Romance de parede


Pedro Correia,

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Lisboa, Rua Cidade de Bissau

0 comentários em “Romance de parede”

      1. Todos morremos (em parte) quando um amor se vai.
        Esse pelo menos foi lido por si, Pedro, e fotografado. Assim, já não ficou a dor a chorar sozinha. Um abraço.

  1. Boa tarde, não querendo de alguma forma ser picuinhas ou desmancha prazeres, nem propriamente criticar quem tirou a foto e a postou no blog, no entanto não concordo nem com estes grafitis, nem sequer com a importância da mensagem nela contida que mereça honras de ser referida num blog, a não ser que seja para criticar quem anda por aí a sujar a cidade que cada vez está mais emporcalhada com este tipo de coisas. Se perguntasse a qualquer pessoa que anda por aí a sujar as paredes com isto, se em casa delas também fazem o mesmo, o que será que responderiam?

    1. Eu, que nunca escrevi nada em paredes, responder-lhe-ia assim, João Silva:

      – seu porco insensível.

      Mas isto diria eu, que não sou picuinhas, desmancha-prazeres, nem tampouco critico quem tirou a foto e a postou no bogue e que, além do mais, conto com a sua indiferença para avaliar a falta de importância deste comentário ao seu comentário.

      1. Eu escrevi em paredes, Alexandra. E gosto de ver mensagens destas. Quando pretendem de facto comunicar ou exprimir alguma coisa, como é o caso. E acho inconcebível que se possa confundir isto com “lixo”.
        Em Pyongyang, presumo, não deve haver um risco em parede alguma.

      2. Srª Alexandra g.

        Em nenhuma parte do que escrevi, fui rude, fui mal educado, ou mesmo ordinário, nem para com quem tirou a foto, ou para quem escreveu nas paredes. Não percebo por isso porque é que se dirige a mim, chamando-me porco. Ah, coisa e tal, o senhor também chamou de porco os outros implicitamente – poderia dizer-me. Repare, eu sei o que disse, mas a mim assiste-me o direito á indignação de ver a minha cidade (porque ela também é minha) de meia dúzia de indivíduos de a andarem a sujar, sem respeitarem o direito dos outros. E sujar não é um direito, manter limpo o que é de todos sim é um dever.

        Mas não me espanta muito que existam por aí pessoas que não sabem o que a democracia é, pensam que é só direitos, e que não existem deveres.

        Já que você usou de linguagem ordinária para se dirigir a mim, chamando-me porco, eu vou-lhe responder… com educação. Não, não sou porco, e não, não lhe vou responder da mesma forma ordinária, porque não sou ordinário. Nem implicitamente, nem diretamente, como você se dirigiu a mim.

        Mas olhe, não pense que eu nasci num berço de oiro, longe da merda e das dificuldades, porque não nasci. Nasci num bairro de lata, e sei o que é viver e crescer no meio do lixo. Por isso se calhar fico aborrecido quando vejo jovenzinhos a emporcalhar a cidade, sem nunca terem passado dificuldades a sério na vida.

        PS: E não queira ser ordinária comigo, porque eu tenho mais escola do que você. Você provavelmente cheira a leitinho.

      3. Mas não lhe vou responder mais, penso que foi Napoleão que disse que apenas existe uma forma de ganhar a guerra às mulheres;

        – é fugindo delas.

        E tem razão, especialmente se forem mal educadas. E como fica mal a má educação a uma senhora.

        Seja qual for o teor e o nível de má educação que utilizar na sua resposta, esteja ele disfarçado de inteligência, não lhe vou responder mais.

    2. João Silva: isto não é “sujar paredes”. A poluição visual – várias cidades portuguesas estão cheias disso, ainda há pouco estive nas Caldas da Rainha e fiquei chocado com o grau de sujidade que lá vi – relaciona-se com os riscos inconsequentes, os grafitos que não transmitem mensagem alguma: apenas servem de “assinatura” gráfica a quem por lá passa. Indiferente à estética, indiferente aos demais.
      O que vou reproduzindo nesta série é uma forma de comunicação, como há tantas outras. Transmite-se um sorriso, uma dor, uma aflição, uma palavra de ordem, um grito de raiva, um pensamento, um verso, uma palavra de amor. Não no papel ou num ecrã, mas numa parede.
      Nenhuma cidade, felizmente, está imune a isto. Porque as cidades têm vida, pulsam, têm gente dentro. As pessoas não comunicam só através de máquinas, mesmo neste nosso tempo em que nos cruzamos cada vez com mais gente cabisbaixa, olhos mergulhados em aparelhos electrónicos. Nem vêem nada à sua volta: não avistam sequer paredes como estas. E as amizades que cultivam são cada vez mais abstractas: só têm existência virtual.

      1. Pedro Correia,

        Obrigado pela sua resposta educada. Mas permita-me descordar consigo. Existem muitos locais para se fazer grafitis e que muitos são verdadeiras obras de arte, mas primeiro, quem as faz, tem o dever de respeitar a propriedade privada, ou seja, pedir autorização aos legítimos proprietários para o fazer, e, se o espaço é publico, ter o cuidado de não o sujar, porque esse espaço é de todos. E nem todas as pessoas se sentem bem em viver em locais com as paredes cheias de escritos, que na maioria delas é autentica sujeira.

        Existem direitos sim, mas existem também deveres, e a nossa liberdade termina onde começa a das outras pessoas. A arte é beleza, a arte não suja, a arte deixa as pessoas felizes e satisfeitas. Não entendo como é que alguém se sente feliz e satisfeito em viver numa cidade toda suja de garfitis, que na maior parte são autenticas borradelas tipo ” amo-te Catia Vanessa ” ou uma porcaria qualquer que significa a delimitação de território de um bando de jovenzinhos marginais.

          1. Pedro Correia,

            Tem que perceber nas frases de quem escreve, mais do que aquilo que é dito nelas, aquilo que ficou por dizer. E que muitas vezes é mais importante.

            Napoleão, provavelmente um tirano e um homem violento, foi no entanto também um grande estratega militar, um homem inteligente, e um homem corajoso, porque participava nas batalhas com os seus homens, por isso, não teria medo de morrer, não teria medo de homens, e muito menos de mulheres. Também por isso, é preciso tentar perceber o que ele quis dizer nessa sua famosa frase, que

            ” as únicas batalhas que se vencem contra as mulheres é fugindo delas “

            Eu percebo muito bem o que ele quis dizer, claro que você pode não conseguir.

      2. Diga-me uma coisa Pedro Correia, você vai visitar o centro histórico de Lisboa, digamos uma Torre de Belém, ou um Museu de Arte Antiga, que é visitado por milhares de pessoas, nacionais e estrangeiras, e ao chegar lá, dá de caras com as paredes desses monumentos cheias de garfitis, diga-me, vai achar correto, vai achar uma coisa bonita de se ver, ou pelo contrario vai dizer ou pensar que é um atentado contra a arte, contra a história, e contra as pessoas que gostam de visitar esses locais?

        Se me responder que acha bem… estamos conversados. É que, o respeito, e já nem digo pela liberdade dos outros (em não querer viver num sitio sujo) mas o respeito pela liberdade começa na nossa casa, e por isso não andamos a fazer grafitis nas paredes do nosso quarto, da nossa sala ou cozinha, e depois esse mesmo respeito estende-se à casa dos outros, e os espaços comuns, a rua onde se vive, os bairros onde vivemos, são pertença de todos, e por isso não podemos andar por aí a sujar aquilo que é de todos e não só nosso.

        Eu fui criado num bairro de lata, com esgotos a céu aberto, no meio do lixo, mas lixo físico, não lixo de pessoas, e julguei que, com o evoluir da sociedade portuguesa, porque evoluiu, hoje existe maior acesso a educação do que existia na minha infância e juventude, julgava eu que com essa maior educação as pessoas tornavam-se mais respeitadoras dos direitos e liberdades de todos, mas enganei-me, hoje, para os jovens, só querem saber dos seus direitos, porque deveres não é com eles. E julgava também que com o evoluir da sociedade e com a maior educação, as pessoas passariam a sentir a necessidade e gosto de viver em locais limpos. Mas enganei-me.

      3. E claro podia-se dizer muito mais sobre o assunto, mas faltou talvez fazer referência a algo que na atualidade assume se calhar a importância maior de todas;

        – o desemprego.

        Em especial o desemprego dos mais jovens. O país não tem recursos naturais, não tem industrias primárias, e a maior fonte de riqueza neste momento que o país tem, para gerar emprego, é o… turismo. Cada vez que se faz uma borradela numa parede da cidade e um turista vê, é um em potência um turista que não volta. Ninguém, no seu perfeito juízo, planeia gozar umas ferias num local desagradável onde as casas e os edifícios estão todos sujos com escritos. Para isso ficam onde moram porque lá também já o têm.

        Uma coisa é um prédio devoluto no meio da cidade, ser “limpo” com arte grafiti, ajuda e é importante para a cidade, pelo menos em quanto não se deita abaixo. Outra coisa é andar-se a escrever em prédios que não estão estragados. Isso é vandalismo. E destrói o pouco que ainda o país tem como fonte de riqueza para criar empregos, o turismo.

        O que você apresentou nessa foto, vá lá, como poesia, arte urbana, etc, um turista que passe e veja, não percebe o que está escrito, e a única coisa que associa é sujidade nas paredes. E é com essa ideia no subconsciente que volta ao seu país.

        1. Você confunde poesia e arte urbana com poluição visual.
          São realidades completamente diferentes. E, sim, os países de onde nos chegam esses turistas também têm disto. Ninguém estranha.
          Nada ver com os rabiscos, que são puro lixo: sou o primeiro a criticar isso. E acho que quem suja deve ser obrigado a limpar.

          1. Pedro Correia,

            Você, claro não o conheço, mas muito sinceramente parece-me uma pessoa inteligente. E não acredito que não perceba o que lhe estou a dizer, a menos claro, que esteja de má fé. O que também não acredito. Por isso, se não está de má fé, e é uma pessoa inteligente, vai entender o que lhe vou dizer a seguir;

            – Se aquele grafiti que apresentou aí na foto que postou, é arte para si, pergunto-lhe, tem uma igual pintada na porta da rua de sua casa?

            Se me disser que tem, eu não acredito. E acho que nenhuma das outras pessoas que aqui também escreveram sobre assunto vão acreditar. Porque você não tem. Alias, sendo uma pessoa inteligente deve por certo ter gosto em ter a sua casa bonita e limpa.

            – Então, se não tem nenhuma pintada na porta de sua casa, por certo foi pintar uma igual na porta de casa do seu vizinho da frente (ou do lado não interessa) e depois de o ter feito, bateu á porta, e disse-lhe, – olhe, vizinho, acabei de lhe pintar a porta com esta bela peça de arte. fez isso não fez?

            Se disser que fez, não acredito, nem ninguém acredita. E sabe porquê, porque a seguir o seu vizinho, se não lhe batesse, se não lhe chamasse uns quantos nomes feios, como a outra senhora me chamou, ia de certeza chamar a polícia para fazer queixa. E olhe que é crime. Ou então chamava, como se dizia antigamente, o Júlio de Matos, para o internar.

            Porque não cabe na cabeça de ninguém, um vizinho ir à porta de casa do outro, fazer lá uns grafitis dizendo que é arte, e este aceitar aquilo como sendo normal.

            Então, o que você faz, não pode fazer na porta de sua casa, porque não a quer suja, nem está para levar com aquilo todos os dias quando sai para trabalhar. Não pode fazer na porta de casa do seu vizinho, que o conhece, porque este ficaria muito chateado consigo, e chamava a polícia. Só lhe resta…. ir para longe e fazer isso na casa de outras pessoas que não o conhecem, e de preferência que não o vejam a fazer.

            Ou seja, na sua casa é porcaria, mas na casa dos outros, é arte. E pobres coitados vão ter que levar com essa arte todos os dias sempre que saem para ir trabalhar. Porque você, não, isso é que era bom. Pintar a porta de minha casa?

            Pedro Correia, se não perceber isto, bom, prefiro pensar que está de má fé.

          2. Usa três vezes a expressão “má fé”. Está tudo mais que dito: o seu ponto de vista ficou expresso com clareza, o meu também. Fico-me por aqui.

          3. Não percebeu, pronto. Não tenho qualquer prazer nisso. Pelo contrário. Resta-me cumprimenta-lo, e agradecer-lhe a educação e correção como sempre se dirigiu a mim. Obrigado.

  2. Só quem não sabe o que é sofrer pela perda de alguém (independente do tipo de perda de que estejamos a falar) não se comove com esta imagem. Felizmente, e agora falo de um tipo de perda específico, é como dizia a Duras: pensamos sempre que iremos morrer, mas depois não morremos e seguimos em frente.
    Abraço.

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