Francisco Sá Carneiro desempenhou um papel histórico no actual regime: reconciliou a direita portuguesa com a democracia. Esta foi uma missão para a qual estava vocacionado, por uma espécie de sentido messiânico, e em que viria a ser bem sucedido nos dois últimos anos da sua vida, desenrolados de forma vertiginosa, numa desesperada corrida contra o tempo. O facto de ter rompido com o regime anterior ao 25 de Abril após uma fracassada tentativa de levá-lo por rumos reformistas, como viria a suceder em Espanha, conferia-lhe uma legitimidade que poucos tinham na sua área política, dados os compromissos estabelecidos com a ditadura.
O combate decisivo para a implantação da democracia no alucinado Verão quente de 1975, contra a esquerda revolucionária, fora liderado por Mário Soares, com quem Sá Carneiro sempre estabeleceu uma rivalidade que nunca viria a ser superada, apesar da cordialidade pública que exibiam. Desafiado nesta espécie de confronto íntimo com Soares, o fundador do PPD/PSD sentiu ainda mais pressa em entrar na História, o que viria a suceder. Tinha qualidades para o efeito, bem reveladas na sua singular trajectória de uma década no palco da política: visão estratégica, uma inegável capacidade de comunicação e aquele atributo tão indispensável quanto indefinível que à falta de melhor certos politólogos costumam chamar carisma.
Venceu incontáveis batalhas internas até construir um partido influente, a partir de uma sólida base autárquica disputada quase câmara a câmara ao Partido Comunista. Teve razão desde o início ao defender a autonomia regional, o afastamento da tutela militar e o fim do virtual monopólio da economia pública no Portugal pós-25 de Abril. E superou o teste da governação, após duas maiorias conquistadas nas urnas, embora ninguém saiba até que ponto poderia vir a ser vítima dos próprios impulsos se o destino não o tivesse colocado na fatal rota de Camarate, faz agora precisamente 30 anos.
Não teve razão, com alguma frequência, quando deixava a emoção sobrepor-se à implacável lógica cartesiana. Foi, nomeadamente, o que sucedeu no seu desenfreado combate contra o Presidente Ramalho Eanes que lhe consumiu as energias nos últimos meses de vida. A derrota nas presidenciais de 1980, a que já não assistiu, confirmava que tinham razão aqueles que em vão procuraram dissuadi-lo de transformar o popular Chefe do Estado em adversário principal.
Foi admirado e odiado em partes iguais, o que é sina de quem nasceu para líder.
Graças a ele, a democracia portuguesa não ficou amputada.
Ficámos todos a dever-lhe isso.
Também aqui


Nunca mais me esqueço do dia, Pedro.
E dos que lhe vieram imediatamente a seguir.
Também eu não, Pedro. Por motivos de toda a ordem. Inclusive pessoal.
A memória da locução de Raul Durão, da interrupção da novela “Dona Xepa” e música fúnebre ainda está bem presente. Morreu um grande político que não queria que um PPD de centro esquerda se transformasse no PSD de direita que hoje é. Certo é, também, que se Sá Carneiro fosse vivo Cavaco Silva não teria metade do protagonismo que tem hoje…
Sá Carneiro partiu cedo. Mas com a missão que lhe cabia já cumprida. O essencial estava feito. Reconhecer isto é a melhor homenagem que podemos prestar-lhe 30 anos depois.
e estou quase certa que desgosto teria este sr. ao ver o presidente de portugal que o “partido” elegeu….
Bem, o actual Presidente de Portugal foi o ministro das Finanças de Sá Carneiro. Pelo menos naquela altura havia sintonia entre eles.
Muito bem, compadre.
Obrigado, compadre. Senti hoje o impulso de escrever estas linhas.
Em destaque, na Homepage do SAPO.
Muito grato, Jonas. cada vez mais.
30 anos depois continua por desvendar este estranho acidente , o problema da nossa justica nao e so de agora mas sim de a muitos anos atras , se descobrem o que convem……….
‘A’ muitos anos ‘atrás’ a nossa justiça era, digamos, pouco letrada.
“30 anos depois continua por desvendar este estranho acidente” “morreu” “acidente”
“mas meus Senhores temos que chamar os nomes correctos às coisas “foi assassinado”
Pelo que sei um destes dois comentadores tem razão!
Fiz o SMO-serviço militar obrigatória com um mancebo de Camarate. Que por ser de lá, era apelidado de Camarate.
Em termos de beleza o pobre rapaz tinha sido dos últimos a escolher. Por essa razão, todos os colegas militares lhe diziam:
“Camarate, quando vires alguém mais feio que tu mata que é bicho”
Há 30 anos, ao tomar conhecimento do sucedido disse para mim:
“O Camarate não deixou escapar a oportunidade !”
Ninguém pode dizer hoje com absoluta certeza «foi acidente» ou «morreu assassinado». Algo sem dúvida lamentável, passado todo este tempo.
