Rui Rio e o “novo PSD”


Pedro Correia,

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Rui Rio, desaparecido em combate desde que venceu a eleição interna há mais de um mês, ressurgirá hoje na sessão inaugural do congresso do PSD.

Chega envolto numa névoa de interrogações.

Trará ele ideias inovadoras? Conseguirá “regenerar o partido”, como prometem os seus mais firmes apoiantes e vem advogando há anos o seu principal ideólogo, Pacheco Pereira?

 

Da recente campanha eleitoral, ressaltaram três pontos do pensamento do novo presidente do PSD:

– Abertura à formação de um bloco central, prontificando-se a viabilizar um novo governo socialista que possa dispensar o apoio parlamentar de comunistas e bloquistas;

– Deslocação do PSD do centro-direita para o centro-esquerda, em nome da suposta matriz original do partido, abrindo assim espaço à progressão do CDS a nível nacional como já sucedeu nas autárquicas em Lisboa;

– Reafirmação da social-democracia como modelo ideológico do partido, renegando os modelos conservador e liberal, numa altura em que os partidos sociais-democratas estão em regressão em todo o espaço político europeu – como as eleições de 2017 na Holanda, Bulgária, França, Reino Unido, Alemanha, Áustria e República Checa e as eleições parlamentares realizadas no ano anterior em Espanha demonstraram.

 

Acredito que Rio seja consequente com este pensamento. E como a política vive muito de actos simbólicos, aguardo que aproveite este conclave laranja para anunciar a retirada do PSD do Partido Popular Europeu, que agrupa a família política conservadora, por troca com o Partido Socialista Europeu, que congrega a social-democracia e o trabalhismo representados nas instituições parlamentares de Bruxelas e Estrasburgo.

Com um só gesto, vira o PSD à esquerda, abraça sem reservas a social-democracia como família europeia do partido que agora lidera e começa a preparar terreno para uma futura coligação com o PS.

Os dirigentes visionários comportam-se assim. Dele, confesso, não espero menos que isto.

52 comentários em “Rui Rio e o “novo PSD””

  1. Perguntas:

    “Deslocação do PSD do centro-direita para o centro-esquerda”

    “Reafirmação da social-democracia como modelo ideológico do partido, renegando os modelos conservador e liberal”

    O slogan com que Passos se recandidatou à liderança do PSD – “Social- democracia Sempre!”

    O que tem destruído, na Europa, a Social Democracia não é a sua ideologia, intrínseca, mas sim a sua personificação, por políticos, ditos sociais democratas, que uma vez no poder a traem Ou seja, em Portugal ganham-se eleições com promessas sociais democratas e governa-se com outra ideologia.

    É ridículo pretender-se governar um país com uma ideologia neo-liberal, conservadora, numa sociedade em que aproximadamente 20% são pobres, em que a taxa de trabalhadores pobres anda na ordem dos 12%, e com uma das mais altas taxas de assimetria salarial.

    Se vivesse na Holanda não teria problemas nenhuns de abraçar o neo-liberalismo, porventura até a monarquia. O problema nacional nada tem a ver com ideologia política, mas sim com a corrupção tornada tradição . E esta não se muda através de programas partidários. Aliás o cancro da nossa democracia está nos partidos “do arco da desgovernação”….Rui Rio está sozinho.

    Curiosa é a lata de Fernando Negrão, que fazendo campanha por Santana Lopes, (a vergonha que foi o seu debare com Ferreira Leite) aceitou o lugar de novo líder parlamentar. Por aqui se vê o carácter desta gentalha.

      1. Mais que a ideologia, é a falta dela que corrói a Democracia. Ou dito de outra forma, tem sido a pós ideologia e não o excesso de ideologia a doença democrática

          1. ….bastará portanto alguém bom de contas e que nos substitua o nome proprio por números primos

          2. Sim, os imaginários, facilitam a ausência de compaixão e um melhor adormecer.

          3. Pedro, não seja tão saudosista. Veja a curva de desaprendizagem! Dantes águias, que subiam sozinhas, hoje ovelhas desnorteadas senão cercadas. A liberdade, do lobo, pesadelo!

          4. Meus caros, nem tão ao mar nem tanto à terra!!
            É evidente que a ideologia não morreu. Ainda não nasceu, talvez!! À séria.
            Sá Carneiro não era o Kautsky, estava longe da coisa. E, contudo, tinha uma sólida construção ideológica genuinamente portuguesa e do seu tempo. Chamou-lhe social democracia portuguesa. Humanista, liberal e progressista (apesar de Sá Carneiro não ser um conservador, afirmava o PPD PSD como a síntese histórica de portugal e anti jacobino). Um verdadeiro albergue espanhol que de tanta ideologia afirmar mais parece que não tem nenhuma.
            O tempo civilizacional Europeu do pós guerra é a construção do Estado Social de direito. A nossa constituição, revista, editada e actualizada, explica melhor o compromisso entre o Estado de direito liberal que será a matriz de aplicabilidade directa das normas mais densificadas da constituição e a construção do Estado Social de direito. As liberdades, onde se inclui a liberdade económica, e as restrições às mesmas liberdades fundadas em princípios de socialidade! Não há, em Portugal, ninguém, exceptuando uma meia dúzia de alucinados, que não defenda o Estado Social de Direito. Que genuinamente o não queira preservar ou mesmo, nos limites do possível, alargar o seu universo de aplicação.
            Esta é a matriz ideológica de todo o Ocidente, da extrema direita à extrema esquerda e de todos os espectros políticos possíveis e relevantes.
            Se lhe quiserem chamar social democracia, chamem-lhe. Somos todos, então, sociais democratas!

          5. Quem escreve assim não treme.
            Deixe-me imaginar ter sido um escrito meu

    1. Caro Vlad, ainda não cheguei a perceber o que será essa coisa da ideologia neo liberal e onde é que isso aconteceu.

      Depois, isto “O que tem destruído, na Europa, a Social Democracia não é a sua ideologia, intrínseca, mas sim a sua personificação, por políticos, ditos sociais democratas, que uma vez no poder a traem Ou seja, em Portugal ganham-se eleições com promessas sociais democratas e governa-se com outra ideologia.” .
      Eu estou mais preocupado com a destruição da europa doque com a mitológica destruição da social democracia.
      E não poderá ocorrer, como hipótese, simplesmente, que a social democracia seja vítima do seu enorme sucesso. Que de tão natural como a sua sede ou tão certa como a morte, já ninguém se incomode de a referir pelo nome!!
      No fundo, o Estado Social de Direito nunca foi, como é hoje, tão alargado nem tão sólido na alma e no corpo dos europeus!

      1. Por neoliberalismo aponto aqueles que defendem ser o Estado Social um modelo não humanista, mas sim socialista, e como tal uma ideia imperfeita, a ser reformulada no mantra – Homem=Mercadoria; Direitos=Privilégios.
        Um pouco à semelhança da designação, dada pelos americanos, ao Serviço Nacional de Saúde Europeu. Apodam-no de Medicina Socialista!! – Deixam morrer os que não têm como viver….os mesmos que juram sobre a Bíblia e em hosanas jogam ao alto “Em Deus está a nossa confiança.””

        Os neoliberais são os mesmos que apontavam como origem da crise, em 2008, o Estado Social e não a especulação, a ganância e a falta de ética da banca/sector financeiro.

        Justiniano, a vontade de alguns iluminados, pós ideólogos, é de nos tirarem o Estado Social como o conhecemos. E só ainda o não conseguiram fazer porque existem muitos que ainda dele se não esqueceram. Deixe, contudo, chegar os vindouros, os tábua rasa de memória em branco.

        Uma pergunta?

        Não é uma contradição semântica ser-se pós ideólogo e conservar a capacidade de pensar-se?

        1. Sim, correcto e muito bem, percebi mais ou menos!! Mas diga-me, já conheceu algum desses tais convictos neo liberais!!?? E habitam onde? Como é que se vestem!!?? Há fotografias!? Andam durante o dia??

          1. Adivinhe, quem:

            “As pessoas não querem trabalhar”

            “a nossa pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha“.

            “Se os sem-abrigo aguentam porque é que nós não aguentamos?”

    2. É ridículo pretender-se governar um país com uma ideologia neo-liberal, conservadora, numa sociedade em que aproximadamente 20% são pobres, em que a taxa de trabalhadores pobres anda na ordem dos 12%, e com uma das mais altas taxas de assimetria salarial.

      Acho que uma economia liberal pode perfeitamente corrigir isto porque gera muito trabalho. Não pode é governar um país com 80% de funcionários públicos e os outros 20% a preencher papéis para os primeiros 80% pensarem que estão a fazer alguma coisa antes de irem para fim de semana sexta às 2 da tarde se não for feriado ou não estiverem em greve.

      1. V. acabei de falar com um senhora operada à coluna que anda a carregar baldes de gelo no Intermarche. Quando pediu para fazer um trabalho mais leve de acordo com a sua condição médica disseram-lhe que aquilo não era a Santa Casa. Olhe menos para o Estado

        1. Sendo consequente, caro Vlad, advogue, tambem, restricoes a imigracao, especialmente a imigracao sem qualificacoes.

          1. Vamos, então, impedir um tipo do Bangladesh, que come arroz o dia todo, a vir para cá, em busca daquilo que por lá não existe? Se os outros fizessem o mesmo estávamos tramados….não acredite que os portugueses, lá de fora, são todos engenheiros.

        2. Numa economia liberal o Intermarché não existia porque é uma merda (sempre foi), e só existe porque existe ordenado mínimo que permite que uma empresa mal-cheirosa com gestores que maltratam os seus empregados sobreviva com mão-de-obra barata — porque o emprego do lado paga exactamente o mesmo. Numa economia dinâmica melhores empregos absorveriam os melhores trabalhadores e a senhora da limpeza podia ter mudado de profissão porque haveria riqueza e volume de trabalho para poder mudar. O intermarché ficaria reduzido a uns poucos mal-cheirosos e aquilo fechava em menos de uma semana porque não só ninguém lá ia como ninguém lá quereria trabalhar. Assim pode continuar indefinidamente porque eles conseguem disfarçar a sua filha-da-putice com gente decente obrigada a trabalhar ali por falta de melhores opções.

  2. Não sei se o fará tão liminarmente.
    Com várias correntes conhecidas publicamente, nisso muito se assemelhando ao PS, o PSD sempre fui plural e não é apenas Rui Rio quem traçará o percurso.

    De fora, aguardo para ver.

    Tivemos quase todas as coligações possíveis, tivemos maiorias de centro… desconfio que, Geringonça ou Centrão ou mesmo PàF (mais improvável mas faltam 2 anos), o que vier não será absoluto nem se definirá pelos termos do passado.

    1. E o PSD sempre foi, não sempre fui.

      Há gralhas de digitação, raios partam o telemóvel, e há gralhas de mudança de direcção no discurso. Depois de publicadas, azar, é deixá-las estar. Mas como esta poderia confundir-se com percurso, corrijo, que eu, cartões, só emitidos pela INCM ou pelo SIBS.

      1. Sem dúvida sou plural, mas como a gralha estava poderia também colar-me aqui ou ali e eu prezo a minha independência e a minha auto-determinação 🙂

    2. Falta uma coligação de esquerda. Não esta pseudo-coligação envergonhada, em que dois partidos assumem em dias pares o papel de apoiantes, enquanto Olívia-patroa, e em dias ímpares o papel de críticos, enquanto Olívia-empregada.

          1. Sendo mais preciso :

            Coligações com o país e não entre partidos

        1. Temos falta de coligações nacionais e temos excesso de feudos partidários. A começar por aquela coisa esquisita que se chama círculo eleitoral, viúvo virgem da região administrativa.

          7 vezes reviram já a Constituição e ainda não arranjaram maneira de a sublimar?! Então há que limar esta aresta viva.

      1. E falta o Pai Natal, Pedro… a incompatibilização histórica do PCP com o PS não permitiria a fusão numa lista, pelo menos numa aliança formal. A demonização que o PS fez do PCP, a arrogância do PCP na (justa) reclamação da resistência ao Estado Novo, os russos e os americanos (directamente ou por interpostos mon amis) azedaram o futuro no passado. Talvez o PCP deixe de dividir o mundo político em nós e os outros e modere o discurso contra o incontornável capital, talvez um partido roube mais eleitorado ao outro e esta conversa perca sentido ou faça o PS decidir se é Socialista sempre ou só às vezes. Quanto ao BES, as flutuações no eleitorado ainda não me permitem análise, e o discurso e as luzes baralham-me no que é importante e no que não passa de ansiedade.

        E chateia-me, porra! Os únicos partidos liderados por mulheres são tão sérios ou tão pouco dignos como os outros mas chamam muito mais repórteres. E as líderes, quase nos antípodas ideológicos, são apelidadas de histéricas. Bolas, caraças, para quando o chamarem-lhes fdp como aos outros?!
        E peço desculpa pelo desabafo a despropósito.

          1. Ainda não tinha topado essa!
            Obrigada, seria mais uma a desvirtuar o sentido :/

  3. Não aperte tanto com o Rio. Eu sei que parece desconcertante.
    O Rio precisa de tempo para se conhecer melhor a si próprio. Um genuíno conservador que, relutantemente, se imagina um progressista. No fundo Rui Rio pretende enganar-se a si próprio, pois que não engana mais ninguém!!
    Haverá, verdadeiramente, alguém que não veja em Rui Rio um conservador nos costumes (naquele sentido das pulsões culturais mais instintuais e na defesa inclemente da lei e da ordem), um liberal na economia e um ortodoxo nas finanças!? Não conheço progressista algum ou social democrata de escola (também há os social democratas à portuguesa que é uma invenção brilhante de Sá Carneiro para sintetizar o albergue espanhol aproveitando a construção do estado social que já provinha do estado da civilização ocidental e do corporativismo da anterior senhora) que vote em Rui Rio!!
    Ele há-de lá chegar, espero!!

    1. Nem mais. A Social Democracia só é recordada em campanha. E a Rui Rio falta a indignação da Social Democracia. Um conservador, neo-liberal, bom conhecedor de números, mas péssimo em saber o nome das pessoas.

      1. Como é que chamava aquele tipo, que media 1,93m, pesava 90kg e calçava 44!??

        Só não percebi essa da indignação da social democracia!! Será a social democracia uma ideologia indignada??

        1. A força motriz de um Bom homem, de um social democrata, é a de não ter perdido a vergonha de sentir vergonha perante todos aqueles que na miséria até a vergonha perderam.

          Falo da indignação necessária que leva os justos a agir, em compaixão.

          O Social Democrata faz do seu semelhante o seu deus. A Social Democracia, e mesmo o Socialismo, são as doutrinas mais próximas da doutrina cristã, por estranho que possa parecer aos mais incautos. O ateísmo do Socialismo e da Social Democracia é, como se diz, fruto de uma conjuntura histórica e não da sua estrutura doutrinária.

          Aposto Justiniano que serei apodado, não tarda, de miserável comunista e venerador de fantasmas…enfim….

          1. Oh, Vlad, não sei se a publicidade o preocupa, mas tenha a certeza de que não entraria num clube de uma pessoa só – se é que não é já membro.

            Isto também para dizer que subscrevo.

  4. Rio tão sério como parece mas não tão inocente e permeável como o querem apresentar.
    Apesar da abertura declarada não se vai deixar encharcar por Costa.
    Este, à minima tentativa de jogo viciado ou golpe rasteiro do costume leva recibo carimbado com juros retroativos à cabeça.
    Depois de cansar a vaca voadora anda por aí a parar em balão de ar quente. Que não demore a acoplagem de nave extra terrestre que o leve sem retorno até Marte.

  5. Este postal é maldoso. Até mesmo malvado. E aquilo de Rio e seu PSD viabilizar, como maior partido, um governo do PS, segundo partido, sem apoios de outros partidos, enfim … será malvadez do postal ou demência alheia, nem sei que diga …

  6. Pedro, acordei e recordei uma música do Festival RTP de 1974 que, penso e desculpe se me engano ou subverto a mensagem, talvez resuma o que pensa hoje, depois do texto de ontem…

    Quis saber quem sou
    O que faço aqui
    Quem me abandonou
    De quem me esqueci
    (…)

    A julgar pelas palavras de ontem, parece que a canção termina mesmo com “o ficarmos sós”.

      1. Enfim, como disse antes, espero para ver.

        Ontem a arena estava cheia de leões, veremos como se comporta em terrenos mais amplos e menos concorridos.

        E por falar nisso, boa sorte, hein?! Não é a praça certa, mas parece que há praças de gente a arder onde não se pode, respeitando quem está, pedir moderação – por se ser gaivota. Vejam bem…

  7. E o Pedro Correia vai ao congresso dar a cara por um clube de amigos e interesses , pode ser que lá encontre o seu ideólogo. …

    WW

    1. A propósito de ideólogos: o ideólogo de Rio apressou-se a dizer que não iria ao congresso.
      É sempre mais cómodo ser treinador de bancada e perorar nos estúdios da televisão do que misturar-se com a plebe.

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