Rogério Alves: «Chorei pela última vez no dia 24 de Abril de 1974»


Pedro Correia,

Rogerio-Alves.jpg

 

«Gosto muito mais de conduzir, em sentido próprio e em sentido lato»

 

Foi o mais jovem bastonário da Ordem dos Advogados – função que desempenhou entre 2005 e 2007. Hoje os portugueses conhecem-no sobretudo por ser presidente da Assembleia Geral do Sporting, cargo que já ocupava, num primeiro mandato, quando o entrevistei. Confirmando nesta conversa telefónica o que já lhe conhecia anos antes, dos bancos da faculdade: o seu sentido de humor e a sua imensa facilidade em comunicar.

 

Tem medo de quê?

Do discurso dos demagogos, do poder dos medíocres e da sua relação causa-efeito.

Gostaria de viver num hotel?

Há hotéis magníficos. Mas prefiro viver em casa.

A sua bebida preferida?

Apesar da vastíssima gama de tentações, continuo fiel à cerveja.

Tem alguma pedra no sapato?

Não. Porque não conseguiria viver com ela durante muito tempo.

Que número calça?

43.

Que livro anda a ler?

Um livro de David Yallop intitulado Em Nome de Deus, sobre a morte do Papa João Paulo I. E releio o Dom Quixote, um prazer imenso.

Tem muitos à cabeceira?

Costumo ter bastantes, de temáticas diferentes, tanto quanto a vastidão dos meus interesses.

A sua personagem de ficção favorita?

O Astérix.

Rir é o melhor remédio?

Não tenho a mais pequena dúvida. Gosto muito de rir, de fazer rir e que me façam rir. Felizmente em Portugal não faltam episódios e personagens hilariantes.

Lembra-se da última vez em que chorou?

Em 24 de Abril de 1974. Não por qualquer premonição, mas porque nesse dia o Sporting foi eliminado pelo Magdeburgo nas meias-finais da Taça das Taças. Ainda não havia sistema, mas parecia.

Gosta mais de conduzir ou de ser conduzido?

Gosto muito mais de conduzir, em sentido estrito e em sentido lato.

É bom transgredir os limites?

É bom, mas custa caro. Dizia o Bertrand Russell que a nossa consciência é o medo que os outros descubram.

Qual é o seu prato favorito?

Um magnífico bife com batatas fritas e o competente ovo a cavalo.

Qual é o pecado capital pratica com mais frequência?

A gula. Pratico-o em pensamentos, actos e poucas omissões.

Costuma cantar no duche?

Gosto muito de cantar, embora não goste de dar música.

E a música da sua vida?

Escolho duas: Shine on your crazy diamond (dos Pink Floyd) e My Way (de Frank Sinatra).

Sugere alguma alteração ao hino nacional?

Para proteger a longevidade do hino, sugiro que se abra um amplo debate que espero que seja, como os demais, tendencialmente inconclusivo.

Com que figura pública gostaria de jantar esta noite?

Com Nelson Mandela [falecido em Dezembro de 2013].

As aparências iludem?

E muito! Não se deve confundir uma obra-prima de mestre com a prima do mestre-de-obras.

Qual é a peça de vestuário que prefere?

Uns jeans.

O seu maior sonho?

Ter ainda tempo e força para deixar aos meus filhos e aos filhos dos outros um mundo muito melhor.

E o maior pesadelo?

Não conseguir inverter a onda de egoísmo que grassa entre as pessoas – directamente proporcional ao número de vezes em que falamos de solidariedade.

O que o irrita profundamente?

Em concreto, a falta de pontualidade. Mais genericamente, a frequente vitória da demagogia sobre a pedagogia.

A melhor forma de relaxar?

Ouvir música enquanto se tem um bom diálogo com bons amigos.

O que faria se fosse milionário?

Gastaria dinheiro com frequência regular em coisas úteis e boas para mim, os meus e os outros.

Casamentos gay. de acordo?

Confesso que é uma ideia à qual não me consigo adaptar. Não por preconceito mas por conceito.

Uma mulher bonita?

Raquel Welch. E Sharon Stone.

Acredita no paraíso?

Acredito na vida para além da morte – e espero bem que seja um paraíso.

Tem um lema?

Querer é poder.

 

Entrevista publicada no Diário de Notícias (19 de Julho de 2008)

26 comentários em “Rogério Alves: «Chorei pela última vez no dia 24 de Abril de 1974»”

  1. Gostei da diferença entre conceito e preconceito.
    O significado das palavras.
    Casamento, etimologicamente, tem a ver com casal.
    Casal significa um menino e uma menina.
    “Tem um par de meninos”; significado que determinada pessoa tem dois filhos do sexo masculino.
    “Tem um casal” significa que determinada pessoa tem um filho e uma filha.
    Casamento gay, totalmente, de acordo em relação a todos os direitos salvaguardados, inclusive, a adopção de crianças, no entanto, com outro nome, no auge desta discussão, a minha proposta era chamarem-lhe: Contrato de União.
    (muito boas algumas respostas de Rogério)

    1. no entanto, com outro nome

      Assim como não se pode dizer “manteiga de amendoim”, porque o nome “manteiga” está reservado por lei para uma gordura derivada do leitinho. Tem portanto que se dizer “pasta de amendoim” ou coisa semelhante. Há certos nomes que, dada a sua extrema importância, precisam de uma lei que os proteja. É o caso de “casamento”, que não pode ser utilizado para uma coisa que, na verdade, não é um casamento, embora pareça sê-lo e para todos os efeitos práticos até o seja mesmo.

      1. “embora pareça sê-lo e para todos os efeitos práticos até o seja mesmo.”
        Meu caro,
        Parecer não tem o mesmo significado de ser, de facto. Para efeitos práticos não é. Não é, porque o casamento não é um mero acto contratual. Portanto, não se adultere o sentido de casamento com união de facto.

    2. “a minha proposta era chamarem-lhe: Contrato de União.”

      Alternativas: gaymento, homossexualmento, homomento, lesbiamento

    3. É uma das situações do relacionamento humano, que me faz muita confusão: a homossexualidade
      No entanto, Pedro Oliveira está a fazer confusão entre casamento e acasalamento. Casamento é o acto de casar, e só em termos religiosos é que surge “entre um homem e uma mulher”

      1. É por isso que na Natureza os acasalamentos entre mamíferos são sempre entre um macho e uma fêmea. Não há dúvida que os mamíferos são religiosos.
        Já os caracóis, que praticam penetração mútua simultânea, parece que não são nada religiosos.

      2. A homossexualidade não me faz nenhuma confusão. Os relacionamentos entre adultos é com cada um, cada um saberá o que é melhor para si.
        Apenas comentei a resposta de Rogério Alves, é ele que fala em conceito.

      3. Está aqui uma fake news que ao abrigo da nova legislação neofascista deve ser penalizada com toda a força e forca:
        “e só em termos religiosos é que surge “entre um homem e uma mulher”.
        É mentira. O casamento é a tradição humana mais antiga e disseminada no mundo; e sempre esteve associada à união entre homem e mulher.
        A palavra significa cerimónia, contracto…
        Até ao século XI, e não só, ainda hoje ocorre isto, os casamentos serviam também para perpetuar alianças entre famílias e de manter o poder económico.
        O cristianismo na sua tradição espiritual escreve metaforicamente sobre a união do noivo e da noiva, sendo um compromisso entre a pessoa e Deus; e afirma ainda: “o que Deus une jamais o homem separará”. Significa isto que, onde existe este amor e esta relação de amor, não existem nem forças nem instituições que os possam destruir.
        Mas como muitas vezes as relações são de interesses e mercantilistas, como é o caso do prazer que o anónimo refere, é natural que as uniões nunca se verifiquem de facto e se observe uma prostituição do conceito. Portanto, o que refere é um acto mercantilista: uma espécie de permuta.
        Sobre o gayismo e o lgbtismo, cada um faça o que quer. Mas ninguém em nome disso poderá subverter jamais o conceito e a estrutura do casamento. Escrevam o que escreverem e legislem sobre o que quiserem, será sempre uma corrupção da antropologia social e, consequentemente, contra-natura.

