Era suposto ser bom em tudo. O programa matinal da RTP-1 Bom Dia Portugal tem um apontamento chamado “Bom Português”. Ensina (?) a escrever em conformidade «com o novo acordo ortográfico». Por exemplo:
– “hectare ?”
– “hetare ?”
Depois de testar gente na rua, o apontamento diz como é e conclui invariavelmente que «assim se escreve em bom português».
Porém, valia a pena que o(s) autor(es) do apontamento e toda a hierarquia da RTP Informação soubessem escrever bom português: não existe um espaço antes de um ponto de interrogação (ou ponto de exclamação, ou vírgula, ou ponto final, ou ponto e vírgula, etc.) — bom português é saber escrever: “hectare?”
Este é um erro que a RTP ensina (?) diariamente no seu mau português escrito.



Bem aparecido sejas! Em forma? Pelo post, decididamente, em forma! Ou será antes em forma ? 😉
Indo, indo, Laura. Ainda com estrada para andar, mas indo. Obrigado! Ou obrigado !
Bom regresso , ó desaparecido ! ( também não posso falar, eu sei … )
😉
Obrigado! O que mais me preocupa é eu nem saber que não podes falar! Hehe…
Penso que há aqui um erro de julgamento, pois que se toma por uma questão de grafia aquilo que é mais uma questão de grafismo, de apresentação gráfica. Talvez fosse útil imaginar o dito “problema” exposto num quadro escolar para perceber que o ponto de interrogação, a ser usado, não estaria necessariamente encostado à palavra.
O caso é tão simples que fiquei com dúvidas quanto a responder-lhe, meu caro. Realmente, não se trata de grafismo: trata-se de, ao escrever, colocar ou “dar” (repito: colocar ou “dar”) — ou não — um espaço antes do ponto.
Desculpe insistir, mas o caso não é tão simples quanto isso. A regra, essa sim, é simples; e não a ponho em causa. Todavia, em se tratando de uma apresentação gráfica, em forma de esquema, as regras de ortografia estão condicionadas à eficácia na visualização. Assim, e neste caso concreto, pode ser tolerável, aceitável, mesmo preferível espaçar a palavra e o ponto (seja com um espaço, ou meio, ou um e meio…).
De facto, porque o exercício proposto no tal programa televisivo é avaliar da correcção ortográfica de determinada palavra, no caso dessa palavra ser apresentada com um ponto de interrogação acoplado, tal ponto torna-se um ruído de comunicação, um empecilho à correcta apreensão do vocábulo.
Repito: num contexto de apresentação esquemática, estilo quadro de sala de aula, estando o cérebro em alerta, perante a formulação “hectare?”, a sua primeira reacção é de repugnância. Porque não existe nenhuma palavra “hectare?”; o ponto não pertence à palavra nem faz parte do alfabeto.
Também é certo que separar o ponto da palavra pode dar azo a reacções negativas (como foi o caso, que deu origem ao post). A solução não é perfeita. Nem consensual.
Nada consensual, realmente. Eu tinha já antes entendido o seu ponto de vista, mas não pode andar-se a alimentar um erro por motivos estéticos — e a verdade é que já há anos que os mais jovens teimam que existe um espaço a anteceder um ponto de interrogação e de exclamação ou admiração. Não sei como começou tal tontice, mas não aceito que isso se alastre a meios como a RTP.
Nesta altura, penso que estaremos de acordo em que, no caso em apreço, se trata de um erro propositado. Erro, na óptica das regras ortográficas; propositado, porque outras razões se alevantam para além das ditas cujas.
Discordamos na solução. O João Carvalho advoga que se menosprezem as tais outras razões, ou que sejam mesmo descartadas, para que nada interfira no cumprimento das regras ortográficas; assim evitando que os mais jovens sejam confundidos e se obstinem no erro. Eu preferiria que os mais jovens tomassem consciência das diversas (e mesmo contrárias) razões que podem estar em jogo no acto da escrita; e que aprendessem a discernir a sua aplicabilidade nas diferentes circunstâncias mediáticas.
Nunca tive dúvida de que estamos de acordo no essencial. Já o seu desejo final parece-me impraticável: não se pode esperar um juízo crítico de quem não tem conhecimento bastante — e é precisamente por isso que recuso sobrevalorizar a estética à ortografia (pelo menos, no caso em apreço).
Por fim, deixe-me que lhe diga, meu caro: não acredite no que começou por dar como provável, pois quase aposto que o erro não foi voluntário/estético. Como já referi antes, as gerações mais novas dão com frequência o mesmo erro, o que inclui certamente quem anda a fazer coisinhas destas na RTP.
Sobre se o dito erro foi voluntário: se fosse eu, optaria por dar aquele erro; embora equacionasse outras soluções gráficas.
Por outro lado, se se visionar o vídeo (disponível no site da RTP), é possível constatar que o ponto de interrogação foi usado por três vezes, sendo que numa delas se respeita a ortografia. Ou o redactor é mesmo muito estúpido, ou o erro é propositado. Eu dou como mais provável a última hipótese.
Discordo de si apenas porque sei que aqueles a que me tenho referido, conforme já reparei muitas vezes, não querem saber e nem param para pensar na discordância: umas vezes fazem assim e outras fazem assado, sem qualquer preocupação de rigor. É isto mesmo que está na base do que já lhe escrevi sobre este caso.
E que dizer, em todas as tv’s, do prétoguês nos rodapés que, mesmo passando a correr, têm vergonhas aos trambolhões?
E os textos, atrasos e desactualização dos teletextos!!!
E o mais que se sabe, claro. Só que a RTP eu ainda (ainda…) ajudo a sustentar, não é?
Olá, João Manuel!
Depois de tanto..oooos anos, continua assertivo como sempre…
Será que me esqueci de alguma vírgula?
Com as TIC, tudo fica mais simples…basta importar o “Lynce” para o novo acordo ortográfico.
Um abraço
Isabel
Essas iniciais confundem-me, mas agradeço e retribuo…
Não era essa a minha intenção..
São as iniciais de uma “velha” amiga do Porto que nunca deixou de o seguir (agora, em blog)…
Isabel Sério, diz-lhe alguma coisa?
Também me palpitou, mas vi-lhe iniciais a mais… Espero reencontrá-la mais vezes, Isabel. Beijinhos.
Claro que sim…Não posso, porém, comentar muito no mundo dos blogs, apesar de ser administradora, entre as muitas coisas que faço, de uma Plataforma e pacotes de Websites..pois ainda não sei bem o que quer dizer democracia…
A caminho da reforma…mas sempre à frente!
Veja mais em:
http://www.ceief.ulusofona.pt/index.php/i nvestigadoresresearchers/associados/287-i sabel-faria
(Atenção: a foto do site está ligeiramente distorcida, he..he)
E, como diria o outro, pode sempre enviar-me um email, né?
Pois parece que temos um oceano a separar-nos agora, não é verdade?
Bjinhos
O ‘e-mail’ seguiu, julgo eu.
A minha correcção de “email” para e-mail..
Não vá estar a cometer os mesmos erros da RTP…eh..eh