ser lido se escrever normalmente?
Ó Portugues, não venha para aqui GRITAR que isso nesta casa pode dar-lhe azar.
NÃO TENHO NADA DE PESSOAL CONTRA O homem SARAMAGO, TENHO SIM CONTRA AS SUAS IDÉIAS POLÍTICAS QUE TANTA GENTE ESTÁ A QUERER FAZER ESQUECER.
O prec AINDA ESTÁ BEM VIVO NA MINHA MEMÓRIA, E ENQUANTO VIVER NÃO O ESQUECEREI. COMO ALENTEJANO, NADA TENHO CONTRA ESSES AINDA DESGRAÇADOS QUE BRANDINDO ARMAS FIZERAM O QUE SE SABE NESTE ALENTEJO. MAS NUNCA ESQUECEREI pessoas COMO SARAMAGO E QUEJANDOS, OS MENTORES, OS INCITADORES DE TODA A VIOLÊNCIA VIVIDA NESSES FAMIGERADOS TEMPOS. QUEM TABALHOU NO DN, LEMBRA-SE PERFEITAMENTE QUE “QUEM NÃO ESTÁ COM A REVOLUÇÃO NÃO ESTÁ COM O DN”.
E HOJE, NESTE MEU ALENTEJO, ESSES MESMOS INCITADORES, ALGUNS DELES RESPONSÁVEIS NA ALTURA PELAS FAMOSAS ucp´s, ESTÃO TODOS COM UMA VIDINHA BEM RECONFORTANTE, PASSEANDO DE “JEEPS”, TAMBÉM JÁ SÃO PROPRIETÁRIOS DE TERRAS E REBANHOS. COMUNISMO? ISSO É PARA AQUELES QUE FIZERAM AS OCUPAÇÕES.
E NÃO ME VENHAM COM “HISTÓRIAS DA CAROCHINHA” DE QUE A ATRIBUIDA QUALIDADE INTELECTUAL DE SARAMAGO, É DE ALGUMA FORMA COMPATÍVEL COM IDEOLOGIAS DE CALIBRE DITATORIAL.
SOU ATEU, COMO TAL INSUSPEITO PARA FALAR DE RELIGIÃO. CONJETURANDO, GOSTARIA DE SABER SE O SR. SARAMAGO PERDOARIA Á IGREJA CATÓLICA. DA MESMA FORMA QUE ESTA JÁ O PERDOU POR TODAS AS TROPELIAS E OUTRAS OFENSAS QUE ELE LHE DIRIGIU.
Ó Singularis Alentejanus, não venha para aqui GRITAR que isso nesta casa pode dar-lhe azar.
POR FAVOR ESCLARECE-ME O QUE É PARA SI gritar. ANTECIPADAMENTE GRATO.
Não é preciso, porque V. vai perceber sozinho da próxima vez que repetir a gracinha.
Acho que agora já percebeu. Certo?
Certo?
Estes leitores não percebem que ninguém lê um texto todo escrito com maiúsculas. Eu não consigo ler.
Nem eu. Mas consigo ‘arquivá-los’ no sítio certo…
O movimento de solidariedade que se está, neste momento, a verificar no país com a morte de José Saramago, só penso como se estão a sentir, aqueles que exultaram os portugueses a expulsar do país, o escritor, quando este declarou que Portugal devia ser integrado na Espanha!
Discordo profundamente de Saramago nessa matéria. Mas há uma longa tradição iberista dos intelectuais portugueses. Lembro, por exemplo, Oliveira Martins e Torga.
Morreu um estalinista arrogante. Que seja esquecido.
Acha que vai ser esquecido? Para grande pena dos “grandes patriotas” e “católicos praticantes”, pode ter a certeza que vai ser para sempre recordado, lido e admirado, porque ele, ao contrário de quase todos, deixou uma obra que deveria ser motivo de grande orgulho para o país e que há-de ser imortalizada.
Saramago foi um stalinista fanático, admirador dos assassinos soviéticos, cínico para com os milhões de vítimas do comunismo, perseguidor político no DN.
Obviamente, não é da mesma laia dos “católicos praticantes”. Mais tarde ou mais cedo, quando esta geração de lacaios da selvajaria acabar, será recordado pela realidade dos factos.
O Sr. Sátiro não percebeu o meu comentário (ou faz de conta que não percebe). Eu não me refiro ao homem das ideologias que tanta mossa faz (como se fosse ele o único) ou ao homem de posições mais radicais (para isso estamos numa democracia, ou já não?), mas sim ao escritor de inspiração única, de renome internacional, aplaudido por todos aqueles que leram realmente a sua obra. Como vê, estamos a falar em vertentes completamente diferentes, ou acha que isto é sátira?
Saramago passa à História como um marco assinalável da literatura portuguesa, não por ter sido prémio Nobel, mas sim por nos ter deixado obras tão belas e tão sólidas como o “Memorial do Convento”, “A Jangada de Pedra” ou “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, este último, sem dúvida, um dos melhores livros de autores portugueses que já me foi dado ler.
Diz bem, Luís: não teria sido necessário o Nobel para Saramago ser consagrado como um dos grandes escritores portugueses do século XX.
Depois de ter lido tantos comentários insultuosos à memória deste Homem, é muito agradável ler um texto honesto e fundamentado com respeito. Efectivamente, neste país, cheio de preconceitos, não se separa o homem do escritor e este é muito grande, muito importante e imortal para todos que o leram, que o compreenderam e que aprenderam a Ver através das suas páginas. Tenho visto comentários de alunos do 12º ano, adolescentes, muito comoventes porque, apesar da sua juventude, descobriram o Saramago autor, sem discriminações políticas, religiosas ou bairristas tão usadas por algumas mentes perversas que, por maldade ou pura ignorância, achincalham um nome que projectou este país e esta língua muito para além da sua pequenez. Tenho a certeza que obras como “Memorial do Convento”, ” Ensaio sobre a Cegueira” , “As intermitências da Morte”, entre tantas outras, serão para sempre o legado de um escritor muito português, apesar de tudo! O meu bem haja pela oportunidade de o ter conhecido na vida da sua obra!
Não consegui chegar ao seu ‘link’, mas agradeço-lhe à mesma a reflexão que aqui deixou.
Nunca lhe apreciei o estilo, nem a pose.
Não partilho muitos dos comentários (excessivamente) encomiásticos que agora se ouvem a tantos notáveis sobre a obra e o homem. Sempre tive alguma dificuldade em perceber algumas das suas contradições.
Os homens já lhe fizeram e vão-lhe fazendo justiça em cada página que lêem. E certamente que irão continuar a fazê-lo.
Eu limito-me a reconhecer a notável dimensão e qualidade da obra literária, a forma como projectou a língua fora de portas e desbravou novos caminhos literários.
Mas mais do que isso, talvez por eu próprio ser um sentimentalão, admirei a forma como amou Pilar e a maneira absolutamente sublime como encarou a sua partida.
E isso acho que o reconciliou com muitos críticos antes de partir. A mim deixou-me comovido.
Gostei de ler, Pedro.
Acho que não preciso de acrescentar mais nada.
Acho muito interessante o ângulo que aqui nos deixas, Sérgio. No meu caso, conheci primeiro o homem e só depois a obra. Isso levou-me a avaliá-lo, desde o início, por um prisma diferente. Foi também esse o objectivo do testemunho que trouxe aqui.
Nunca fui fanática de Saramago. Acho que há escritores portugueses que teriam merecido bem mais o Nobel do que ele, mas zangar-me com isso era admitir que o Nobel é o Supremo Tribunal da Literatura.
Quanto ao que ele fez pelo DN nos anos quentes – e eu sei, eu sei, que entro em terreno da casa – é matéria para mim tão fundamental na biografia dele quanto tudo o resto, Nobel incluído.
O António Waldemar que o diga… porque eu era teenager,na altura, mas já lia atentamente o jornal lá de casa e lembro-me bem do que lhe aconteceu e do que lhe fizeram.
Quanto ao post, muito bem, evidentemente.
Obrigado, Chloé. Sobre o DN e outros episódios, falei noutras circunstâncias. Desta vez apeteceu-me escrever sobre Saramago de outra forma. Ainda bem que gostou.
Saramago foi um stalinista fanático e paranóico, NUNCA fez a mínima crítica à selvajaria soviética, NUNCA homenageou os muitos milhões de vítimas do comunismo; pelo contrário, defendeu estes assassinos bárbaros. Foi um perseguidor político no DN em 1975, imitou o KGB! Ver pessoas a homenagear semelhante criatura é constatar como a monstruosidade intelectual tem seguidores, é constatar como a civilização humanista é insultada, é ver os dinossauros no séc XXI
Você é de ideias fixas. Não tinha já aparecido antes nesta caixa de comentários? Julga ter deixado alguma coisa relevante por dizer? Por mim, creio que não.
Os admiradores de Saramago salientam que uma das suas melhores qualidades era ser polémico sobre o status quo estou a verificar que vocês quando alguém cria polémica por não se identificar com o ido não a admitem enganar-me-ei ou tenho a impressão que já houveram comentarios apagados?
Não «houveram» comentários apagados. Ou antes: não houve comentários apagados. Como se percebe, aliás. Quer caixa de comentários mais plural que esta?
Os únicos comentários apagados (dois ou três) que ‘houveram’, Malveiro, estavam total e estupidamente escritos em maiúsculas e apenas representavam uma provocação idiota e sem conteúdo. Os que ainda tinham algum conteúdo, mesmo em maiúsculas, permanecem editados. Está esclarecido?
Apesar de ter andado um bocado triste com a ideia que
Saramago defendia, das ligações a Espanha, em termos
territoriais, sempre apreciei para além do talento literário, a verticalidade de carácter e a contínua procura do outro.
Saramago sempre foi para mim o ateu mais religioso, que conheci.Felizmente conheço mais.Percebo-lhes as
dúvidas e as decepções.
Neste momento apenas desejo paz à sua alma e como
infelizmente os meus pais também já faleceram,espero que estejam algures a discutir literatura.É uma ideia que me agrada,para para alguns possa parecer tola!
É uma ideia bonita, sem dúvida.
Saramago foi um operário das letras. A sua obra significa para a Literatura o que o Capital de Marx significa para a Ciência Económica, difícil, mas fundamental.
Hum… Isso pretendia ser um elogio?
Gostei de ler!Eu li a maior parte da obra de Saramago antes da atribuição do Nobel e gosto dele. Quando ele veio à Figueira da Foz, depois do Nobel, estive na conferência e sessão de autógrafos. Levei Manual de pintura e caligrafia para ele autografar e ele estranhou que eu não tivesse escolhido um título mais consagrado. Conversámos brevemente, tanto quanto o permite uma sessão desse teor, mas ele sorriu, e eu ainda hoje me lembro desses momentos. Tenho os poemas e o livro infantil e meia dúzia dos seus livros.Não conheço a obra a fundo. Mas entristece-me ler comentários horríveis pela internet fora, de pessoas que talvez nem nunca tenham lido nada do que escreveu. Coisas do género:”Nunca li nem quero ler, comuna e ateu, vá para o inferno que é lá o lugar dele”. É medíocre e lamentável. Gostei de ler o seu texto porque é sereno e pensado.Saramago pode não ser consensual mas de certeza nunca disse/escreveu nada em que não tivesse pensado. Ao contrário de muita gente, hoje, que a coberto da liberdade diz coisas impensadas e impensáveis.
Saramago nunca pretendeu ser consensual. Nem no momento da morte o foi, o que certamente lhe agradaria. As proclamações de ódio que andam por aí à solta dirigem-se às ideias políticas dele, muito mais do que à obra. Até porque a esmagadora maioria das pessoas que o criticam nunca leram nada dele.
Obrigado pelo texto.
Nunca me aventurei pela leitura de Saramago. Mas existe um sentimento na qual me enquadro.
“ser reconhecido 1º lá fora para depois ser reconhecido cá dentro”
Carlos
Infelizmente, continuamos fiéis a essa (má) tradição. Obrigado pelas suas palavras.
