Doem-me as fotografias. Muito as mais antigas, daquelas a preto e branco. Mas doem-me tanto também tantas mais recentes. É assim desde que mudei a pergunta. Cada vez que vejo uma fotografia já não quero saber quem são os que ali estão, mas quem foram. A pergunta é a mesma para os que já partiram e para os que ainda estamos. As fotografias a uns anos, por vezes a umas horas de distância, já só me retratam ausências. É por isso que fujo cada vez mais de as ver.
Retratos da alma
Rui Rocha,

Percebo muito bem as tuas palavras, Rui. Lembro-me de cada fotografia, do momento em que foi tirada, do que se disse antes e depois.
A ausência pesa ainda mais quando as revisitamos. Por elas e por nós.
Se escrevesse sobre as memórias que cada imagem destas me suscita tinha um livro pronto em pouco tempo. Mas é um livro que não me apetece escrever.
Como eu te entendo, Rui.
Somos dois a fugir delas. Também eu fujo, mas só das de cores, porque só me trazem sofrimento, desalento, revolta, angústia e para que a memória não me traia, arrumei-as num cantinho do meu cérebro e fechei-as numa gaveta, bem fechada, para que os olhos não caiam na tentação de as ver e a angústia se instale para sempre na minha vida.
Isto logo a seguir a uma das minhas “imagens ao domingo” faz-me suspeitar. Lembrará aquela imagem alguma infeliz recordação da adolescência ;)?
Mais a sério: compreendo a tua ideia, é algo que me passa pela cabeça quando vejo velhos colegas a “postarem” fotografias dos tempos da escola no Facebook. Não fosse a nostalgia boa de voltar a encontrar alguns amigos e a nostalgia má de saber o que se perdeu provavelmente ganharia.