
[Fotografia de Horácio Villalobos (Corbis via Getty Images)]
Interessante relato na Visão da RGI (Reunião Geral Infarmed) de ontem: a “narrativa” levou um tiro no porta-aviões. Clama Costa que a ministra Temido afinal não é o máximo, que a dra. Freitas (“ide visitar os idosos, sede solidários”) só atrapalha com a sua atrapalhação, que os sacanas dos doutores esparvoam quando se atrevem a que a culpa disto tudo afinal não é dos putos que festejam. E pontapeia os gajos dos hoteis e dos restaurantes para que se amanhem com a falta de clientela – que ele já fez o que tinha a fazer, até trouxe a Champions. Ainda por cima o mascarado Rodrigues fala-lhe em “segunda vaga” do covídio, sem o avisar antes, qual Centeno, num “ninguém me diz nada”? Barafusta que a “culpa não é minha”, levanta-se, num adeusinho “que já se faz tarde”, segue à sua vida e dá as costas àquela malta, ali deixada a entreolhar-se até um bocado aflita com a zanga do Chefe. Até o Sousa, que ainda julgava ser o presidente.

Costa fez-se rodear de gente da sua confiança, o que não quer dizer gente competente. A Sr.ª Temido tem de comer e calar.
Três meses.
A preocupação foi com as praias (espaços abertos, e onde só vai quem quer) e os seus semáforos, mas ninguém foi capaz de pensar nos transportes públicos.
Exemplificativo das prioridades e do raciocínio desta gente (que nunca devem ter metido a peida num autocarro em hora de ponta).
Para ler
https://oinsurgente.org/2020/06/23/as-me lhores-frases-durante-sobre-a-crise-pand emica/
Um autocarro em hora de ponta é um ajuntamento de mais de cinco pessoas. Mas é um ajuntamento legal.
Há um ano atrás festejávamos os passes sociais a 30/40€, arrancaram bancos às carruagens e prometiam o reforço de autocarros (que nunca aconteceu).
2065, Junho, 23
Cumpriu-se hoje a sentença transitado em julgado da acção que foi interposta em tribunal pelo presidente da câmara de Pão-de-Ló: em Lisboa, o monumento a homenagear Martim Moniz foi retirado e a toponímia que o recordava renomeada.
“- Finalmente fez-se justiça. Desentalamos a pobre alma, fechamos a porta e assim podemos iniciar a cerca sanitária à cidade. Estamos a pensar nas Linhas de Torres – disse o presidente ovorino.
– No próximo Carnaval celebraremos esta vitória e homenagearemos aqueles que por ela lutaram num merecido carro alegórico – acrescentou.”
Por sua vez, o alcaide de Lisboa, Fernan El-Merdina, declarou-se satisfeito com o final do enredo:
“- Como é sabido nunca contestámos a acçao. Desejávamos esta sentença e nunca percebemos porque razão foi recusado um acordo. Lisboa, a nossa Jerusalém, herança dos nossos avós, regressa ao nosso legado. Celebraremos na Masjid da Mouraria em oração especial.
Ainda tentamos obter mais declarações de Fernan El-Merdina, mas este desculpou-se com a necessidade de acompanhar o serralheiro que ia trocar a fechadura à porta.
Smoreira
2065, Junho, 23
Ontem, no velhinho aeroporto militar de Figo Maduro do complexo aeroportuário da Portela Sempre Um, a ministra da Saúde Farsa Temerosa, ao som da Internacional, assinalou em cerimónia solene a entrega do quadrigentésimo nonagésimo primeiro (491º) ventilador comprado à ex-República Popular da China em 2020.
No fim da solenidade, aproveitou para informar os cidadãos da República Popular de Portugal que até ao final do mês seriam recepcionados os restantes equipamentos.
Smoreira
Ventiladores dos chinocas na volta veem com defeito!
Já conhecia a notícia. Se há algo que me permite não levar o covidezinho a sério, este algo espelha-se nas polémicas inúteis e estéreis que o bichinho tem proporcionado um pouco por todo o mundo.
Desde o pangolim ao morcego, passando por Xi Jin Ping Pong com o Trump e Bolsonaro e outros mais, a criaturazinha tem criado água pelas barbas, ainda que saiba que isso de ter barbas agora está mais para um lado que para outro, outro que agora depila-se.
A equação é deveras simples: seguindo e segundo a teoria evolucionista, se metem a macacada na jaula, o bicho não entra; se metem a macacada à solta, o bicho pega. Se a macacada fica na jaula, morre enjaulada; se a macacada vem para a rua, sujeita-se a voltar à jaula.
Perante tal equação, o governo da República decidiu muscular as cidades e criar uma série de coimas dissuasoras. Porém tais coimas, ao abrigo do estado de calamidade e de contingência e até mesmo de emergência, ficarão sem ser pagas porque o pessoal está tesinho até ao tutano.
Entretanto o pessoal atento fica puto da vida com a série que passou na RTP com estórias de encantar crianças sobre o aborto, a homossexualidade e coisas mais. Isto é: um tema onde o bichinho em causa não entra mas que se entende de utilidade pública para que a criançada, que certamente viverá momentos de crise identitária generalista, possa sair do armário para melhor se expor.
O Costa está desiludido com a ala feminina, talvez por isso tenha colocado a Jamila em campo. Uma política reconhecida pela sua extensa competência e uma pose digna de uma belle toujour.
Sempre que a “mensagem não passa” recorre-se ao aparelho.
Foram uns meses bem passados, com os bichinhos a passearem nas nossas ruas, mas agora chegou a hora do regresso à realidade (e não à nova normalidade, como apregoavam os marketeers de serviço). O vírus não desapareceu só porque o pessoal se confinou, nem os problemas do país (nomeadamente nas periferias das grandes cidades) se resolveram por obra e graça do Espírito Santo. Ficou tudo exactamente na mesma, tirando o facto de andar (quase) tudo de máscara. Fica é mais complicado para os artolas aldrabarem as pessoas com os seus recitais de propaganda bacoca.
E calma que em Setembro regressa a escola. Estamos a pouco mais de dois meses, e de momento há zero planeado (para lá de voltar a miudagem toda e seja o que Deus e o Corona quiserem).
Jamila Belle toujour!!!
Tu estás a precisar de usar oculos….