Certeza, certeza, só quando a Justiça deixar-se deixar…-que se esclareça DE VEZ, este crime mal investigado!
Porém, há que não esquecer José Esteves, Leo Rodrigues, etc..Sobretudo o primeiro que, ainda recentemente, ao abrigo do caricato da prescrição(..) se deliciou a confirmar que foi ele quer trouxe a bomba, mas “não foi quem a colocou”! Nem a água é tão cristalina…
Pois. A verdade é que a justiça ficou de braços cruzados. À espera do prazo de prescrição.
morreu porque nao fazia parte da moçonaria
Com 46 anos, de facto, já não fazia parte da ‘moçonoria’.
Morreu, não por isso, mas sim, porque teve a infelicidade que o DESTINO lhe reservou: Tombar ASSASSINADO, “por arrasto”, já que o crime não foi arquitectado contra ele, mas sim contra Amaro da Costa, que era quem ia servir-se do
Cessna, para se deslocar, mais cedo ao Porto, para o Comício de encerramento; Sá Carneiro, devido ao Conselho de Ministros se ter prolongado, apanhou a “boleia da morte”! Até nisto, os assassinos têm sorte: MATARAM, de uma vez, não UM como era suposto acontecer, mas SÓ os dois maiores políticos da altura, quiçá, dos maiores do século XX.
De facto, se alguém era visado só poderia ser mesmo Adelino Amaro da Costa, então ministro da Defesa.
Fala-se em “morreu” “acidente”, mas meus Senhores temos que chamar os nomes correctos às coisa “foi assassinado”.
Muitos como eu depositavam Nele muitas esperanças de que tudo faria (e tinha estaleca para isso) pelo crescimento do nosso País, mas havia forças adversas que tudo fizeram para o travar definitivamente.
Morreu? Claro que morreu. De acidente não falei, nem ousaria fazê-lo com a mesma certeza que usa para dizer que SC foi assassinado.
Sá Carneiro não morreu nem nunca morrerá nas nossas memórias.
Como se comprova, 30 anos depois.
trinta anos depois da partida deste grande lider.Um homem que marcou a historia dos lideres na nossa democracia.Agora pergunto sera que portugal estaria assim se ele fosse vivo?Concerteza que nao.Fica uma memoria de um grande lider.
Infelizmente, a História nunca se escreve com “ses”. Esse o domínio da ficção.
Eu tinha 25 anos nessa data, nunca me esqueci desse fim de tarde! Senti medo, muito medo, porque o político em quem eu depositava as minhas esperanças para o futuro do meu país tinha sido alvo de «assassinato» por cobardes, mesquinhos, traidores, pessoas más…..O pior é que ainda hoje sinto medo e insegurança!
Com a natural diferença de escala, o choque da morte de Sá Carneiro equivaleu para os portugueses ao da morte de JFKennedy para os americanos. Por isso muita gente se lembra ainda do momento exacto em que escutou a notícia da morte dele.
Esqueceu-se de mencionar que foi no seu tempo conhecido como “o homem dos golpes de rins”, tantas e tão espetaculares foram as mudanças de orientação e política que imprimiu aos seus fieis seguidores no PPD. E de mencionar que só mesmo os fieis o seguiram, porque as suas contradições incessantes fizeram muitos abandonar o PPD.
Desvalorizar os sucessos eleitorais – três seguidos, em legislativas e autárquicas, em 1979 e 1980 – de Francisco Sá Carneiro, o primeiro político de direita a ascender ao poder em Portugal por genuíno sufrágio popular – parece-me um clamoroso erro de análise da sua parte. “Só mesmo os fiéis o seguiram?” Tomara o PSD que perdeu as legislativas de 2009 ter o pior resultado registado pelo PSD de Sá Carneiro nesse biénio.
Lamento desdizer algumas das suas estranhas-ou talvez não- afirmações:
1º.-essa dos “golpes de rins” deve ter lido em algum guião de judo ou parecido; tal adjectivação é de seu ÚNICO conhecimento;
2º.-O que chama de “fiéis seguidores” do PSD, são aquilo a que se chama, APENAS, a maioria do Povo Português;
3º.-os “muitos” que abandonaram o Partido, (21), e que, não tendo “arcaboiço” para ombrear com Sá Carneiro, não se sujeitaram a ser eternas figuras secundárias; então formara uma associação-não um Partido-a que denominaram de ASDI; foi parto prematuro, com morte anunciada! Para mal dos pecados de”alguns” Sá Carneiro foi, sem dúvida, a par de Salazar, um dos maiores Estadistas Portugueses, do século XX
Morreu por arrasto, porque um Ministro sério-e seu amigo-quis acabar com ilegalidades e abusos!
