Hades morrer – parece, assim de repente, um grito de guerra dirigido a alguém próximo, capaz de nos mover as entranhas com tal requinte que até nos inspira trocadilhos com um toque de humor negro e alguma erudição.
Mas não. Inscrito num muro perto de Chelas, rodeado de impropérios e declarações bacocas de amor assinadas a spray, a imprecação não passa de uma ironia sobre a plasticidade da nossa língua, que com um flic flac em que salta um hífen e se trocam umas letras até é capaz de aterrar airosa numa parede grafitada e surtir um grande efeito.
Mas claro que este acidente vocabular também é uma metáfora sobre tudo o que nos separa, cada vez mais, na cidade grande.


Ha-dem ver como a gente vamos começar a ter menos incidentes vocabulares, Teresa. É uma questão de tempo. 😉
Muito bem observado, Teresa. Lisboa continua a ser conspurcada por estes delinquentes da tinta. Não há praticamente uma parede da cidade que escape aos gatafunhos da ‘racaille’. A partir de agora juro que só votarei num autarca que prometa pôr fim a isto. Giuliani conseguiu, em Nova Iorque – uma cidade inifinitamente maior e mais complicada. Não há nenhum motivo para que em Lisboa isso não se consiga fazer também.
Há quanto tempo! Na altura ainda fiquei esperançada que se adoptassem as medidas que ele recomendava, mas…
Ando a amadurecer a indignação até que me salte a coragem de escrever a pedir à Ordem dos Arquitectos, dos Engenheiros, das Associações de Obras, fornecedores de caixas de electricidade, tvcabo, etc., para que os acabamentos de muros e toda a traquitana de “mobiliário e equipamento urbano” seja pintada com tinta bastante rugosa para evitar colagens (já existe em Barcelona e até tirei fotos que já enviei à CML) e anti-grafitos.
Há 2 anos enviei mail à EDP, que respondeu em 15 minutos a agradecer a “excelente” sugestão, mas…
Mas… nada, não é, Odete? Infelizmente é essa a noção de ‘serviço público’ de muitas entidades que deviam estar ao serviço dos portugueses mas não estão.
Bem visto. E se ao menos os “hadem”, e também as formas do novo verbo “tar”, etc, etc, se ficassem pelos graffiti e pelos seus autores… 🙂
Uma ‘arte’ medonha. Ainda por cima, com esse escrito da autoria de algum seguidor de Jorge Coelho…