Tive uma égua Sorraia, era uma égua baia, de longas crinas lisas e douradas, de larga garupa, pescoço largo e cabeça altiva. Amei esta égua em toda a plenitude, amei a sua inteligência, o seu carácter, a sua dedicação e o seu voluntarismo valentia e vontade de aprender. Quando a montava, não se negava a qualquer exercício que lhe pedisse para executar; desde o passo ao galope, passando pelo trote, leve, elegante, cadenciado, em tudo colocava perfeição, tudo desempenhava com agrado e sem esforço. Demos longos passeios pelo campo, entre pinhais, passeámos no areal, entrámos juntos no mar, apreciámos até à exaustão o sabor lânguido do vai e vem do mar, nos nossos corpos. Ao fim de um dia de passeio, banhava-a, massajava-a e escovava-lhe o pêlo doirado, acariciando-a e escutando o seu leve ronronar, com se de um gato gigante se tratasse. Viviamos neste idílio, quando um dia passou ao largo do pasto onde a minha amada se encontrava retousando a fresca erva, um garanhão, Luso-Árabe, todo cheio de estilo, garboso, uma sela reluzente e uns cascos brilhantes. Parou um instante, observando-a, ela, ergueu o pescoço e farejou o ar, soltou um ténue relincho. Ele, empinou-se cortou o ar à sua frente com os cascos e soltou um relincho forte, poderoso e hipnotizante. Ela, agitou-se, sacodiu as crinas doiradas, sapateou a terra à sua volta e partiu como uma flecha, seguindo o Luso-Árabe, ambos num galope troante. Estremeceu a terra e eu com ela. Mas um dia voltará, dizem-me as estrelas, à noite, quando no prado as contemplo e lhes pergunto, se sabem por onde andará aquela Sorraia que tanto amei…
Sim, sim, Ana, passo a maior parte do tempo sentado, mas, de vez em quando, tenho de esticar um pouco as pernas mas, sempre de olhar fixo no horizonte, na esperança de avistar uma crina ondulante…
Bartolomeu, esta sua história lembrou-me o Cavalo Ruço, o fado do meu pai. Ainda bem que no seu caso não houve toiro por perto, sempre há uma esperança… 🙂
E será que também amou Teresa,Maria e Lili ? Sem que João,Raimundo e Joaquim soubessem ? E depois do que aconteceu a todos, terá casado com J.Pinto Fernandes ? ( a lei já permite …)
Tive uma égua Sorraia, era uma égua baia, de longas crinas lisas e douradas, de larga garupa, pescoço largo e cabeça altiva. Amei esta égua em toda a plenitude, amei a sua inteligência, o seu carácter, a sua dedicação e o seu voluntarismo valentia e vontade de aprender. Quando a montava, não se negava a qualquer exercício que lhe pedisse para executar; desde o passo ao galope, passando pelo trote, leve, elegante, cadenciado, em tudo colocava perfeição, tudo desempenhava com agrado e sem esforço.
Demos longos passeios pelo campo, entre pinhais, passeámos no areal, entrámos juntos no mar, apreciámos até à exaustão o sabor lânguido do vai e vem do mar, nos nossos corpos. Ao fim de um dia de passeio, banhava-a, massajava-a e escovava-lhe o pêlo doirado, acariciando-a e escutando o seu leve ronronar, com se de um gato gigante se tratasse.
Viviamos neste idílio, quando um dia passou ao largo do pasto onde a minha amada se encontrava retousando a fresca erva, um garanhão, Luso-Árabe, todo cheio de estilo, garboso, uma sela reluzente e uns cascos brilhantes. Parou um instante, observando-a, ela, ergueu o pescoço e farejou o ar, soltou um ténue relincho. Ele, empinou-se cortou o ar à sua frente com os cascos e soltou um relincho forte, poderoso e hipnotizante. Ela, agitou-se, sacodiu as crinas doiradas, sapateou a terra à sua volta e partiu como uma flecha, seguindo o Luso-Árabe, ambos num galope troante. Estremeceu a terra e eu com ela. Mas um dia voltará, dizem-me as estrelas, à noite, quando no prado as contemplo e lhes pergunto, se sabem por onde andará aquela Sorraia que tanto amei…
Bartolomeu
Desculpe a crueza das palavras mas tenho para mim que o melhor é esperar sentado…
Sim, sim, Ana, passo a maior parte do tempo sentado, mas, de vez em quando, tenho de esticar um pouco as pernas mas, sempre de olhar fixo no horizonte, na esperança de avistar uma crina ondulante…
Bartolomeu, esta sua história lembrou-me o Cavalo Ruço, o fado do meu pai. Ainda bem que no seu caso não houve toiro por perto, sempre há uma esperança… 🙂
E… a Soraia respondeu em que parede ?
Respondeu num filme, acho.
Esperemos que a Soraia não prefira paredes brancas…
Se aquela Soraia for Chaves se calhar o Zeca sou eu.
Se aquela Soraia for a Chaves, o Zeca está feito.
Feito já ele está. Percebe-se que a frase foi escrita de joelhos.
E será que também amou Teresa,Maria e Lili ? Sem que João,Raimundo e Joaquim soubessem ? E depois do que aconteceu a todos, terá casado com J.Pinto Fernandes ?
( a lei já permite …)