ESte caso devia ser encerrado ou averiguado a sério. Vejamos: Na capa do livro “CAMARATE” Augsto Cid afirma: “Jorge Moutinho de Albuquerque, piloto do Cessna abatido à descolagem para o Porto na noite de 4 de Dezembro de 1980.” E diz mais. “Na noite de 4 de Dezembro de 1980 teve lugar o mais hediondo crime político da História deste país. Minutos após o massacre dos ocupantes do bimotor Cessna 421-A YV-314 P, reuinia a Comissão Política do Partido Social Democrata, donde sairia um comunicado para os orgãos de informação, classifcando o atentado de “acidente trágico” e negando a o correncia de qualquer “acção criminosa”. Como souberam tão rápido? Porque não prenderam Augusto Cid se ele mentiu no livro?
Lamentável foi que a Polícia Judiciária e a Procuradoria-Geral da República não tenham chegado a nenhuma conclusão minimamente convincente. Desde o início houve a sensação de que este caso era para varrer a toda a pressa para debaixo do tapete, o que devia – e deve – envergonhar a investigação criminal portuguesa.
FAZ HOJE 30 ANOS QUE MORREU UM PEQUENO-GRANDE HOMEN;HONESTO,INTEGRO,COM VISÃO ESTRATÉGICA E DEFENSOR DOS VALORES QUE SEMPRE NORTEARAM A SOCIEDADE PORTUGUESA,NÃO TENDO QUALQUER COMPARAÇÃO COM A ESCOMALHA POLITICA ACTUAL,PRINCIPALMENTE A QUE SE ENCONTRA INSTALADA NA GOVERNAÇÃO (???).
FAZ HOJE 30 ANOS,QUE OS COMUNISTAS DEIXARAM DE ESCREVER NAS PAREDES DE TODO O PAÍS “SÁ CARNEIRO LADRÃO,CALOTEIRO,ETC,SÓ PORQUE TINHA PEDIDO UM EMPRÉSTIMO BANCÁRIO.HOJE,SIM,OS CALOTEIROS,LADRÕES,VIGARISTAS E CORRUPTOS,SÃO AOS MILHARES,COMO SE CONSTACTA NAS FUGAS AOS IMPOSTOS,NO CRÉDITO MAL PARADO E PELA QUANTIDADE DE “CASOS” QUE FICAM NO ESQUECIMENTO,OU SÃO ARQUIVADOS OU TRANSFERIDOS PARA BONS “TACHOS” FORA DO PAÍS.
ÊLE PRONUNCIOU ESTA FRASE LAPIDAR “…SÓ SE CONSEGUE TRAVAR O COMUNISMO DESENVOLVENDO O PAÍS …”. INFELIZMENTE NÃO LHE DERAM TEMPO COM O ASSASSÍNIO DE CAMARATE . O QUE ACONTECEU AOS RESPONSÁVEIS ?
FAZ HOJE 30 ANOS QUE NA SEDE DO P.C.P.,NO BARREIRO,FORAM LANÇADOS FOGUETES QUANDO FOI ANUNCIADA A MORTE DE SÁ CARNEIRO.
O QUE SERIA HOJE O NOSSO PAÍS,SE SÁ CARNEIRO NÃO TIVESSE SIDO ASSASSINADO,FAZ HOJE 30 ANOS ?
A PROFECIA DE SÁ CARNEIRO AINDA TEVE APLICAÇÃO NO PERIODO DE GOVERNAÇÃO DE CAVACO SILVA . MAS,A PARTIR DE 1995,TEM VINDO A SER CONSUMADA UMA DESTRUÍÇÃO TOTAL DO PAÍS E DA SUA ECONOMIA , COMO REFLEXO DAS RUINOSAS NACIONALIZAÇÕES DE 1975,DA INCOMPETENCIA DOS GOVERNANTES E DA SUA “PORREIRITE AGUDA” E FACILITISMO,CONSUBSTANCIADOS NA GALOPANTE SUBIDA DAS ACTUAÇÕES DO P.C.P. E SUAS CORREIAS DE TRANSMISSÃO,NA ÓPTICA DA “POLÍTICA DE TERRA QUEIMADA” E DE “QUANTO PEOR …MELHOR”
PAZ À SUA ALMA DR.FRANCISCO SÁ CARNEIRO
Grande comentário! Grande e oportuno! Eu, que admirei imenso a sua profundidade
e integridade como homwem e político, que senti a réstea de enorme esperança que
despolletava para Portugal, após os tempos paranóicos e terríveis dos loucos do Prec,
que combateu co Todos Nós, não podia deixar de elogiar este bonito texto. Deixo uma
palavra de profunda admiração, pelo homem íntegro, empolgante no uso da palavra,
patriota, que, como Ministro da Defesa, esteve no cerne deste Nojento ASSASSINATO:
ADELINO AMARO DA COSTA! Foi morto por ser Honesto, e querer acabar com os tráficos
que se desenrolavam na altura! TTeve azar; meteu-se com gente do mais baixo calibre!
Com ctiminosos, contrabandistas. Mataram os dois maiores vultos da política da altur e,
decerto, dos maiores do séulo passado! Paz às sua almas! Que uma qualquer justiça-a
dos homens, parece não querer- reponha a verdade e puna os criminosos!
Infelizmente, as dúvidas persistem. Trinta anos depois. Sendo certo que pelo menos três comissões parlamentares de inquérito avançaram muito mais e melhor do que as autoridades judiciais, a quem cabia essa missão.
Excelente texto, sobretudo a parte final. Fiquei a conhecer um pouco mais, e melhor, a vida política de Sá Carneiro, homem que admiro pela sua luta em prol da democracia.
Obrigado pelas suas palavras e pela citação que fez no seu blogue, Gonçalo.
Sá Carneiro foi ASSASSINADO, “por arrasto”; de facto, não há a mínima dúvida de que o 2″destinatário” deste NOJENTO crime era o Ministro da Defesa, A.Amaro da Costa! A Justiça Portuguesa e, em particular o Tribunal da relação, ficaram muito “chamuscados” com o (não) desenrolar das investigações, e com o seu APRESSADO ARQUIVAMENTO. é pORTUGAL…
Há muito mais dúvidas que certezas. E a terrível convicção de que muito pouco se fez para esclarecer toda a verdade.
4 de Agosto de 1578, 4 de Dezembro de 1980.
Datas referenciadas da história portuguesa.
Crianças e Homens.
Mas a história de Portugal, esteve em em causa.
O que é que poderia ser diferente? Se calhar, nada.
As datas não são comparáveis. Sá Carneiro não era nenhum D. Sebastião e certamente detestaria imaginar-se nesse papel.
Muito se tem falado e dito sobre este triste episódio que foi a morte de um dos mais promissores politicos portugueses.
Se foi assassinado ?
Eu não tenho dúvidas que sim.
A justiça diz que não.
As investigações (na minha opinião manipuladas) que foram efectuadas tambem concluiram que não.
Motivos que levaram ao seu assassinato ?
Muitos !
Mas não podemos esquecer que o objectivo não era só o exterminio de Sá Carneiro mas sim tambem do ministro da defesa ! E porquê ? Simples – Na altura existiam politicos (ainda hoje imensamente conhecidos) que faziam tráfego de armas e Amaro da Costa tinha noção de quem eram.
Outras razões ?
Medo !
Medo por parte de muitos politicos em que se estaria a tomar incio a uma nova era politica não sá a nível de ideias mas como a nível de projectos.
Enfim…
Quando penso nisto tenho vergonha de ser português…
Se Sá Carneiro foi vítima de um atentado, o que talvez nunca venha a ser provado, isso só poderá ter sucedido por mero acaso. Só em cima da hora da viagem o primeiro-ministro decidiu viajar para o Porto na avioneta fretada pelo ministro da Defesa, quando já tinha passagens marcadas no voo regular Portela-Pedras Rubras, da TAP.
Um homem invulgar, mas não suficientemente invulgar para se transformar num mito em vida…
Em vida, seguramente não foi um mito. Foi uma das personalidades mais polémicas da política portuguesa.
É o nosso épico destino!…Os homens comuns caem por desleixo ou inépcia. Os invulgares, porque alguém conspirou contra eles…
Isso não acontece sempre, mas por vezes acontece mesmo.
estava a ler os comentarios e as respostas e a pensar, assim sim, um blogue de fieis seguidores. Para quê quem não é seguidor comentar e estragar a harmonia ? Eis senão quando surgem os realistas, aos quais o autor da cronica “foge”. Desejável que um bloguer porque se esclarecido se demitisse da apologia bacoca do mito oco. Ou, voltando ao inicio, melhor é que os realistas não comentassem, como eu tencionava fazer (não comentar).
Você anda certamente com problemas de visão. Não sei que texto leu aqui que lhe permita concluir o que concluiu. Aconselho-lhe uma consulta urgente no oftalmologista.
