Rochas orçamentais


Rui Rocha,

 

Isto não está fácil para ninguém. Por isso, lá em casa, os Rocha também aprovaram um orçamento restritivo para 2011. Com medidas duras. Pelo lado da Despensa e pelo lado das Receitas. Explico. Para o ano, só entram na Despensa produtos de marca própria. A minha filha (uma perigosa esquerdista radical) chegou a propor marcas impróprias e um novo imposto sobre a Banca de Jornais onde compro os desportivos! Coisas de quem não pertence ao arco da governação doméstica. As propostas da populistazinha foram chumbadas por uma coligação promovida pelo meu Sogro. É um homem com imagem austera e dificuldades de dicção. E gosta de ler a Bola sem gastar tostão. Adiante.

 

Ainda do lado da Despensa, vamos reavaliar a compra de um Trem de Cozinha da $algado & Coelho que já tínhamos encomendado. Permite cozinhar a alta velocidade. Mas, não cabe na Despensa. Na verdade, só íamos utilizá-lo quando os nossos amigos espanhóis viessem cá a casa. Depois de irem à praia. Gostam muito de praia, os espanhóis. E fazem centenas de quilómetros só para… Pois.

 

Do lado das Receitas, quisemos transmitir serenidade aos mercados. Só vamos cozinhar Receitas sem nomes agressivos. Despedimo-nos ontem da Desfeita de Bacalhau. No Sábado, dissemos adeus ao Bacorinho no Espeto. E vai acabar também a Cerveja de Pressão. Pois é. Ninguém disse que ia ser fácil… Sinto, todavia, que é possível ir mais longe quando entrarmos no Debate das Especialidades. Adiante.

 

Vamos apostar nas Exportações. Um exemplo? O meu Cunhado. Costumava almoçar cá em casa ao Domingo. Exportei-o para a minha Sogra. Comuniquei-lhe por e-mail, para poupar em chamadas. Mas, nem tudo são rosas. Tinha a intenção de acabar com Serviços e Institutos duplicados. É o caso do Instituto de Beleza da Micas Cabeleireira. A minha Mulher vai lá duas vezes por semana. Uma chegava! Deixei cair a proposta para poder manter a Sport TV3. Cedi para salvar o essencial. Já nos Serviços de Manicura fui inflexível. Doze vezes por mês e nem mais uma. Acreditem, é um corte brutal com o passado…

 

Entretanto, a execução orçamental preocupa-me. A minha Mulher esteve no Google a ver o significado de reavaliar. Se calhar, a questão do Trem de Cozinha não ficou bem esclarecida. Cá por coisas, fiquei com almofada orçamental. Se a coisa descarrilar, passo a portajar os meus Sogros quando vierem visitar a filha. É dinheiro em caixa: os velhotes não têm filha alternativa.

 

Agora, se permitem, vou ali a uma Cimeira com a Frau Rotweiler. É a alemã que mora aqui em frente. Andou a dizer ao Zé do Talho que ele vai perder parte do dinheiro que lhe devo de uns bifes do lombo. Lixou-me. Estas coisas sabem-se… O Tobias do Minimercado aumentou logo os preços. E já ameaçou que vai deixar de me fiar a mim e aos outros tesos do Sul da Rua. Tobias or not Tobias, eis a questão. Felizmente, o Chinês também fia. É um homenzinho estranho. No outro dia, apanhei-o no meu jardim com uma máquina de calcular na mão. Uma coisa é certa. Ou a alemã se cala, ou conto ao bairro todo que ela está feita com o francês, o Cestcommeci. E vai tudo ao Fundo. Foi o que aconteceu ao Long John, o Irlandês da porta ao lado. Tinha muitos problemas com a Banca, coitado…

31 comentários em “Rochas orçamentais”

  1. Bem-vindo à equipa, Rui.

    Por estes lados, como se vê, os efeitos restritivos do OE de 2011 não se fazem sentir. O nosso Mourinho, que aqui se chama Pedro, nunca o permitiria. Daí que, no mercado de inverno, sejamos os primeiros a contratar.

    1. Muito obrigado, Sérgio. Temos é que falar baixinho. Se no Ministério da Defesa ouvem falar em folga orçamental, ainda aparecem a pedir algum para pagar os ordenados de Dezembro.

      1. Pior do que isso, Rui, ainda nos pedem uns trocos para comprarem uns submarinos para a Ria Formosa (o Paulo Portas tinha pensado nisso anteriormente em virtude de não se conseguir livrar de uma praga de mexilhões que está em todo o lado e já passou os 10 milhões)

  2. Ora então seja muito bem-vindo à barricada delituosa, Rui! Logo com um primeiro post a obrigar-nos a subir os níveis, hein?
    Gosto desta gastronomia de crise, que só não poupa no humor. Mas, a avaliar pela belíssima bateria da foto, eu chamar-vos-ia antes “Rochas Ornamentais”.

    1. Muito obrigado, Ana. Uma coisa lhe garanto: não vamos poupar em nenhum dos Outros Motivos para Amar Portugal com que a Ana nos for iluminando os dias. E pronto, confesso… só hoje já foram dois pratos de leite creme.

  3. Parabéns, Rui. Por duas razões. Por ter integrado a melhor equipa da bloga e por ter humor.
    Há pouca gente com graça, o que é bem diferente de engraçado. Parece mentira, mas para se ter humor é preciso levar tudo muito a sério…
    Sei do que falo porque vivi muitos anos com o melhor escritor de humor português, o Ruy Andrade, dos Parodiantes de Lisboa.

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