Riscos


Luís Naves,

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A adoração do dinheiro é a mola da sociedade contemporânea. Estão a ser publicados numerosos artigos sobre o que se sabe das novas tecnologias de inteligência artificial (IA) e é citado um estudo segundo o qual 10% dos cientistas envolvidos no desenvolvimento da IA consideravam possível que estes programas acabassem por destruir a humanidade. No New York Times, um autor (David Wallace-Wells) colocava a seguinte questão: quantas pessoas embarcariam num avião se soubessem que tinham 10% de probabilidades de morrer? O que sabe é que a tecnologia digital está a ampliar as diferenças de rendimento e há receios de que a IA provoque uma calamidade nos empregos ligados ao conhecimento. Um estudo da Goldman Sachs dizia que 18% do trabalho pode ser automatizado, o que implica 300 milhões de trabalhadores redundantes. Há ainda avisos como este, com Elon Musk entre os signatários. O que leva empresas a investir numa tecnologia tão arriscada? Isso talvez seja explicado pela natureza humana. Estamos dispostos a apostar a própria existência e, no entanto, para além dos perigos, isto tem possibilidades fantásticas: a ilustração em cima foi feita por uma IA, Dall-e, com escassas instruções.

13 comentários em “Riscos”

  1. As “possibilidades fantásticas” de software como Dall-E, Stable Diffusion estão assentes sobre a utilização de centenas de milhares de obras sem consentimento dos seus autores para treinar um algoritmo. Na prática, o que essas aplicações fazem é roubar os trabalhos de artistas para depois lhes roubar o ganha-pão. E para quê? Para produzir coisas como a que ilustra este artigo.

    Não, os sistemas de machine learning (é disso que falamos, não estamos perto da Singularidade) não vão destruir a Humanidade, pelo menos não ao estilo Skynet. Mas nas mãos de quem os controla – e o palerma do Musk não é um actor inocente aqui, ou não estivesse ligado à OpenAI – vão contribuir para mais miséria e para mais desigualdades. São os piores cenários da ficção científica cyberpunk. Isso parece-me evidente.

    1. Mas as pessoas inspiraram-se sempre nas obras dos outros “sem consentimento” porque é que aqui é diferente?

  2. Quer dizer que podemos ter esperança com negacionistas e fake news sobre estes assuntos, o quer dizer que está montada a tramoia.
    Afinal tudo começou com as linhas de montagem de automóveis.

  3. a utilização de centenas de milhares de obras sem consentimento dos seus autores para treinar um algoritmo

    Não é violação dos direitos de autor. Não necessita do consentimento dos autores.

    Violação dos direitos de autor é divulgar a obra publicamente. Agora, utilizá-la para treinar um computador, não é proibido.

  4. 10% dos cientistas envolvidos no desenvolvimento da IA consideravam possível que estes programas acabassem por destruir a humanidade […] quantas pessoas embarcariam num avião se soubessem que tinham 10% de probabilidades de morrer?

    (1) Quem fica destruído é a humanidade, não é o cientista que participou no desenvolvimento da IA.

    (2) Nenhum cientista deixa de investigar algo que pode investigar por causa das possíveis consequências. A investigação é fascinante e tem um interesse próprio para o cientista. A não ser que o impeçam de o fazer, nenhum cientista que o seja deixará de investigar algo que pode investigar.

  5. Esta parece a posição que os luditas tomaram em relação aos teares mecânicos. O mal não está em o ser humano ser substituído pela máquina.
    O que é necessário é que a vantagem de ter uma máquina a trabalhar em substituição dos homens não seja toda apropriada por poucas pessoas.

  6. pode ser que consigam substituir governos por programas de ia. já ficávamos a ganhar com a desaparição do emprego político

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