Os realistas não são os apoiantes de D. Miguel?…
A alucinada pequenez, das mentes que vislumbram sombras no desconhecido…
Conheci pessoalmente Sá Carneiro. Reconhecendo-lhe imensas qualidades pessoais e políticas, fui vítima da personalidade, a um tempo intransigente e vingativa de Sá Carneiro. Em 1980 fui nomeado para presidir às comemorações do 6º aniversário do 25 de Abril,pelo Conselho da Revolução. Como carecia de assentimento do Primeiro Ministro, Sá Carneiro vetou-me com o pretexto de eu ter dado uma entrevista que lhe tinha desagradado, mas a verdade é que ele me perseguiu políticamente por eu ser um indefectível apoiante de Ramalho Eanes. A evidência da natureza persecutória do acto foi tal que até os militares de direita do Conselho da Revolução concordaram em não nomear outro elemento para me substituir. Tal como aconteceu com Eanes, Sá Carneiro abandonava ou perseguia com enorme vigor todos os que se lhe opunham. Ao escolher um general cinzento e timorato para seu candidato Sá Carneiro deitou por terra a sua estratégia de colocar na sombra todos os militares democratas que em 25 de Abril e 25 de Novembro se tinham empenhado na defesa da democracia e lhe não vergavam a cerviz, renegando aliás a sua teoria do “regresso dos militares aos quarteis”. Impôs a Soares Carneiro um programa de candidatura que passava pela ruptura constitucional e pelo recurso ao referendo, tal como já tinha feito com Spinola logo após o 25 de Abril.Sobretudo por isso Soares Carneiro foi estrondosamente derrotado. Como a memória dos politólogos portugueses é curta, meu Deus !!! Da sua obra política, não se lhe conhece um ensaio, um escrito. um programa que hoje pudessemos admirar ou seguir.É verdade que foi uma espécie de lastro de direita da revolução,conglomerando no PPD personalidaedes e grupos sociais para quem a queda da ditadura não tinha sido vista com entusiasmo. Porém teve pela frente o arguto e políticamente mais maduro Mário Soares que assumiu na àrea civil de as despeas da contenção do oportunismo comunista e do frenesim esquerdista, e a quem uma parte substancial da direita democrática portuguesa reconheceu competência para tal combate.Internacionalmente não grageara apoio ou consideração que se visse. Resta-nos mesmo assim admirar a ginástica mental, quando não a demagogia de quem pretende erigir em heroi da pátria e personagem ímpar um homem de inquestionável valor, mas felizmente igual a tantos outros..resta-nos também o incontável número de ruas, rotundas,praças.pontes eaeroportos etc. que graças à generosidade dos autarcas do PSD e CDS se espalham pelo país, o mesmo tipo de autarcas que negaram ao ùnico nobel da literatura portuguesa um nome numa rua na cidade do Porto….
E ASSIM SE FAZ PORTUGAL….
Vamos por pontos:
– É sempre interessante obtermos testemunhos em primeira mão de acontecimentos protagonizados por figuras com relevância na história do nosso regime democrático. Por isso agradeço o seu contributo.
– Concordo consigo quando critica o facto de SC ter transformado Ramalho Eanes e todos quantos pudessem ter o rótulo de eanistas em inimigos principais. Isso mesmo refiro no meu texto ao aludir ao “desenfreado combate” ao popular PR. Um combate, aliás, que fracassou.
– Também de acordo quanto ao papel muito mais relevante desempenhado por Mário Soares na consolidação do regime, na hora chave do difícil confronto – até na rua – com a esquerda radical, como Rodrigo Sousa e Castro sublinha, aliás com inteiro conhecimento de causa. Isso também transparece do que escrevi.
– Igualmente de acordo, por fim, na parte relativa à toponímia. Sou aliás, por sistema, totalmente avesso à substituição de nomes em ruas, praças e avenidas. Particularmente imbecil ainda hoje me parece, por motivos óbvios, o facto de o aeroporto de Pedras Rubras ter recebido o nome de Sá Carneiro. Inteiramente diferente é a minha opinião quanto a obras inauguradas após a morte dele.
– Discordo de si quanto ao papel de Sá Carneiro. Quanto a mim, como refiro no meu texto, desempenhou o importante papel de aglutinador e integrador de quase todas as direitas no sistema democrático, um pouco à semelhança do que o também impulsivo e polémico Adolfo Suárez fez em Espanha, com a vantagem – para Sá Carneiro – de a ruptura com a ditadura ter sido feita antes e não depois da queda do ditador.
– Foi igualmente importante – goste-se ou não dele – como exemplo de um político clarificador de águas. Demonstrava bem o que queria e o que não queria. Em época de consensos moles e disformes, essas são características que tendem a ser naturalmente valorizadas.
Dito isto, resta-me reiterar o agradecimento pelo seu depoimento, considerando um privilégio o DO receber a visita de alguém que desempenhou um papel tão relevante, e já histórico, como signatário do Documento dos Nove, um marco na conquista da verdadeira democracia em Portugal, contra os vanguardismos extremistas que naquele Verão de 1975 ameaçaram dilacerar o País.
Um abraço.
Só uma adenda: acho injusto menorizar Sá Carneiro dizendo que não produziu obra teórica. A mesma acusação, de resto, poderia ser dirigida a Mário Soares – igualmente com injustiça.
Como todos sabemos, aqueles foram anos muito mais propícios à prática do que à teoria: vivia-se demasiado intensamente na política portuguesa. Mas o projecto de revisão constitucional de que Sá Carneiro foi co-autor em 1971, apontando claramente para um sistema democrático em plena ditadura (à semelhança de outros projectos que também redigiu ou ajudou a redigir à época, como o da Lei de Imprensa, todos inviabilizado pelo regime pré-25 de Abril), foi um documento importante e bem revelador do seu pensamento político.
É inegável a relevância do desempenho político de Sá Carneiro. Desempenho inicialmente feito juntamente com as outras personalidades da chamada “ala liberal”, incluindo os que tiveram uma morte infausta, na Guiné, em acidente com uma aeronave.Destes Pinto Leite merece uma referência especial. Nessa altura estavam criadas as condições para uma transição democrática em Portugal, assim o tivesse querido o timorato Marcelo Caetano. Era então um jovem capitão, já com experiência da guerra em Àfrica e posso afirmar que a grande maioria dos jovens quadros do Exército estavam dispostos a apoiar as reformas de Marcelo, incluindo a resolução talvez ainda a tempo da questão ultramarina, e a integração de Portugal nas democracias ocidentais. Dou assim inteira razão à postura política de Sá Carneiro, que à época foi de enorme coragem e coerência.
