RTP: o mau português


jmmcc,

 

Era suposto ser bom em tudo. O programa matinal da RTP-1 Bom Dia Portugal tem um apontamento chamado “Bom Português”. Ensina (?) a escrever em conformidade «com o novo acordo ortográfico». Por exemplo:
– “hectare ?”
– “hetare ?”

Depois de testar gente na rua, o apontamento diz como é e conclui invariavelmente que «assim se escreve em bom português».

Porém, valia a pena que o(s) autor(es) do apontamento e toda a hierarquia da RTP Informação soubessem escrever bom português: não existe um espaço antes de um ponto de interrogação (ou ponto de exclamação, ou vírgula, ou ponto final, ou ponto e vírgula, etc.) — bom português é saber escrever: “hectare?”

Este é um erro que a RTP ensina (?) diariamente no seu mau português escrito.

22 comentários em “RTP: o mau português”

  1. Penso que há aqui um erro de julgamento, pois que se toma por uma questão de grafia aquilo que é mais uma questão de grafismo, de apresentação gráfica. Talvez fosse útil imaginar o dito “problema” exposto num quadro escolar para perceber que o ponto de interrogação, a ser usado, não estaria necessariamente encostado à palavra.

    1. O caso é tão simples que fiquei com dúvidas quanto a responder-lhe, meu caro. Realmente, não se trata de grafismo: trata-se de, ao escrever, colocar ou “dar” (repito: colocar ou “dar”) — ou não — um espaço antes do ponto.

      1. Desculpe insistir, mas o caso não é tão simples quanto isso. A regra, essa sim, é simples; e não a ponho em causa. Todavia, em se tratando de uma apresentação gráfica, em forma de esquema, as regras de ortografia estão condicionadas à eficácia na visualização. Assim, e neste caso concreto, pode ser tolerável, aceitável, mesmo preferível espaçar a palavra e o ponto (seja com um espaço, ou meio, ou um e meio…).
        De facto, porque o exercício proposto no tal programa televisivo é avaliar da correcção ortográfica de determinada palavra, no caso dessa palavra ser apresentada com um ponto de interrogação acoplado, tal ponto torna-se um ruído de comunicação, um empecilho à correcta apreensão do vocábulo.
        Repito: num contexto de apresentação esquemática, estilo quadro de sala de aula, estando o cérebro em alerta, perante a formulação “hectare?”, a sua primeira reacção é de repugnância. Porque não existe nenhuma palavra “hectare?”; o ponto não pertence à palavra nem faz parte do alfabeto.
        Também é certo que separar o ponto da palavra pode dar azo a reacções negativas (como foi o caso, que deu origem ao post). A solução não é perfeita. Nem consensual.

        1. Nada consensual, realmente. Eu tinha já antes entendido o seu ponto de vista, mas não pode andar-se a alimentar um erro por motivos estéticos — e a verdade é que já há anos que os mais jovens teimam que existe um espaço a anteceder um ponto de interrogação e de exclamação ou admiração. Não sei como começou tal tontice, mas não aceito que isso se alastre a meios como a RTP.

          1. Nesta altura, penso que estaremos de acordo em que, no caso em apreço, se trata de um erro propositado. Erro, na óptica das regras ortográficas; propositado, porque outras razões se alevantam para além das ditas cujas.
            Discordamos na solução. O João Carvalho advoga que se menosprezem as tais outras razões, ou que sejam mesmo descartadas, para que nada interfira no cumprimento das regras ortográficas; assim evitando que os mais jovens sejam confundidos e se obstinem no erro. Eu preferiria que os mais jovens tomassem consciência das diversas (e mesmo contrárias) razões que podem estar em jogo no acto da escrita; e que aprendessem a discernir a sua aplicabilidade nas diferentes circunstâncias mediáticas.

          2. Nunca tive dúvida de que estamos de acordo no essencial. Já o seu desejo final parece-me impraticável: não se pode esperar um juízo crítico de quem não tem conhecimento bastante — e é precisamente por isso que recuso sobrevalorizar a estética à ortografia (pelo menos, no caso em apreço).

            Por fim, deixe-me que lhe diga, meu caro: não acredite no que começou por dar como provável, pois quase aposto que o erro não foi voluntário/estético. Como já referi antes, as gerações mais novas dão com frequência o mesmo erro, o que inclui certamente quem anda a fazer coisinhas destas na RTP.

          3. Sobre se o dito erro foi voluntário: se fosse eu, optaria por dar aquele erro; embora equacionasse outras soluções gráficas.
            Por outro lado, se se visionar o vídeo (disponível no site da RTP), é possível constatar que o ponto de interrogação foi usado por três vezes, sendo que numa delas se respeita a ortografia. Ou o redactor é mesmo muito estúpido, ou o erro é propositado. Eu dou como mais provável a última hipótese.

          4. Discordo de si apenas porque sei que aqueles a que me tenho referido, conforme já reparei muitas vezes, não querem saber e nem param para pensar na discordância: umas vezes fazem assim e outras fazem assado, sem qualquer preocupação de rigor. É isto mesmo que está na base do que já lhe escrevi sobre este caso.

  2. E que dizer, em todas as tv’s, do prétoguês nos rodapés que, mesmo passando a correr, têm vergonhas aos trambolhões?

    E os textos, atrasos e desactualização dos teletextos!!!

  3. Olá, João Manuel!
    Depois de tanto..oooos anos, continua assertivo como sempre…
    Será que me esqueci de alguma vírgula?
    Com as TIC, tudo fica mais simples…basta importar o “Lynce” para o novo acordo ortográfico.
    Um abraço
    Isabel

      1. Não era essa a minha intenção..
        São as iniciais de uma “velha” amiga do Porto que nunca deixou de o seguir (agora, em blog)…
        Isabel Sério, diz-lhe alguma coisa?

          1. Claro que sim…Não posso, porém, comentar muito no mundo dos blogs, apesar de ser administradora, entre as muitas coisas que faço, de uma Plataforma e pacotes de Websites..pois ainda não sei bem o que quer dizer democracia…
            A caminho da reforma…mas sempre à frente!
            Veja mais em:

            http://www.ceief.ulusofona.pt/index.php/investigadoresresearchers/associados/287-isabel-faria
            (Atenção: a foto do site está ligeiramente distorcida, he..he)

            E, como diria o outro, pode sempre enviar-me um email, né?
            Pois parece que temos um oceano a separar-nos agora, não é verdade?
            Bjinhos

          2. A minha correcção de “email” para e-mail..
            Não vá estar a cometer os mesmos erros da RTP…eh..eh

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