Já eu gostei muito pouco das Intermitências da Morte, que achei fraquinho, e gostei muito da Caverna e de toda aquela referência à alegoria da caverna, de Platão.
A Jangada de Pedra não é, também para mim, dos melhores livros de Saramago mas o Memorial do Convento sim, definitivamente um grande livro.
E, assim de repente, destaco também o Ensaio sobre a Cegueira, o Ensaio sobre a Lucidez e, mais recentemente, a Viagem do Elefante, que gostei muito.
Enfim, Saramago conta-nos histórias inverosímeis, que nos transportam quase para outro mundo. É disso que mais gosto e que mais sentirei falta.
É assim. Uns gostamos mais de uns livros, outros de outros. O importante é que a obra de Saramago – e de outros grandes escritores portugueses – seja conhecida.
Pedro Correia (desculpe a falta de títulos académicos, porque não os sei): Obrigado por ter escrito o texto principal. Obrigado pela existência do vosso “blog”.
Ando no sexagésimo ano de vida, sou professor de Português e de Literaturas Portuguesa e de Expressão Portuguesa há 37 anos; conheço obras de todos os Nobel da Literatura e sei reconhecer em cada um deles por que motivo foram laureados.
Conheço obras de escritores consagrados de todos os países e conheço todos os romances de Saramago, além de algum teatro, da sua poesia e dos seus textos de opinião.
Sei de grandes escritores, mas nenhum ultrapassou até hoje o José Saramago, desde a mais remota Antiguidade. E também não conheço, além de Eça de Queiroz, outro escritor que conhecesse e amasse Portugal tanto como o nossso Saramago.
E preparo agora, para L’ Osservatore Romano, um texto em que tentarei provar que Saramago respeita, principalmente nas obras que mais polémica suscitaram (lembro-me com pesar das posições do sectário e ignorante Sousa Lara), mais as ideias dos outros, inclusive as religiosas, do que a própria igreja de Roma.
Um abraço.
Caro Jorge Henrique, colega de profissão e de disciplinas há 22 anos, não posso deixar de partilhar a sua opinião e louvar-lhe a lucidez e o bom senso que tão ausentes andam deste país que tanto tem de genialidade como de ignorância. Gostaria muito de ter acesso ao texto que está preparar, desculpando-me pela ousadia.
Um abraço
Logo que o tenha pronto, terei muito gosto em lho enviar e pedir a sua opinião.
jorgemonizribeiro@sapo.pt
Contacte-me, para eu saber o seu endereço de correio electrónico.
Outro abraço.
Obrigado pelas suas generosas palavras. Mas, se me permite, não se esqueça de incluir o Camões e o Pessoa nesse lote. Pelo menos esses.
Não me esqueço desses dois, mas queria referir- – me a romancistas apenas
SARAMAGO
=SER AMARGO=SER MAGO=SER AMADO=SER O ÂMAGO.
SARAMAGO foi certamente um pouco de tudo quanto acima menciono. Amargo, talvez pois a vida não lhe foi fácil. Mago, sim de certa forma ao nível das letras foi mágico, pois conseguiu dar-lhe uma certa nobreza e um misto de magia. Amado, com certeza, por alguns. É claro que houve quem não gotasse de SARAMOGO nem sequer da sua literatura; porém ele foi muito amado por todos aqueles que com ele viveram e vivenciaram e que sempre lhe desejaram o melhor do mundo, por exemplo a sua família e a sua mulher.Quanto ao âmago, posso dizer claramente que ele foi de facto o centro a nível nacional e também internacional ou tivesse sido ele Prémio Nobel da Literatura. Ele foi realmente o centro da essência da nossa literatura mais actual.
Acho triste e lastimoso que certas pessoas, tanto mal tenham dito a seu respeito e, que agora que se finou, finjam gostar dele. Somos um povo egoísta, hipócrita e cínico. Ele sempre foi um Homem recto, de carácter que se assumiu e teve sempre a coragem de ser ele próprio e dizer bem alto o que lhe ia na alma e na mente. Estamos muito mais pobres, nós, os portugueses com a sua perda.
Eduardo Teixeira – Bragança – Trás-os-Montes
O homem parte, a obra fica.
Tenho o chatérrimo defeito de leitura de deixar os livros a meio para começar outros.
Mas “O ano da Morte de Ricardo dos Reis”, foi um dos que escaparam a esse destino. Aquela leitura agarra-nos até ao fim. E essa deriva nunca mais aconteceu com nenhum livro de Saramago. É uma maravilha, a Sua forma de escrever em Portugês.
Foi a leitura desse magnífico livro que me pôs a ler Fernando pessoa.
Acabei agora de saber, que foi “O Ano da Morte de Ricardo dos Reis” que trouxe Pilar a Lisboa… assim cmo se fosse UM PRÉMIO… para a vida de José saramago… A vida, por vezes, É BONITA…
Muitas vezes a vida ultrapassa a ficção. Na vida de Saramago várias vezes isso lhe aconteceu. A vida dele dava um livro. Ou vários livros.
Gostei de ler o seu post. Acontece que por ocasião do falecimento de José Saramago me encontrava a acabar o livro A Caverna, do escritor. Deixo só aqui uma nota. Apesar de divergir das ideias políticas de José Saramago, penso que o livro é uma obra de imenso alcance pois, de facto, ataca o capitalismo, mas fá-lo de um modo subtil e sempre virado para a análise da natureza e condição humanas. Se o comunismo que vemos hoje é uma “cassete”, toda a abstracção que é feita neste livro é admirável e explica-nos subliminarmente os fundamentos de uma ideologia que funcionaria num mundo idílico, mas não no mundo real e actual. Pela ficção, Saramago vai infinitamente mais fundo que os discursos do seu partido, e nem que seja por isso, a obra merece o reconhecimento de todos nós. Cumprimentos e parabéns pelo texto
Obrigado. Os livros são assim: gostamos mais de uns do que de outros. No caso de Saramago aconteceu-me várias vezes: gostei muitos de uns, gostei muito pouco de uns tantos.
Lendo alguns comentários, lamento que haja quem seja tão mesquinho, inculto e “raivoso” (cuidado que não há vacina para este tipo de raiva fundamentalista).
Quanto ao chamarem traidor e apátrida a este vulto intelectual e único NOBEL da literatura portuguesa, vou apenas refrescar a memória desses pobres ignorantes, ao relembrar que Saramago emigrou para Espanha, depois dum tal ser menor de nome “Sousa Lara” (então Secretário de Estado da “cultura ?” de Cavaco Silva), ter PROIBIDO que qualquer obra literária de Saramago pudesse ser submetida ao Prémio Nobel da literatura.
Perante isto, quem o pode criticar por ter emigrado para Espanha, tal como o haviam já feito centenas de milhar de portugueses, por também eles não terem condições de sobreviver em Portugal com um mínimo de dignidade e esperança de futuro ?.
Para mim, a ausência de Cavaco foi uma atitude revanchista em defesa desse tal “ser” Sousa Lara, e assim decidiu não comparecer ao funeral deste nosso escritor que elevou o nome de Portugal a todo o Mundo. E mais não digo …
A ausência do Presidente da República foi justamente criticada pela Leonor Barros, aqui no DELITO. Foi uma ausência que em nada o dignificou.
Saramago Saramago mas que homem e este è um homem que não faz falta nenhuma
Tinha mesmo que ser “anónimo”, por ser cobarde!
E dá erros de ortografia… é porque não lê, e nunca deve ter lido um romance de José Saramago.
Talvez não tenha culpa de ser ignorante, nem de “emprenhar pelos ouvidos”, mas ainda vai a tempo de deixar de ser “parvo” e cobarde: basta querer.
Tenho verificado que quase todos os que aqui chegam para bolçar ódio contra Saramago são anónimos. Isto diz-nos muito sobre as pessoas em causa (também pode dar-se o caso de ser uma só pessoa).
do chão se levanta a palavra; numa elegia ao corpo que à terra desce (pela memória de José Saramago)
imune à passagem do tempo,
não ficará sequer o nome que te chamam.
inevitavelmente, sobrevirá , implacável, o esquecimento;
àqueles, que comovidos, invocando-o, te aclamam.
aquele intermitente esquecimento de quem tem de viver o dia a dia,
sem o permanente pensar
nos que soçobraram perante a inevitável regra da natureza.
relembrar-te-ão, talvez, ao ler uma prosa tua ; uma poesia;…
mas ao mais das horas
tributar-lhes-ão os mesmos anseios; tão cheios de incerteza.
mas que isso te serviu de consolo; sei-o eu.
ao antever o fim do teu caminho, reconfortou-te essa ideia de perenidade:
por muito que seja o que a vaidade nos prometeu,
reconforta no fim,
saber-nos um alicerce entre tantos que vão fundeando a ideia da ideal cidade.
fica feito o percurso que fizeste .
e se mais não foi possível, podes sempre alegar a falta de oportunidade.
mas para que conste e o saibam, quiseste,
oooh se quiseste, chegar ao exacto ponto onde começa a eternidade.
somos assim, nós, os ateus:
intrinsecamente religiosos.
sabemos não ser definitivo o adeus,
quando ao pó retornarem os nossos ossos.
impelido pelo desassossego que te consumia,
tentaste aprisionar nas palavras o caos que sabias reinar.
levantaste-te do chão em cada novo nascer do dia,
e para divinizares a humanidade, à noite, era sobre o lodo original que te ias deitar.
a mortalha da genial metáfora resgatar-te-á,
aos olhares dos que tentarem vislumbrar-te na podridão.
e o dogma cairá,
se por ela se guiar o Homem que, cego, tacteia a escuridão.
essencial substância do aleatório arquitecto do universo,
fizeste mais que a tua parte.
na tentativa de dar forma a uma alma pela prosa e pelo verso,
deste ao nosso embrutecimento as ambíguas subtilezas de uma refinada arte.
leal maria
Muito bem.
Saramago, a expressão maior da condição humana. O grande escritor, o crítico, o filósofo, que soube sempre expressar, as suas ideias e pensamentos, sobre o mundo e as pessoas, com sagacidade e determinação. Sobressai dos seus escritos uma notória e sincera preocupação com as pessoas sem nome, sedentas de dignidade e justiça. Foi lúcido e polémico, partiu loiça em casa alheia e produziu a mais fina, com as suas próprias mãos, como o melhor dos operários. Saramago é muito maior que as barricadas que lhe possam contrapor. Foi um homem desarmado, como a afirmação do livre pensamento o deve ser. Tem o meu maior respeito e admiração. Orgulho-me de ter sido contemporâneo de um grande português, que nunca renegou a sua origem, e que, pelo contrário, portador da vivência e cultura portuguesa, escreveu uma obra, que qualquer país gostaria de merecer. Nunca te esqueceremos Saramago, fazes parte de nós mesmos. Até sempre.
Foi um homem polémico até ao fim. No país do respeitinho e do consensinho, ao estilo português suave.
A ilha de Lanzarote teve a grande sorte de ter O Saramago a morar na sua terra.
Teremos saudade de tão grande homem e criador de histórias inesquecíveis.
É verdade. A ilha beneficiou muito com Saramago. E fez por isso: recebeu de braços abertos o escritor.
Confesso que li até hoje muito pouco de Saramago. O único Nobel da Literatura portuguesa, que começou a escrever bastante tarde, produziu apesar disso, muito e com muita qualidade.
Sugiro-lhe que comece pelo Ensaio sobre a Cegueira. Aposto que gosta.
Gostei de ler estes comentários;com uns concordo, outros não.
Nunca li livros dele mas acredito ser um grande escritor.
Sei que era um homem frontal e como tal cria antidotos.
Sei que usou alguns termos e atitudes que não foram as melhores; a mim fez-mne pensar e acreditar que a verdade também não está toda do meu lado temos de aceitar os outros sabendo contestá~los com verdade
e não só porque se gosta ou não.
Cumprimentos a todos aos com quem concordei e aos qcom quem não concordei.
Acho que fez uma boa síntese. Vá aparecendo por cá.
Muito bem concluído, M.Fortuna. Dê-nos o gosto de continuar a vir aqui, que gostamos desse seu modo aberto de ver pelo menos duas faces em cada moeda.
Obrigada Pedro por me proporcionar este Post sobre Saramago.
A minha admiração para com ele é de um grande escritor, poeta e Homem do Povo.
E foi esse Povo, sem medo como ele, que hoje lhe disse que a luta pela Liberdade e Democracia iria continuar.
Entre este povo anónimo, alguém disse ” Saramago não morreu porque gente como ele não morre nunca.”
Por isso eu também digo
ATÉ SEMPRE SARAMAGO
Agardeço-lhe a simpatia, Leonor.
Ok… provavelmente as minhas palavras não serão as que a maioria dos comentaristas gostarão de ler. Nunca gostei de Saramago, pois considero que era um homem que sofria muito de “AZIA”. Teve oportunidades de se tratar. Não o fez. De qualquer maneira, paz à sua alma.
Nunca gostou de Saramago? Está no seu pleníssimo direito, que ninguém lhe nega. Era o que faltava.
Os meus agradecimentos pela foto
Pareceu-me que uma foto sorridente ficava melhor. E enquadra-se certamente melhor no espírito do texto, nada propício a carpideirices.
Olá…
Não vou por aí, como diria outrem , pelo insulto descabido e com laivos de rancor, até porque as atitudes ficam com quem as tem. Nem sequer pelo facto de partilhar da mesma cor e da mesma revolta contra as injustiças que se fazem neste país. Vou simplesmente pelas palavras que nos legou, pelas grandes obras que nos ofereceu, por nos ter deixado partilhar do seu saber…
Porque isso é que é fundamental e importa acima de tudo manter vivo. Nem que seja nos livros que guardo religiosamente, dele e de todos os outros, que quando o sentimento sai da ponta da pena, não interessa que cor traz. Porque eu sou daqueles que acha que Levantado do Chão havia de ser livro dado nas escolas e que Salazar também deveria fazer parte do que ensinamos aos nossos filhos…
Saramago nunca foi hipócrita, defendeu sempre as suas ideias e as sua convicções, até por mais descabidas que fossem para nós. Porque, como é óbvio, também não concordei com algumas coisas que disse. Mas aceitei-as, pelo facto de ele ser um homem coerente. à semelhança de Cunhal, como alguém disse aí num comentário…
Excelente texto, companheiro, pleno de honestidade, que é assim que as palavras devem ser. Porque quando o sentimento brota da pena, não interessa que cor traz…
Um abraço vadio, a gente vê-se por aí…
Por mim, acharia excelente que ‘Levantado do Chão’ fosse leccionado nas escolas.
Agradeço o seu depoimento, que se percebe bem ser sentido.
Um abraço.
Não há nenhum literato que não saiba o que vende e o que não vende. Já no tempo de Heitor Pinto (1528-1584) vendiam bem «os livros profanos de amores obscenos e histórias fingidas, cheios de mentiras e delícias e desonestidades». Descubram quando o Saramago começou a vender bem. Não foi, decerto, quando publicou a Viagem a Portugal, nem Levantados do Chão, curiosamente foi quando começou a trabalhar referências históricas, sem preocupação com a verdade histórica e a temperar as suas histórias com as delícias de que fala o Heitor Pinto.
Não é bem assim. Se não me falha a memória, ‘Viagem a Portugal’ vendeu muito bem.
a casa ruiu. as janelas continuam com as tabuinhas todas cambadas e desconchavadas.
???
um presidente da republica não homenageia o homem ( k nem o conhecia e até podia detestar) mas, neste caso, 0 escritor , k por acaso, até ganhou o prémio nobel. um presidente da republica não tem , nem deve, tomar posição pessoal mas de Estado.
Por acaso, Saramago não usava k quando queria usar a letra q.
Parece que foi escrito para estes 20 anos do Nobel. Uma chamada de atenção?
Sim, meu caro. Já tinha pensado reeditá-lo. Julgo que vale a pena.