Após o 25 de Abril já não concordei com o apoio que deu a Spínola no sentido de através de um referendo e
contra o que estava escrito no programa do Movimento das Forças Armadas se tentasse sufragar sem mais, isto é, antes da eleição de uma Constituinte, a figura de Spinola como Presidente da República. Julgo, mas é uma mera suposição, que Sá Carneiro acreditaria na solução federalista de Spínola, solução essa que estaria condenada ao fracaso e não resolveria nenhum dos problemas que se punham a Portugal à época.
A sua animosidade com Ramalho Eanes radicou essencialmente no facto de Eanes, apesar de ser um homem de direita e profundamente conservador, de quem tenho aliás o previlégio de ser amigo, ser antes de tudo um legalista, um legitimista e a quem nunca passaria pela cabeça atropelar em nome de qualquer solução polítoca de conjuntura a sua jura de defesa da legalidade constitucional.
Basta ler o programa eleitoral de Soares Carneiro, òbviamente escrito e inspirado por Sá Carneiro, para verificar que este continuava a procurar obstinadamente a via referendária para queimar etapas e resolver a questão do chamado “regresso dos militares aos quarteis” ou ainda da ” libertação da sociedade civil”, como panaceia para todos os males da Nação. Só que o tempo político não era o adequado, o nosso destino era a Europa, e para esse efeito o homem do leme era Mário Soares.
Os comunistas como sabe foram derrotados nas eleições para a Constituinte em Abril de 75 e obrigados “manu militari” em 25 de Novembro a aceitarem os resultados. Em 76 foram novamente derrotados nas urnas e passaram à história como força política capaz de integrar o arco governativo. Que sentido fazia a partir daí ,tal como fez Sá Carneiro, continuar a luta política com um argumentário anti comunista muito básico, pretendendo meter Ramalho Eanes nessa trapalhada ideológica?
É desse ponto de vista que discordo de Sá Carneiro, apesar de ter tido, como referi no meu primeiro comentário, uma desagradável questão pessoal com ele.
Outra coisa é admitir, e eu admito francamente, que a qualidade da personalidade de Sá Carneiro está a milhas de distância da generalidade dos figurões da “nossa” classe política,.. mas isso são contas de outro rosário…
Cumprimentos
Sousa e Castro
Gostei muito, sinceramente, desta sua digressão – sem prejuízo de algumas discordâncias pontuais. A tal ponto que decidi seleccioná-la como ‘comentário da semana’ aqui no Delito de Opinião. É uma rubrica semanal que mantemos há muito neste blogue.
Os temas que aborda, com a vantagem óbvia de virem de alguém que foi testemunha e até protagonista de muitos factos desse tempo, têm para mim um interesse inesgotável. E julgo que para a maioria dos nossos leitores também.
Renovo-lhe os meus cumprimentos.
UM GRANDE HOMEM U MAIOR POLITICO QUE EU CONHECI!NAO ME POSSO ESQUECERMAIS DAQUELES COMICIOS NO PORTO!! ERA DE CHORAR!!UM PATRIOTA!! DE VERDADE UM GRANDE POLITICO QUE O POVO DO PORTO NAO TE ESQUCERA MAIS ! SERAS E ESTARAS SEMPRE NOS NOSSOS CORACOES!!
Não ponho em causa a sua opinião. Mas não é o facto de usar só maiúsculas e encher os textos de pontos de exclamação que tornam as suas convicções mais genuínas.
Desçamos à terra e deixemo-nos de palavras ocas, tão ao estilo português, sobre feitos que ninguém viu, e batalhas que ninguém venceu…
Um homem com virtudes e defeitos, que a morte prematura transformou num mito para os simples…
Tinha virtudes e defeitos, claro. Falei disso no meu texto.
foi de facto um homem que fez historia, mas de facto era ele que ia mudar o rumo a Portugal era ele que ia deixar os portugueses numa situação melhor, mas também foi a ele que o assassinaram . quem o fez ate hoje esta calado e mais os que sabem pois ate hoje é a historia mais vergonhosa de Portugal . descanse em paz Dr. Francisco Sá carneiro pois em pouco tempo o senhor vez muito ob. . ob. pelos esforços que vez pela sua pátria deus sabe. descanse em paz
Nenhum homem, só por si, basta para mudar seja o que for.
Digam-me por favor o que é que este senhor fez de importante, designadamente, aquando do governo reaccionário da AD que agora uns espíritos que por aí andam querem ressuscitar?
Rigorosamente nada, Sr. Rodrigo!!…Só espuma e glamour…
Fquei comum mar de dúvidas sobre a sua resposta. Cheira-me a ironia…
Se de facto é ironia explique-me qual foi a obra deste mártir da direita porque eu lembro-me mt bem da sua actividade política e dos bons meses que este doente (?)! Lembro-me mt bem da vergonhosa distribuição de terras no Alentejo para combater a reforma agrária!
O revanchismo da direita mais cavernosa está aí ao virar da esquina!
Trinta anos depois, o ódio permanece à flor da pele, como se estivéssemos a falar de factos ocorridos anteontem. É espantoso. Ainda há quem ouse falar na criação de um ‘homem novo’. Só vejo é ‘homens velhos’…
olá
acabo de acompanhar a conversa com o sousa castro. Não me parece que sousa castro o tenha convencido. Alias ninguém convence ninguém nem os sensatos têm semelhante pretensão. Se tenho má visão, tenho alguma pouca memória, e portanto das noticias dessa altura. E é isso mesmo que recomendo ao Pedro Correia. Que mergulhe na imprensa da altura. Para que, como também aqui outrem escreveu, nao seu se com o sentido que lhe dou, não se procurem sombras no desconhecido. Ou como eu pretendia dizer, contra os “endeusamentos”. Por que era simples e assim continua: quem gosta gosta e pronto ninguém tem nada a ver. Já quando se inventam atributos, entorna-se o caldo. possivelmente sousa castro não teria intervido se o Pedro correia não estivesse apostado na (estou a pensar no termo) no branqueamento. Cumprimentos
Desconheço o que pretende dizer com o termo ‘branqueamento’. Esse termo, no caso de Sá Carneiro, só poderá aplicar-se àqueles que nunca quiseram ver cabalmente esclarecidas as causas da sua (dele) morte.
Cumprimentos
um comentario sobre uma teimosia permanente, antiga e pelos vistos eterna.
Não sou filho de sá carneiro, ele não existe mais, tanto se me dava que provassem que foi acidente como se me dava que provassem que foi atentado.
A justiça actuou. Não foi provado atentado. Já houveram demasiadas Comissões, é um abuso e pior. Por favor. Todos os dias os tribunais tomam decisões também erradas para quem as sobre, mas de que nao há recurso. Ponto final. Alguns querem á viva força que a justiça faça o favor de classificar de atentado o que não foi. Outra vez: uma coisa são as convicções, e outra os factos. E os factos não foram suficientes para provar atentado. E já aconteceram dezenas de comissões sobre este assunto. È inadmissivel, não pode ser. Repare-se e imagine-se: alguém esteve em conctato com o sabotador. E portanto não dorme descansado por não ver o crime punido. Mas a sociedade é outra coisa. E já existiram dezenas de comissões. Que pretendem ? Nomea-lo para beatificação ? Basta ! Apliquem o saber e os recursos na promoção do Bem -estar e justiça social. Parece-me a melhor homenagem, que mais agradará ao Sá carneiro. PS: por favor cavaco nao andes de avião, pois os acidentes acontecem, e teriamos mais uma eternidade de comissões para provar que foste alvo de atentado.
Ao contrário do que refere, com a sua peculiar gramática, a justiça não actuou. O problema foi esse mesmo: faltou neste caso o braço da justiça. Já “houveram” oito comissões parlamentares, que produziram mais e melhores esclarecimentos que toda a investigação criminal.
em complemento: obviamente nada importa que um grupo de amigos disto e daquilo, saudosistas, progressistas, adeptos, profissionais de diferentes areas, etc etc opinem. Por isso ontem disse que estava a ler os comentarios , e a pensar como é boa a harmonia. Dito de outra forma, não á necessidade de os benfiquistas comentarem no blogue do fcporto e vice-versa. O que quero dizer: verdadeiramente não me incomoda o equivoco do Pedro correia nem dos demais que pensam tanto os mais que ele. Mas a questão é nacional. A epidemia subterranea, cheira mais a cada aniversário. Não é neste blogue, sim no país. E é só essa situação que me incomoda. Não o Pedro correia. Aliás a “casa” é do Pedro correia e quem não estiver bem, vire a “página”.
A ‘casa’ é de todos os autores. E dos leitores também. Pensem o que pensarem.
Pedro Correira, concordo com o seu texto, só com duas ou três objecções.
Na minha opinião, o Sá Carneiro teve a vida facilitada pela existência de uma direita sociológica, em territórios onde os socialistas mal entravam, quanto mais os comunistas. Basta ver os mapas eleitorais dessa altura, com o país dividido em dois: no norte o PSD e o CDS, no Sul o Partido Comunista (e o PS quase acantonado nas grandes cidades). Bastavam pequenas centelhas para agrupar as populações à volta do PSD: o medo terrível do comunismo, certas palavras ditas no púlpito das Igrejas, sem nenhum pudor, na altura, etc. O Sá Carneiro nem precisava de ter grande carisma (o carisma do Cavaco está próximo do zero, e ainda assim, veio a arrastar ainda maiores multidões no vários cavaquistões do país). Quem teve nessa altura de conquistar território foi o PS. O PS praticamente nada representava, salvo meia dúzia (passe o exagero) de profissionais liberais nos grandes centros urbanos, sobretudo advogados e médicos, e alguns ilustres do reviralho na provincia. A figura pessoal do Soares (aqui sim), e as ajudas externas da Internacional Socialista, no campo logístico, foram decisivas na implantação do partido.
Quanto à sua morte, acho um pouco injustas as suas apreciações sobre a nossa justiça nesse caso. Inúmeros exemplos de ineficácia da justiça poderiam ser dados, mas não creio que esse seja exemplo. Repare que os Estados Unidos ainda não conseguiram deslindar o mistério do assassinato do presidente Kennedy, passados cinquenta anos e sem que haja dúvidas sobre o facto de ter sido assassinato. Se foi assassinato, é de um género que não se investiga com os meios judiciais normais, e nem os Estados Unidos, com todos os meios que tem ao dispor, desde o FBI, a CIA e as comissões do Senado (sem falar de uma imprensa poderosa com longas tradições de investigação), conseguiram alguma coisa de conclusivo até agora. É preciso coragem para dizer basta e seguir em frente. Até quanto a suspeitas sobre crimes cometidos contra políticos deve haver um prazo de prescrição..
Sobre os méritos do Sá Carneiro, ou o que o país poderia ter sido se ele tivesse sobrevivido, já muito se disse. As apreciações que tenho visto variam entre ele ser um homem de consensos, e um homem de rupturas; um homem que sabia o que queria, e um homem que amuava quando não lhe faziam a vontade. Isto tudo de pessoas que reinvidicam ser seus admiradores e herdeiros. Já nem falo dos que acham que ele foi uma espécie de Dom Sebastião. Seja como for, acho que não é em ano de aniversário da sua morte que se consegue um retrato isento e frio, nem isso virá de alguém que seja seu admirador, ou seu adversário. Seja de admiradores, seja de adversários, é de bom tom só tecer elogios: a combatividade e a coragem, a coragem e a combatividade e variantes. Quantos a biografias publicadas, como Portugal não é a Inglaterra, desconfio sempre e passo.
Caro Renato,
Devolvo-lhe o raciocínio, quase ‘ipsis verbis’: «o Cunhal teve a vida facilitada pela existência de uma direita sociológica, em territórios onde os socialistas mal entravam, quanto mais a direita. Basta ver os mapas eleitorais dessa altura. (…) O medo terrível da direita, certas palavras ditas em certos comícios do PCP e do MDP/CDE, sem nenhum pudor. O Cunhal nem precisava de ter grande carisma».
Está de acordo?
Quanto aos EUA, lamento desdizê-lo mas a justiça norte-americana chegou a conclusões inequívocas quanto à morte de Kennedy. Que todas as pessoas tenham ficado convencidas ou não, isso já é outro problema.
Em relação às biografias, estou muito de acordo consigo. Mas, só aqui entre nós, confesso-lhe: não consegui resistir à do Cunhal, escrita pelo Pacheco Pereira.
Muito bom este texto e a lembrança desta data negra da nossa história, até hoje sem qualquer conclusão conveniente.
Lembro-me ainda bem desse fim de dia, do Raul Durão a interromper a emissão e dar-nos a notícia do acidente e da morte de SC, e de alguns anos de quase esquecimento de Amaro da Costa, esse sim, o homem que era certo como passageiro do Cessna.
Juntamente com ele, morreu também Adelino Amaro da Costa ….
Sá Carneiro “apenas” teve o destino contra ele: apanhou boleia naquela noite, para estar presente num comício no Porto, aonde nunca chegou.
E deixou o País inteiro de luto, à porta de uma eleição que se previa renhida, como tudo o que se envolvia.
Não posso também até hoje esquecer o papel e os discursos, na época, de Diogo Freitas do Amaral (o outro líder da AD), não sei se para travar qualquer intempérie política ou até popular, mas que se mostrou verdadeiramente incompreensível até hoje, com o seu percurso sinuoso e politicamente irregular.
Este excelente texto, sucintamente, diz quase tudo da vida política de SC e é, obviamente, um comentário brilhante.
Pelo seu carisma, foi, sem dúvida, um líder.
Já o era nos últimos anos de governo de Marcelo Caetano, mostrando claramente uma nova geração de políticos, onde teve um papel preponderante.
Penso que sucumbiria à sua impulsividade e à necessidade premente que tinha de ser o primeiro e o único a ter razão, dotado que era de um raciocínio extremamente rápido, visão e excelente capacidade de comunicação.
Ficou tragicamente desta forma na História, nunca saberemos se não teria sido, de outra forma, apenas mais um líder.
Parabéns, Pedro, mais uma vez.
E o seu último parágrafo, é não só uma homenagem, como também a maior verdade.
Obrigado, caríssima. Também eu me lembro muito bem desse dia. Ou antes, dessa noite. Jamais a esquecerei.