“Reza a tradição ter sido S. António alistado em Macau como soldado em 1623, ano em que veio de Goa incorporado com mais cem soldados portugueses no primeiro presídio militar, que acompanhou o primeiro governador, D. Francisco de Mascarenhas.
S. António como soldado, aqui começou por receber o seu soldo de seis reis por mês, mas em 9 de Maio de 1780 foi-lhe suspenso o soldo, já que o Senado recebeu instruções para que cada fortaleza tivesse uma guarnição real de vinte soldados. O padre Manuel Teixeira refere: “Por coincidência começou a cidade a sofrer contínuos desastres que o povo ingénuo logo atribuiu ao desacato feito ao Santo, que fora substituído por um soldado de carne e osso.”Por tal razão, a 17 de Setembro de 1783, o governador Bernardo Aleixo de Lemos e Faria solicitou ao Senado a renovação da matrícula de Santo António. E Luís Gonzaga Gomes complementa: “a 27 de Dezembro de 1783, tendo há três anos experimentado a cidade contínuas infelicidades atribuídas ao facto de a vereação passada ter dado baixa de soldo ao glorioso St.º António, que o recebia, anualmente, como soldado, desde que houve presídio militar nesta cidade, por motivo de cada guarnição de fortaleza ter sido reduzida, em 9 de Maio de 1780, a vinte soldados efectivos, o Senado, reconhecendo a necessidade da protecção dese Santo, resolveu dar-lhe outra vez alta, com o vencimento do soldo de capitão, e com o título de Capitão da Cidade.”
Não só foi promovido a capitão, com um ordenado de cinco pardaus, mas o Senado mandou-lhe pagar os salários atrasados. O que veio a acontecer a 12 de Junho de 1784, quando o Senado pagou o soldo dos três anos e um mês que estava em falta como soldado, 93 taéis, 7 mazes e 5 codrins e como capitão recebeu no mesmo dia 49 taéis, 1 maz e 4 caixas de soldos vencidos em 7 meses e 26 dias.
Nos anos 50 do século XX, o soldo do capitão St.º António era de seis mil patacas por ano. Numa publicação de 1956 encontra-se o seguinte: “No dia 16 de Junho, à tarde, acomissão administrativa do Leal Senado fez a entrega de $ 120 000 correspondente ao soldo anual vencido pelo capitão desta cidade, Santo António de Lisboa. A importância reverte a favor do cofre do “Pão dos Pobres”.
St.º António foi em Macau soldado entre 1623 e 1783 e capitão entre 1783 e 1973, tendo assim prestado serviço militar nesta cidade durante 350 anos.”- José Simões Morais, in O Soldo de Santo António, Hoje Macau, 13/06/2014


É bom matar saudades de Macau, Sérgio. Um abraço para ti. E outro ao José Simões Morais, um dos muitos (e bons) colaboradores que tive no ‘Ponto Final’.
O meu foi bem recebido, o outro será entregue quando o encontrar. Também um abraço para ti, Pedro.
…”tendo assim prestado serviço militar nesta cidade durante 350 anos”. Façanha apenas ao alcance de um Santo…
Ajunte-se-lhe:
http://lagosmilitar.blogspot.ch/2008/05/s anto-antnio-o-militar-mais-famoso-do.htm l
e também:
http://lagosmilitar.blogspot.ch/2008/05/s anto-antnio-o-mais-famoso-militar-do.htm l
… e já nessa altura – foi dispensado por reestruturação do Exército, isto apesar de estar a servir como capitão em Macau e Lagos ao mesmo tempo.
Conclusão: apesar da prestação imaculada, nem Santo António escapou ao despedimento!
Como assinalou o DN, simbolicamente na comemoração de St. António, com despedimentos:
– parece ser o Diário das Festas – de alecrim e manjerona.