Só hoje vi o debate Pedro Santana Lopes-Rui Rio de ontem à noite. Felicito a RTP por tê-lo organizado em canal aberto, no cumprimento da indispensável missão de serviço público. Felicito o Vítor Gonçalves pela moderação serena, fiel à sua imagem de marca.
Quanto ao vencedor, nem uma hesitação: não liguem aos comentadores politicamente correctos que se apressaram a sugerir um “empate técnico”. Nada disso: ganhou Santana. Não aos pontos, mas por KO.
Rio, arrasado, foi às cordas. Vê-se bem que lhe falta muita rodagem no exercício do contraditório. Nem parece que anda há mais de trinta anos na política, desde o tempo em que foi jotinha lá nos idos de oitenta.

Apenas vi uma pequena parte do debate mas, do que vi, concordo plenamente.
Aceitando a sua avaliação de “scores”, não fiquei convencido de que qualquer dos candidatos seja o líder que o PSD precisa em termos de mobilização eleitoral e para o confronto – para mim urgente – com a tralha geringonça.
Santana Lopes é demasiado congenial às pseudo-elites da capital, do Estado e para-Estado e apensas academias, mesmo depois de elas o terem arrasado aquando da sua curta intendência governativa – como alias se pode reparar ainda de recente, perante o “convite” geringonço para Santa Casa “financiar” o Montepio.
Rio, a partida mais desempoeirado, andou a aceitar demasiada vénia de quem foi, na era pós-bancarrota socretina, se preocupou mais em associar austeridade, sacrifícios a requintes de malignidade do governo Passos Coelho do que ao estado podre, pobre e de rasca amoralidade politica que foi o legado da governação socialista em 2011.
A pergunta que me ocorreu de forma recorrente durante o debate foi o que cada um deles teria feito em 2011, caso lhe tivesse saído em sorte ser chefes de governo sob a Troika?? Nenhum deles me convenceu que teriam tido a coragem de tomar medidas necessarias, ainda que duras, como as que foram tomadas – com erros, é certo, mas com determinação no caminho a seguir- pelo governo Passos Coelho. Nenhum deles me pareceu ser capaz de dizer não a Ricardo Salgado. Nenhum deles lidaria com “brutal aumento de impostos” com transparência e coragem.
Uma certa confirmação destas “intuições” veio na parte final do debate quando o moderador introduz o tema da recondução de Joana Marques Vidal como Procuradora-Geral da República – algo que implicaria um mínimo de palavras mais institucionais e circunspectas especialmente no quadro de uma disputa interna do PSD. Em vez disso, ouviram-se argumentos que deixariam bem contentes muitos próselitos da geringonça mais uns deserdados do antigo séquito do ex-presunto engenheiro domingueiro. Recitar argumentos que se prestam facilmente a caucionar a substituição da actual PGR é, como alias assinala Rui Ramos hoje no “Observador”, um abrir a porta á Oligarquia já parcialmente restaurada pela Geringonça do Costa, para “mandar” um claro sinal aos magistrados e PJ para a não perturbação de “negócios”.
Rio agarrou-se apenas às “trapalhadas” do governo Santana. Decalcando o argumentário do PS.
Esqueceu que já não estamos em 2004. Estamos em 2018 e desde então correu muita água debaixo das pontes. Como diz o povo, depois de mim virá quem de mim bom fará.
Acresce que – como Santana deixou bem claro, sem desmentido – Rio foi então, o tempo todo, primeiro vice-presidente do PSD e era assim co-responsável pela direcção política do partido, no mais alto grau.
Se discordava, tinha saído pelo seu pé. Tinha batido com a porta. Não saiu, não bateu. Calou-se.
As críticas retroactivas que faz a Santana pecam por virem com 14 anos de atraso.
Concordo plenamente.
Excelente conclusão. Quem viu e ouviu , dificilmente terá outra leitura.
Um tiro que fez ricochete. Só não causou danos maiores por ser tiro de pólvora seca.
Não sei como viram o que dizem. O único entre os três – Santana, Rio e Costa – que não tem gravíssimos rabos de palha é Rio e isso numa corrida a 1º ministro é decisivo.
Mas nós passamos a vida a criticar o populismo mas depois gostamos tanto dele…
“Gravíssimos rabos de palha.” Parece coisa séria. Refere-se a quê?
Apesar de já haver por aí respostas ( ver observador) como é que Sampaio tinha em seu poder sondagens que, ao fim de meia dúzia de meses ( estado de graça) davam a maioria absoluta ao PS ? Era por Santana estar a governar bem ?
Como ficou bem evidente no debate, Santana contou com o apoio incondicional – e até entusiástico – do seu primeiro vice-presidente no partido à época. Um tal Rui Rio.
http://bandalargablogue.blogs.sapo.pt/o s-rabos-de-palha-de-santana-lopes-sao-21 93071
Fiquei na mesma.
Pedro, não foi isso que ouvi.
Aliás é ridícula a acusação de Santana Lopes sobre Rui Rio ter feito sabotagem ao PSD, quando o próprio Santana Lopes quis fundar um partido PSL, ao ser posto de lado pelo próprio PSD. O mesmo Santana que acusa Rio de congeminar com António Costa aceitou um cargo de nomeação política para a Santa Casa de Lisboa. Santana Lopes é um trapalhão. Ganharíamos mais ter Santana como comentador.
Mas percebo o Pedro. Santana é mais liberal. Rio mais Social Democrata ( é o que dizem embora eu não acredite que Rio seja Social )
Este debate destinava-se aos 70 mil militantes do PSD, não ao cidadão comum.
Rio esteve sempre na defensiva, sempre em posição autojustificativa.
Não o ouvi dizer uma frase incómoda para António Costa. Uma vez mais.
E ouvi-o, espantosamente, quase apelar à demissão de Joana Marques Vidal. Precisamente a PGR que mais impulsionou a investigação criminal no País nos últimos 40 anos.
O discurso dele podia ser de um candidato à liderança do PS.
Será que tanto tempo depois vamos ter Marcelo/Santana em formato de proa?
Só sei que nada sei. Como diria o melhor amigo do Santos Silva.
Oxalá não. O povo português gosta do Marcelo (e da geringonça também) mas não quer que o presidente e o governo tenham a mesma cor, pois isso dá total impunidade ao governo. Cavaco/Passos/Portas nunca mais!
Ninguém como um anónimo para emitir certidões sobre aquilo que o povo gosta ou deixa de gostar.
Não é só um anónimo. Já consultou as sondagens?
Você não é anónimo? Chama-se Sondagens? Quer ser consultado?
Santana e vitória na mesma frase.
Texto sem comentador anónimo é como jardim sem flores. Todos juntos ainda hão-de fundar o Sindicato dos Corajosos.
Como é que acreditam que um político como Santana Lopes tem alguma hipótese numa eleição nacional contra Costa ?
Eu não acredito nem deixo de acreditar. Limitei-me a fazer uma análise muito sucinta do debate de ontem. Que só vi hoje.
Disse precisamente o mesmo lá no meu espaço, ontem logo após o debate.
Tendo em conta que Santana é do nosso clube… acho que o boavisteiro Rui Rio sofreu uma goleada.
Mas o curioso é que tanto ontem como hoje já escutei coisas como:
– o RR foi muito frio ao atacar SL;
– o SL foi muito populista;
– RR foi mais assertivo;
– o SL foi muito demagógico.
Das duas uma: ou eu não vi e ouvi o mesmo debate que os diversos comentadores ou a minha noção de política deve estar desactualizada.
Bom fds.
Essas opiniões valem o que valem, meu caro. Mas se Santana e Rio estavam empatados antes deste debate, como tantas sumidades garantiam, então Santana agora está por cima. Porque saiu vencedor do frente-a-frente.
Não posso deixar de concordar. E nem me espanta: Santana, com a sua longa tarimba em debates, discussões, e provavelmente com outra preparação teórica e ideológica e facilidade de verbo dificilmente deixar-se-á suplantar por Rio. Isto apesar de achar que o ex-presidente da CMP tem mais capacidade política e de execução, e de que Santana apresentar-se a líder do partido é um absoluto nonsense.
Rio esteve péssimo em tudo, a começar na linguagem corporal: rígido, nervoso, a olhar para fora do plano com cara de “tirem-me daqui”.
Claramente, visivelmente, não estava preparado para o debate.
Deixou-se conduzir totalmente para o terreno que Santana determinou.
Foi incapaz de reagir às acusações de duplicidade moral implícitas no confronto entre o que diz agora e o disse à época na entrevista à ‘Visão’.
Ficou claramente incomodado com a alusão a Paulo Morais, seu ex-número dois no Porto durante o primeiro mandato autárquico.
Imaginei como seria num debate a sério entre Rio e António Costa. Não custa imaginar.
Segundo R Rio:
Houve manipulação descarada do Video- Debate…
O Sporting em defesa do seu ex- Presidente, diz que foi jogo: – “limpo” limpinho”.
Foi uma “paulada” do caraças
Amendes
Não vi e não vou ver.
Rui Rio é um homem do Norte de educação alemã.
Até agora todos os homens do Norte que se tentaram impor em Lisboa ( o mais célebre é o do “capachinho”) foram trucidados e um pelo menos saiu a chorar.
Os jornalistas e cronistas de jornais afectos ao Governo suspiram por Rui Rio.
Dá que pensar.
Eu não penso nada, não tenho direito a voto.
Que ganhe o melhor isto é Santana Lopes, pelo menos vai trazer tropelias à política que anda muito morna.
Calma. Não é bem assim. Sá Carneiro era um homem do Norte e impôs-se em Lisboa.
Antes dele houve outros. Sidónio Pais, por exemplo.
Obrigado.
Ao que parece ambos assassinados, eu se fosse ao Rio e pensando nisto, desistia já.
Rio não corre o menor risco. Felizmente.
Sidónio Pais impôs-se da pior maneira. E acabou da pior maneira.
Acabou assassinado por um “livre pensador”.