Rio a correr para a foz


Sérgio de Almeida Correia,

image.aspx-3.jpeg

 (DN/Pedro Grandeiro/Global Imagens)

 

Da vitória de Rui Rio, neste momento, pouco mais se poderá dizer de que ainda estão todos a digeri-la. Os militantes e simpatizantes do PSD e os dos outros partidos.

Em o todo caso, o resultado alcançado não deixa de ser lisonjeiro para o vencedor. Participaram menos militantes do que em 2010, mas bem mais do que nas três anteriores eleições, tendo o líder sido eleito com mais votos do que Passos Coelho nos três anteriores escrutínios, ou do que aqueles que foram obtidos, respectivamente, por Marques Mendes, Menezes e Ferreira Leite em 2006, 2007 e 2008.

O partido sai dividido, mas o resultado apresentado por Rio é melhor do que inicialmente se poderia esperar, atendendo aos anti-corpos que contra si existiam. O carisma de Santana Lopes, a sua experiência, a empatia com as bases, e o facto de ser um antigo líder e ex-primeiro ministro foram insuficientes para derrotarem Rui Rio. O resultado de Santana Lopes, acima dos 45%, longe de ser uma humilhação – Paulo Rangel obteve 34,44% em 2010 – coloca um ponto final nas suas ambições. Talvez esteja na hora de deixar de “andar por aí”.

Claramente fracturado – a sul do Tejo, Rio só venceu em Faro – o partido vai ter necessariamente de se unir para construir uma alternativa de Governo, embora a perspectiva de lá chegar, salvo uma catadupa de erros políticos de António Costa, se afigure por agora como remota.

Rio tem desde já a tarefa de começar a arrumar a casa, libertando o partido dos “emplastros” de que se rodeou Passos Coelho e que ajudaram a afundar a anterior liderança, trocando-os por gente mais bem preparada, politicamente mais qualificada e que seja capaz de navegar pelas questões de actualidade sem ignorância e arremedos populistas. A ver se com Rio não aparece outro deputado a dizer que o Governo anterior tinha “proibido” a legionella.

A presença ao lado de Rio, no discurso de vitória, para além do presidente da sua Comissão de Honra, do experiente Nuno Morais Sarmento, que nos últimos anos tem sido um dos críticos do caminho trilhado pelo PSD e da forma como o partido se deixou enredar pela estratégia de grupos, grupinhos e grupelhos ligados aos jotinhas e ao poderoso lobby autárquico, não pode deixar de ser visto como um sinal da necessidade de mudança e de ser conferido outro peso, político e jurídico, à direcção do partido.

Para o CDS-PP a ascensão de Rio à liderança do PSD será factor de risco acrescido para o seu crescimento e sobrevivência com alguma dimensão que lhe permita voltar a aspirar a ser governo. As hipóteses do CDS-PP manter o actual protagonismo tenderão a esfumar-se. Com Rio, o acantonamento à direita tornar-se-á mais evidente, ficando mais difícil a pesca nas águas do centrão.

Quanto ao PS convém que tenha presente que a aliança à esquerda começará a ser mais periclitante à medida que nos formos aproximando do final da legislatura e o cenário eleitoral for ganhando contornos. A novela da Auto-Europa está aí a prová-lo, funcionando como balão de ensaio de alguns movimentos à sua esquerda. Neste cenário não será de colocar de lado um reforço da liderança de António Costa, com o consequente cerrar de fileiras dos seus indefectíveis e do partido em torno do líder. A evolução da conjuntura económica e os resultados em matéria de finanças públicas têm ajudado a manter a vela enfunada, mas daqui para a frente vai ser preciso algo de mais sólido. A margem de tolerância ficará cada vez mais reduzida.

A mudança de liderança num partido com a história e o peso do PSD é sempre motivo de atenção. E de esperança para quem acredita na regeneração das instituições e dos homens, confiando na existência de partidos fortes e com gente credível para renovar o regime e fortalecer a democracia, assegurando em todos os momentos modelos alternativos e consistentes de governação.

8 comentários em “Rio a correr para a foz”

  1. Espero que Rui Rio traga tudo isso que se espera. A bem da democracia. Que uma oposição forte e bem estruturada ajuda a definir o governo.

  2. Sobre Costa:
    Já se esqueceu que enquanto simulava negociações com Passos andava a tratar da vidinha nos subterrâneos do segredo.
    É longa a lista deste saltitão alpinista.
    Rio irá na onda?

  3. Não acredito na democracia representativa.
    Nem a acho necessária e muito menos indispensável nos dias que correm.
    Por isso, nem devia pronunciar-me.
    No entanto, arrisco dizer que, para o País, Rio é o mal menor.
    Tem sido bastante crítico do funcionamento do regime.
    E nisso estamos de acordo.
    Só que ele acredita na regeneração.
    E eu não.
    João de Brito

    1. http://expresso.sapo.pt/politica/2016-06-07-Os-sete-trabalhos-de-Portas

      1 – Paulo, o construtor
      2 – Paulo, o comentador
      3 – Paulo, o professor
      4 – Paulo, o exportador
      5 – Paulo, o orador
      6 – Paulo, o consultor
      7 – Paulo, o formador

      Qual é mesmo a formação profissional de Portas? Antes do Governo, zero experiência empresarial…depois falem nos xuxas…

      Vergonha…ou neste caso falta dela!

      Venha a Oprah

  4. Quando Francisco foi eleito Papa, no mesmo dia em que se conheceu essa eleição, tive oportunidade de afirmar que muito mudaria sem que rolassem cabeças. De uma outra forma, João Paulo II abriu-se ao mundo, contribuiu para derrubar o muro, conteve de certa forma os ímpetos da teologia da libertação, que tendia a confundir-se com um partido político, e, em simultâneo, entendeu que a denominada ortodoxia também tinha lugar na Igreja. E fez bem.

    Vem isto a propósito para referir que a época das revolução terminou para dar lugar às evoluções. Aliás, o cristianismo é isto mesmo, e tem a sua marca d´água a oriente e a ocidente. Outra coisa seria falar sobre os cristãos. Mas isto não é o propósito.

    Rio poderá não ser contestado sob o ponto de vista da capacidade técnica, mas a questão é política uma vez que a técnica só é possível implementar-se com uma acção política bem definida. Pois os mercados nada mais são que as pessoas.
    Como tal, os resultados eleitorais internos demonstram que o número de não votantes reflectem a volatilidade da sociedade. E neste sentido, nos tempos hodiernos já não se governa na caverna e para a caverna.
    Rio na sua estratégia revelou pretender governar para este círculo e neste círculo, e talvez por isto se tenha colado a António Costa para poder apresentar algum trabalho em 2019.
    No imediato parece pretender varrer o ambiente, para também mostrar trabalho aos internos. Com um partido de tal forma bipolar, duvido que este procedimento seja o mais adequado. Creio que Rio e seus assessores deverão pensar na sua própria regeneração.

  5. De boas intenções está o inferno cheio.
    Mais dia menos dia será mais do mesmo. O actual sistema eleitoral, monopolizado por todos os partidos -como se viu na “Lei do enriquecimento partidário”- obriga-os a, para sobreviverem, perder qualquer réstia de virtude original. Não é de crer que Rui Rio, ou outro qualquer político, consiga implantar uma correção ao sistema que o elegeu e aonde quererá sobreviver.

  6. De boas intenções está o inferno cheio.
    Mais dia menos dia será mais do mesmo. O actual sistema eleitoral, monopolizado por todos os partidos -como se viu na “Lei do enriquecimento partidário”- obriga-os a, para sobreviverem, perder qualquer réstia de virtude original. Não é de crer que Rui Rio, ou outro qualquer político, consiga implantar uma correção ao sistema que o elegeu e aonde quererá sobreviver.

  7. Rio deve, rapidamente, escolher o seu combate e adversários, eventualmente percebendo que eles estão fora do PSD, na tralha e propaganda gerigonça e nos revivalismos socretinos que foram restaurados pelo xuxa Costa e aquela brigada de reais “emplastros” que, de CV, pouco mais têm as ligações familiares, serem “amigos” ou “amigalhaços”, paridos em “alapamentos das “jotas”, ex-emprateleirados de academias & afins, e vidinhas que sem as ordenhas e “serviços” de e ao Estado seriam despojadas de obra e de capacidade de ganhar a vida com o seu proprio trabalho.

    Se perceber isto, terá critério para tudo o resto – inclusive o “arrumar de casa” no partido que o elegeu para líder, depois de ter andado a governar o País em estado de Bancarrota alegremente cultivada pelas tralhas que hoje se passeiam como santos de andor, com vernizes a tapar carunchos.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *