Quando a avistei ao longe duvidei do que via. A placa assinalando a presença de Cavaco Silva no passado dia 7 de Julho não enganava. Tratava-se mesmo de uma réplica, embora mais pequena, da Torre de Belém. Lembrava-me de ter visto, algures na China, uma espécie de Portugal dos Pequeninos e miniaturas de uma série de monumentos europeus. Mas jamais me passaria pela cabeça encontrar uma mini-Torre de Belém na marginal do Mindelo, repleta dos símbolos que nos habituámos a ver nos livros de História dos primeiros anos de escola; afinal os mesmos que marcavam as caravelas que dobraram a Boa Esperança.
O sentido desta réplica é bem diferente de tudo aquilo que se possa conjecturar e das comparações que eventualmente se seja tentado a estabelecer com o que se vê noutros locais. Além do mais, não se cobram bilhetes à entrada. E lá dentro encontramos uma mostra de trabalhos de artistas contemporâneos.
A dimensão não é de todo importante quando uma simples janela nos projecta para o mundo sem sairmos de nós próprios. Esta gente sabe que “quem de si mesmo se deserta em céu algum se achará” (José Luiz Tavares). E isso faz toda a diferença quando se trata de encarar o futuro. Cada dia que passa aprendo mais alguma coisa com os Tommys desta terra.



Um extraordinário apontamento, Sérgio.
Inesquecível, a cidade do Mindelo. Gostei imenso da Baía das Gatas. E de visitar os estúdios da rádio local, onde me deram excelentes dicas para adquirir CD de música de Cabo Verde. E de conhecer Germano Almeida, um dos grandes escritores contemporâneos de língua portuguesa.