        1. A “Porto Editora” tem de dicionarizar mais concretamente: só religiosamente é visto como sendo entre homem e mulher, sendo em primeiro lugar uma cerimónia simplesmente.

          1. É mesmo? E só ao fim de milhares de anos foi necessária uma lei aberrante para transformar isto? Até que esta acontecesse sempre foi e será uma cerimónia entre homem e mulher. O que decorre a partir disto é contra-natura. A lei não altera nada.
            Se era assim, porque andou durante anos no armário?

  2. Lembra-se da última vez em que chorou?

    Em 24 de Abril de 1974. Não por qualquer premonição, mas porque nesse dia o Sporting foi eliminado pelo Magdeburgo nas meias-finais da Taça das Taças.

    Coitadinho, um puto de 12 anos de idade a chorar porque o seu clube foi eliminado.

    Qual é o significado disto? Nenhum. O choro de um puto de 12 anos por um motivo fútil não tem significado nenhum.

    1. Nessa frase as palavras-chave são “premonição” e “sistema”. Com um bocadinho de miolos, chega-se lá. Uma dica: a premonição refere-se ao “estado a que chegámos”, sistema refere-se à batota institucionalizada destinada a proteger o benfica e os socialistas.

      Pronto. Fiz-lhe a papinha toda. Você nem teve de pensar. Assim não evoluímos nada, pá.

      1. V., não consultei nenhum arquivo, mas desde 1974 quem ganhou mais campeonatos de futebol e outras modalidades em Portugal e quantos anos estiveram os socialistas no poder, o bloco central não conta.?

        1. Quantos anos estiveram os socialistas no poder? Estiveram quase sempre e depois da “cee” é tudo socialista, pouca diferença existiu entre uma coisa e outra.

          Do futebol não quero saber mas o problema do benfica não é o futebol nem quem ganha no fim. além da batota e do jornalismo amigo e da publicidade permanente ao benfica nas tevês, o problema maior é o benfiquismo ter-se transformado numa “social currency” que abre muitas portas e que como eu já tinha avisado há bastante tempo tinha (tem) mais a ver com o ramo imobiliário e com jogadas nos bancos do que com o futebol em si. Não falem de igualdades, nem de direitos, nem de coisa nenhuma porque essa conversa é toda uma treta enquanto estes cancros —benfica e ps— subsistirem no nosso país. E se isso é o país, como afirmam, então o país tem de ser destruído.

          1. O V é anti benfica e ps, isso é lá com ele, e quanto a batota e jornalismo amigo é conforme se queira.
            Agora vá para o Porto e arredores quase até Coimbra com essa conversa e dizem-lhe: mas que conversa é essa? vai-te ….. aqui não há desses.

          2. ‘encanto estes cancros subsistirem no nosso país’.
            Quando ao ps é fácil, não votar neles, já quanto ao benfica como é vai ser?
            Ah! já sei: é proibido ser do benfica, acaba-se com estrada de benfica, com a junta de freguesia de benfica, e tudo o que seja benfica será queimado, garrotado, enforcado, salgado (cuidado com este) até há não sei quanta geração, incluindo a destruição da estátua do marquês por causa dos festejos ali realizados.
            E como diria o outro, não há pachorra para quem não tem o sentido do ridículo

    2. “Qual é o significado disto? Nenhum. O choro de um puto de 12 anos por um motivo fútil não tem significado nenhum.”

      Teve significado para aquela criança .Nem tudo tem de ter significado para o balio.

  3. “Ouvir música enquanto se tem um bom diálogo com bons amigos”- Ou não gosta de música ou não gosta de dialogar. Não é possível, com qualidade, as duas coisas ao mesmo tempo.

    1. Também eu, Dulce: se há coisa que me irrita é a falta de pontualidade, infelizmente tão portuguesa. E as reuniões intermináveis para discutir coisa nenhuma. E o culto que prestamos às redundâncias, simbolizado na expressão “já agora” – quase sempre usada para adiar seja o que for.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *