Sair do Euro? Jamé…


Rui Rocha,

É bem possível que o Jaa tenha razão. Mas tem-na antes de tempo. E ter razão antes de tempo é não ter razão. A solução final pode, de facto, vir a ser a saída do Euro. Mas não é indiferente o momento e a forma como isso se faz.

 

Vejamos então. Portugal tem hoje uma dívida externa bruta de mais de 250% do PIB e uma dívida externa líquida que se prepara para ultrapassar os 120%. Entretanto, com essa dívida predominantemente denominada em Euro, uma desvalorização do novo Escudo (a propósito, proponho que a nova moeda se chame Sócrates, porque a memória é curta e convém não esquecer) que seria sempre na ordem dos 30% (ou dos 40%), teria como consequência imediata que esta disparasse para valores astronómicos e absolutamente insustentáveis.

 

Por outro lado, na perspectiva das famílias e das empresas o tempo não é um factor indiferente. Os últimos indicadores demontram que o consumo privado diminuiu mais do que proporcionalmente à queda do rendimento e que a poupança aumentou de forma significativa. Isto é, os portugueses estão a fazer um esforço de ajustamento sério. A actual situação representa pois uma oportunidade de adaptação a uma realidade dura. Prolongá-la na medida do possível é comprar tempo para que as pessoas se ajustem a um novo perfil de consumo muito mais austero de uma forma, apesar de tudo, gradual. Entretanto, pode acontecer que consigam pagar as prestações do automóvel. E do frigorífico, e do LCD e das férias de sonho em Cancun. Ou que encontrem emprego lá fora. E quando o céu lhes cair definitivamente em cima da cabeça o impacto será severo, mas poderá já não ser mortal.

 

Da mesma maneira, as empresas, com todas as dificuldades, estão a dar respostas positivas no contexto extremamente exigente e competitivo da moeda única. Conscientes de que o mercado interno trará péssimas notícias nos próximos anos, é fundamental comprar-lhes tempo para acentuarem o seu perfil exportador, procurarem novos mercados, reflectirem e colocarem em prática novas estratégias que não poderão passar por vender em Portugal. Sair agora do Euro seria sair cedo de mais, impedindo empresas e particulares de aprofundarem um esforço de ajustamento que já iniciaram.

 

E se o tempo em que se faz a saída é importante, o modo não é menos. Portugal não pode voltar ao Escudo com o nível actual de dívida. O endividamento nacional tem de ser diminuído. Para isso, para além do esforço de particulares e empresas, era necessário o contributo do Estado. Através de um programa sério de racionalização da sua estrutura e da sua actividade. É por isso que nos últimos tempos me tenho manifestado de forma dura e impaciente com o governo de Passos Coelho. Porque o governo não está a fazer a sua parte. O problema fundamental das contas públicas relativas ao 1º semestre de 2012 não é a diminuição da receita e a parte da despesa que diz respeito a juros, pois isso era razoavelmente previsível. A questão está no facto, por exemplo, de os consumos intermédios continuarem a aumentar. Entretanto, era fundamental que o Governo fizesse a sua parte antes da saída do Euro e não depois. Porquê? Pois porque o esforço de redução da dívida, por si só, dará escasso resultado. Mas trará uma credibilidade que permitirá negociar um haircut de dimensão bem razoável que tornará viável uma saída controlada do Euro.

 

Por isso, a melhor posição é a de comprar tempo. Permitindo ao sector público e ao sector privado que se ajustem de forma decidida, mas faseada, exigindo naturalmente que todos façam a sua parte de forma séria e empenhada. Devemos dizer, portanto, tal como Mário Lino fez em relação ao aeroporto, que sair do Euro, jamé, sabendo de antemão que essa é uma possibilidade séria e que todo o nosso esforço deve ser orientado para que, se não houver alternativa, não aconteça de forma desordenada.  É claro que tempo é dinheiro e que o dinheiro paga juros. E que os juros aumentam a dívida. Mas, relativamente a esse ponto, creio que já vos referi a necessidade de um belo corte de cabelo… No fundo, e concluindo, o caminho que ainda nos pode levar a permanecer no Euro é, em boa medida, também aquele que melhor nos prepara para sair dele.

44 comentários em “Sair do Euro? Jamé…”

  1. Se Portugal saísse do Euro mantendo o actual serviço da dívida, teria de imprimir dinheiro numa tal escala que geraria hiperinflação. Tão só. Porque é que acham que nem a Grécia quer sair do Euro? Por isso o ajustamento é necessário, qualquer que seja o cenário a montante. Este argumento chega para desarmar toda a argumentação da esquerda. Porque é que os governantes não falam simples e claro?

    1. Exactamente, Lionheart. Há ainda um aspecto importante que não referi no texto e que está também ligado “à compra do tempo”. A acontecer a saída do Euro, é fundamental que aconteça com um partido de esquerda no poder. É por isso preciso dar tempo ao tempo.

      1. “A acontecer a saída do Euro, é fundamental que aconteça com um partido de esquerda no poder”

        Como assim? Pode explicar a ideia?
        Obrigado

        1. Miguel, a esquerda tem uma penetração e uma capacidade de mobilização junto dos movimentos sociais que a direita não tem. Se uma medida como a TSU (que pessoalmente não defendo, esclareça-se) levantou a movimentação que se viu, imagine-se o que seria uma saída do Euro com um partido de direita no poder…

  2. Tudo muito bem. Mas isso de ter razão antes de tempo é não ter razão..não sei, Churchill teve razão muitas vezes antes de tempo e bem sózinho, estão aí os discursos, o da cortina de ferro, por exemplo.

  3. Não me parece de todo possível uma saída do Euro de forma ordenada, mas antes o mais radical salve-se-quem puder e um campeonato nacional de chico-espertice.

    1. É muito difícil sair do Euro contra a vontade dos credores por causa das retaliações a que estaríamos sujeitos. Desde logo a expulsão da UE.

      Se se chegar à conclusão que um Estado membro não consegue fazer o ajustamento e que é melhor reestruturar a dívida para que esse Estado possa sair da UEM sem colapsar, nunca seria só um a sair, porque então ninguém quereria continuar com a austeridade. Por isso se (ou quando) sair alguém, já não será só a Grécia. Isto, claro, se os credores aceitarem reestruturar as dívidas. Se não aceitarem, a conflitualidade será muito maior.

  4. Rui Rocha,

    Se bem entendi, e não tresli, enquanto o JAA defende uma saída do Euro à queima-roupa, o Rui é adepto da saída assistida. Tenho duas questões: 1) Como calculou uma desvalorização do novo escudo em 20-30%?; 2) Em qualquer um dos casos (saída agora, ou comprando tempo), sopesou bem as consequências que tal ocorrência teria em Portugal, na Europa, no Mundo…? Com todo o respeito, creio que não. Obrigado.

    1. Paulo, a desvalorização que referi foi de 30 a 40%. Baseio-me no estudo do Nomura aqui referido que aponta para 47%, mas pareceu-me bem colocar uma nota de optimismo:

      http://www.zerohedge.com/news/nomura-presents-fair-value-european-currencies-euro-breakup-scenario

      Sim, bem sei que a hipótese em causa é colocada para uma quebra da Zona Euro no seu conjunto. O Paulo tem ideia de que a magnitude devesse ser diferente?

      Quanto às consequências, não tenho nenhuma dúvida. Posso não ter sido claro por o texto ter sido escrito em contraponto à posição do Jaa.

      1. Sim, tenho a ideia de que se – por absurdo! – só Portugal e a Grécia saíssem da ZE, a magnitude da desvalorização funcionaria como um terramoto em sucessivas e intermináveis réplicas (qualquer coisa parecida com a cotação das acções do BCP que há uns anos valiam 4€ e agora 0,05€… 98,75% de desvalorização).

        Quanto às consequências, iam muito além do fim da ZE: seria o fim da UE e, muito provavelmente, o fim da paz na Europa. Ah, estou a ser conservador… 🙂

        1. O problema é esse. É que não estamos a falar de desvalorizar moeda própria, como já fizemos, ou fez a Argentina. A saida do Euro é um cenário de consequências absolutamente imprevisíveis…

  5. Mais importante que aspectos, digamos, formais de uma saída ordenada do Euro, importa ver o mais relevante. O que significaria para a UE uma saída, ordenada ou não, de alguns membros do espaço monetário comum. Porque se é consensual que a criação de uma união monetária foi um passo bem maior que a perna da Europa, também podemos chegar à conclusão que uma saída desse mesmo espaço monetário comum poderá também significar o fim da UE, pelo menos como a conhecemos nos dias de hoje. E um desmembramento da UE é a todos os níveis muito, muito perigoso.

  6. A saída do Euro é entregar o poder da Moeda aos nossos políticos.
    Os políticos que com tanta competência têm gerido o país e o levaram à bancarrota recebem como recompensa ficarem ainda com mais poder!
    Teremos o PSD,CDS,PS, PCP , BLOCO a gerirem a moeda e a dizerem inevitávelmente: imprima-se!

    E as empresas, empregados de empresas com sucesso a não saberem como poderão investir sequer.

    1. Mas ficariam sem poder nenhum, porque nada vezes nada, é nada. Uma moeda que não valeria nada iria traduzir-se numa política monetária meramente formal, sem qualquer credibilidade interna e externa. Além de que a população seria sujeita a uma quebra do nível de vida ao nível do da Argentina ou da Indonésia no final dos anos 90, por causa da hiperinflação. Falências em série. Investimento nem vê-lo. Desandava tudo daqui para fora.

      Não percebo como é que o Ferreira do Amaral defende a monetarização da dívida sem que esta seja drasticamente reduzida antes. De outra forma seria uma tragédia.

      1. Que eu saiba, Victor Constâncio já fez o favor de nos livrar de grande parte do ouro que Portugal teve tanto trabalho para poupar. Portanto, já nem reservas para suportar a moeda teríamos. Era mesmo só papel.

          1. Haverá sempre muito poder quando os políticos podem definir os vencedores dentro do próprio país e imprimir moeda é fazê-lo.
            Com impressão de moeda verá como todos tentarão ser funcionários publicos ou trabalhar nas camaras porque nessa altura a única segurança é trabalhar para quem imprime.

            O que isto irá fazer à já pouca iniciativa , empreendedorismo é fácil de prever. Será ainda mais a cobra a comer a própria cauda.

            Deixo~lhes dois textos que concordo na generalidade do caminho igual a nós que o UK e os USA estão fazendo:
            http://www.telegraph.co.uk/finance/financialcrisis/9581682/PIMCO-America-could-resemble-Greece-before-2020.html

            http://blogs.telegraph.co.uk/finance/thomaspascoe/100020478/britain-is-following-argentina-on-the-road-to-ruin/

          2. O problema de tudo isto é que quem teve alguma contenção e fez alguma poupança (não é propriamente o meu caso) acaba por ficar sem nada…

          3. Os EUA e o RU estão politicamente bloqueados. O Obama é um espertalhão sem currículo, com um mandato medíocre e que contando com o apoio da imprensa e com uma máquina de propaganda controlada por essa rapaziada das redes sociais (até porque foi isso que o lançou, o que já era o suficiente para ficar de pé atrás com o personagem) que anda atrás do Romney, sempre à cata de algo que possa ser usado contra ele. Assim essa tralha consegue ocupar o espaço mediático com as “gafes” de Romney, para que o fracasso da presidência Obama não seja o assunto da campanha. Puro lixo.

            A coligação “Lib-Con” não tem consistência ideológica e programática e assim o RU está estagnado política e económicamente. Nem conseguem fazer crescer a economia, nem fazer decrescer a dívida. Alguns conservadores querem ir mais longe que Cameron e para isso acham que é preciso uma ruptura, para a qual não querem os Liberais no governo. Mesmo a imprensa britânica de direita já perdeu o respeito pelo Primeiro-Ministro (aquelas referências ao “chillax” do Cameron 😉 ) e pelo Osborne. E vão surgindo umas pequenas notícias que vão cimentando o desconforto, como por exemplo, no final do ano o défice da Grécia será inferior ao do RU, ou que afinal o desemprego é maior do que o que indicam as estatísticas, porque muitos desempregados deixaram de responder aos inquéritos. Se a economia não melhorar próximo ano, o partido Conservador põe o Cameron a andar.

    1. Agora a sério:
      O meu problema é já não estar certo de que, com o tempo, estaremos mais preparados. Sim, há factores que evoluem no sentido positivo mas poderão desvanecer-se: o aumento de impostos terá provavelmente um efeito na poupança, as medidas de austeridade em Espanha e em França terão provavelmente um efeito nas exportações, etc. E se os bancos alemães aproveitaram os últimos anos para se desfazerem de dívida perigosa, os bancos portugueses continuam cheios dela. Ou seja: não sei se, dentro de um ou dois anos, os efeitos negativos que mencionas (a desvalorização, o default, a inflação, a falência dos bancos ou a necessidade de o Estado lá meter balúrdios de dinheiro) não terão um impacto ainda maior – basta que o desemprego tenha continuado a subir e que a folga das famílias que ainda possuem alguma tenha desaparecido. Uma política firme e inteligente (i.e., inevitavelmente dura mas compreensível) poderia ajudar a que isso não acontecesse mas o governo perdeu muita força nas últimas semanas e já não governa de acordo com as suas próprias ideias. Aliás, qualquer medida, do lado da despesa ou da receita, é agora alvo de ataques ferozes. Não estou a ver saída para isto e acho que a perspectiva de um par de anos de tensão constante e inglória é mais assustadora do que cortar o mal pela raiz e assumir as perdas. Mas claro que, de momento, isso não acontecerá: ninguém tem coragem para dar o passo.

      1. Sim, no limite só acontecerá quando e se alguém decidir por nós. A mim, entretanto, dava-me jeito mais algum tempo para pagar um crédito que constituí. E, eventualmente, para me pôr a andar…

    1. Um cenário possível, Baudolino. E sim, ter algumas provisões em casa e alguma liquidez disponível nunca fez mal a ninguém… muito menos aos amigos do alheio.

  7. Onde se baseia para dizer que a saída do Euro implica uma desvalorização de 30% ou mesmo 40%. Conhece algum estudo? Algum País que tenha passado por isso? Ou disse esse número como poderia ter dito 50% ou 90%?

    1. Baseei-me, como disse acima, no estudo do Nomura sobre a quebra do Euro. Mas, se quer uma opinião sincera, num cenário de abandono de Euro por um país isolado (ou dois ou três) não será difícil encontrar estudos fundamentados no sentido de defender qualquer das percentagens que refere. A situação seria absolutamente imprevisível.

      1. Só mais tarde reparei que refere a base do seu comentário. É um estudo para aplicações financeiras que só tem como fundamento ganhar dinheiro, onde é possível proteger as perdas com outras aplicações. Não é um estudo com outra finalidade, a finalidade é ganhar dinheiro.
        Bem, a quebra do Euro, não é a mesma coisa que a saída de Portugal do Euro. Nem pouco mais ou menos.
        Na minha opinião, ficando ou saindo do Euro haverá sempre uma desvalorização (neste momento todos nós temos pelo menos já uns 20%) o rendimento é menor e a dívida é a mesma.
        Existem vários países que “saíram” da moeda. Temos a Argentina quando largou a paridade (nos últimos 10 anos o Pib cresceu 100% .Há outros casos, como a Ucrânia e o Kazaquistão quando saíram da zona do Rublo. A Eslováquia quando se separou da R. Checa. São tudo casos de sucesso. Aliás não conheço nenhum caso que tenha corrido mal. Terá sempre de haver desvalorização, ficando ou saindo, mas seria certamente mais fácil, mais rápido saindo. A saída é sempre negociada e reparemos que é possível estar na CE sem estar no Euro. o problema principal é que os políticos seriam os mesmo, como fracos que são sair do Euro pode ser o paraíso ou o degredo.

  8. MITOS DE VOLTAR ESCUDO

    MITO I: VOLTAR AO ESCUDO NÃO É SAIR DO EURO

    O escudo a reaparecer deve apenas substituir o euro como moeda comercial e não nos mercados financeiros onde o euro terá de continuar a ser a moeda de referência.
    Este esquema é o imediatamente anterior até à fixação do valor do escudo face ao
    Portugal aderira ao E.C.U. (European currency unit/Sistema Monetário Europeu) em 1992 e
    usou o Euro como moeda escriturária desde 1999.
    Aqui o que se propõe é uma barreira através da moeda que indique claramente o poder de aquisição da sociedade portuguesa, a sua economia, sobre o exterior. Esse é o papel fundamental de uma moeda. E quanto menos estiver ligada a produtos financeiros maior é a capacidade que os elementos de uma comunidade têm de controlar o valor da sua economia. Fica imediatamente evidente que se consumirmos produtos Portugueses se está directamente a salvaguardar a riqueza interna.
    Mantendo-se o Euro como moeda escriturária interbancária impede-se que o escudo seja manipulado facilmente pela especulação.

    MITO II: A DIVIDA DA CASA PASSA PARA ESCUDOS

    A dívida de residentes sobre sobre instituições nacionais e em contratos nacionais passa para Escudos, i.e., a moeda de curso legal, tal como passaram para Euros quando o escudo acabara.
    A dívida sobre não residentes pode ou não passar para escudos dependendo de que lei nacional que gere o contrato e clausulas deste.
    A dívida adquirida ao BCE e à CE mantém-se em Euros.
    A dívida ao FMI mantém-se em direito de saque especial.

    MITO III: NÃO HAVERÁ HIPER-INFLAÇÃO

    Desvalorização cambial não significa perda de poder de compra. O poder de compra é algo que é variável (tal como o índice de preços) e readéqua-se à variação de preços. A desvalorização cambial faz uma descriminação positiva na inflação e os produtos afetados serão os importados, favorecendo as empresas portuguesas que passam a ter maior competitividade, isso estimula emprego e aumento de salários.
    Por outro lado a injeção de liquidez, ou melhor o aumento da massa monetária com vista a financiar projectos de investimento que traduzam produção de bens transaccionáveis não implica desvalorização cambial. Na medida que essa nova emissão traduza real crescimento e aumento de transacções não dá lugar a perda global de valor da moeda.

    MITO IV: A REEXPORTAÇÃO NÃO FICA MAIS CARA

    Os preços de orçamentação para o exterior não serão afectados visto que serão sempre em moeda estrangeira de cariz internacional, euros ou dollars, se forem comprados nestas moedas mantém-se nessas moedas tabelados. A variação será no peso do trabalho que ficará mais barato.

    MITO V: O PETRÓLEO e GÁS FICAM MAIS CAROS A ELECTRICIDADE NEM POR ISSO

    Em termos energéticos Portugal nunca esteve tão próximo da autosuficiência. A electricidade é mantida cara devido às compensações dadas aos promotores de energias renováveis, as quais foram mal pensadas.
    O petróleo e gás ficarão mais caros. Contudo um pouco de diplomacia poderá resolver parte do problema. Angola é o maior fornecedor de petróleo a Portugal, grande parte dele para reexportar para os EUA e Espanha. Portugal paga toda essa exportação com vinho e produtos alimentares. Pode-se fazer um acordo comercial com Angola para aceitarem um valor fixado em contrato (já o é) em escudos, os quais os Angolanos usariam para nos pagar o que importam. Se for unicamente para a quantidade de petróleo consumida em Portugal estamos a falar de um peg ou fundo de maneio pequeninho, mais pequeno que o para o escudo cabo-verdiano.

    MITO VI: A POLITICA MONETÁRIA NÃO FICA NAS MÃOS DA POLÍTICA.

    O Banco de Portugal tem um historial de competência e estabilidade que é inveja para qualquer banco central. Compete ao BdP solidificar a politica monetária em dialogo constante com o Governo, mas é o BdP que a decide em última instância.
    Dentro dos tratados da UE não é possível a bancos centrais financiar o estado. Esse tipo de injecção de liquidez é muito perigosa. Contudo é urgente que haja emissão monetária para financiar projectos de investimento na produção de bens transácionáveis (não para serviços ou obras públicas).

    MITO VII: DESVALORIZAR O CÂMBIO EM 20% NÃO É DESVALORIZAR O SALÁRIO EM 20%

    A perda de poder de compra é muito menor do que a desvalorização cambial. O salário baixa para o exterior ma

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