Santo padroeiro da ignorância


Pedro Correia,

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É chocante a falta de memória nas redacções dos órgãos de informação. Que, assim amnésicos, não informam: só desinformam.

Ainda esta noite aconteceu. Morreu o actor Amadeu Caronho, que se tornou muito conhecido em várias produções televisivas, sobretudo na SIC, e de imediato a notícia do seu falecimento foi ilustrada com a fotografia de outro actor, Carlos Santos, que morreu em 2016.

Um jornal cometeu um erro, os outros foram atrás. Sem confirmarem, sem verificarem, sem ninguém se lembrar de perguntar a quem sabia. Percebe-se como é que aconteceu: invocaram São Google, que tantas vezes funciona como o padroeiro da ignorância, e este transmitiu-lhes a imagem errada. Ninguém ousou pôr isso em causa: a santidade não se questiona.

Deu asneira colectiva, claro. Inclusive na página digital da televisão em que o actor agora falecido mais colaborou, o que é talvez o aspecto mais lamentável.

Horas depois, há poucos minutos, várias edições em linha – no Observador e no Sol, por exemplo – continuavam a difundir a asneira.

Com uma chocante falta de respeito pelos mortos e seus familiares. E uma falta de respeito não menos chocante pelos leitores.

0 comentários em “Santo padroeiro da ignorância”

  1. Mas esperava que autómatos que não sabem o que é uma notícia mas sabem o que é “circo”, pensassem?

    Todos os dias morrem pessoas de morte natural. A morte natural de uma pessoa não é notícia pois é algo normal.

  2. Tecnologias à parte, onde a avaliação é óbvia e imediata (as coisas funcionam ou não funcionam), pensar, investigar, analisar, refletir é uma grande seca e os muito poucos que tentam fazê-lo são uns grandes chatos.
    A asneira torna-se inevitável.
    E as referidas tecnologias , essas sim inteligentes e que não têm culpa nenhuma, potenciam infinitamente a massificação da referida asneira.
    O pior de dois mundos!
    A tempestade perfeita!
    João de Brito

  3. É este o estado da arte. Costuma dizer-se que “a ignorância é muito atrevida”. Agora revela-se uma outra faceta da dita: é também arrogante. Na comunicação social isso é por demais evidente. Descarta-se das redacções quem sabe em nome da pseudo autosuficiência que a tecnologia promete. Meia dúzia de miúdos e o Google asseguram uma maior margem de lucro para os mentores desta desgraça colectiva.

  4. E é esta mesma comunicação social que apela à intervenção do estado para entrar com dinheiro dos contribuintes porque estão em decadência…pudera.

    1. “É chocante a falta de memória nas redacções dos órgãos de informação. Que, assim amnésicos, não informam: só desinformam”
      Amputem-se os órgãos.
      Quem escreveu?
      Quem assinou?
      Helena

  5. O país pacificado e sem crispação de Marcelo:
    O fiel sucessor de Sócrates utiliza a mesma tática do cadastrado professor atacando cirurgicamente diferentes classes profissionais para nos colocar contra elas, nomeadamente os enfermeiros nossos anjos da guarda quando tudo o mais falha em catadupa.
    O jornalismo de que o próprio é compincha revela em todas as vertentes um analfabetismo e curvada cerviz em tudo o que solta pela cloaca ou pelo sacho escrevinhador.
    A autoridade tributária e aduaneira sempre a mostrar-se zelosa pelos interesses do consumidor está a ser investigada pela judiciária por alegadas fraudes e artimanhas.
    Um célebre espião já terá confessou que foi cabecilha de uma rede de assaltos.
    O banco publico continua a roubar os depositantes aumentando para cerca de 3 vezes mais o montante a pagar ao balcão pelo dinheiro que de cada vez a cada um pertence.
    Vão assaltar para a estrada de coldre à cintura com a bênção do padroeiro dos enganos.

    1. Acrescento sem subtilezas que as honrarias medalhadas atribuídas a pomposos ilustres da nossa coisa, que quando retiradas se faça linear e apropriada permuta com diferente metal, pendurando pesados chumbos no pescoço de quem as atribuiu.
      .

        1. Sem esquecer ouvir-se em qualquer forum ou palestra ser dever do cidadão não guardar para si situações que possam configurar ilícitos e atropelos. Enquanto isso Rui Pinto que destapou cenas tanto menos dignas como comprometedoras parece seguir a caminho da prisão.

  6. Também dá nisto o chuto para a prateleira/rua dos profissionais e a contratação a custo zero/ordenado mínimo de jovens sem referências e, obviamente, sem sequer terem adquirido a principal das referênciasparaavidainteira: investigação. Quando não se sabe/conhece, busca-se, por vales e montanhas, litoral, gavetas, outros, etc., qual detective.

    Lembro-me bem do tempo em que as minhas filhas (e a mais velha terminou uma licenciatura com uma forte componente nesta área, cultura/informação/jornalismo) começaram a ‘navegar’, lhes ter feito a advertência – entre muitas outras – séria, de que a net tanto providencia ‘de bandeja’ o lixo como o luxo, mas que a capacidade de triar o que encontram estaria sempre nelas…

    ____________
    (and i’m feelin’ goooooooood, after all these years 🙂

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