Em 2012 só lerei clássicos. Totalmente nas tintas para as “novidades” editoriais. Sobretudo quando escritas no aberrante aborto ortográfico.
Resolução de ano novo
Pedro Correia,
Em 2012 só lerei clássicos. Totalmente nas tintas para as “novidades” editoriais. Sobretudo quando escritas no aberrante aborto ortográfico.
Pedro, assim é também…e para começar “Ilíada”…vou fazer um percurso cronológico.
Um clássico por mês. Depois darei notícia aqui do que for lendo.
E se comprar um Kindle até os lê à borla.
Sou muito ‘old fashion’, caro José. Um livro é para mim um objecto insubstituível. Felizmente não me faltam clássicos por ler ainda nas estantes domésticas.
Eu já estou farto de me debater com problemas de espaço. Primeiro foi o itunes, depois foi o kindle. Confesso que ambos os instrumentos primeiro estranhei-os, depois entranhei-os. Posso multiplicar livros e música à vontade, sem ter que acrescentar mais metros de estantes aos que já infestam a casa.
Sei bem o que são problemas de espaço. Tanto que até tenho livros espalhados por três casas. Ao fazer uma das minhas mudanças periódicas, leguei alguns caixotes de livros a uma biblioteca pública – nada se perde, tudo se transforma.
Há outros, pelo contrário, de que jamais me separarei. Livros com dedicatórias personalizadas, escritas pelo respectivo autor – de Jorge Amado a Saramago, de Franco Nogueira a Manuel Alegre, de Pedro Homem de Melo a Manuel António Pina, de Dinis Machado a Arrabal.
Nenhum kindle pode substituir isto.
Eui comprei um kindle há um par de anos. Até lhe acho piada mas raramente o uso. Também gosto mais do papel. Curiosamente, nos últimos tempos tenho usado mais a aplicação kindle para Windows Phone (também há para as outras plataformas) do que o próprio kindle. É super-prática para as ocasiões em estou à espera de alguém (ainda por cima, chego muitas vezes adiantado).
Tens a certeza de que és português, JAA?
Sou, sou. As minhas falhas notam-se noutras áreas. Por exemplo, sou péssimo a responder a mails atempadamente. 😉
Hum. Por acaso já me tinha constado isso.
Nem mesmo as novidades culinárias … com receitas adaptadas à crise?
Duvidooo!
Só mesmo novidades sem aspas. Dispenso as outras.
Eu sou muito de novidades e pouco de clássicos mas agora vou tentar ler o que já cá tenho.
Também eu, Leonor. Um clássico por mês. Aqui está um programa que tentarei seguir à risca em 2012.
Acabei há uns dias de ler o meu primeiro livro do ano mas nada de clássicos. Li O Retorno da Dulce Maria Cardoso.
Eu quero ler um clássico por mês. Mas espero ter tempo para ler algo mais no que sobrar de alguns meses, pelo menos no Verão.
Boa ideia Pedro,
vou fazer o mesmo. Não sei por onde começar… <
Tens alguma sugestão?
É que 12 meses não chegam para os clássicos…
Tenho sugestões, claro. Uma por mês. Em breve irei dizendo.
Eu também faço questão de ler alguns clássicos (no fim-de-semana passado alinhavei até uma listinha com alguns livros que já devia ter lido e que faço questão de ler este ano) mas não recusarei as novidades – desde que publicadas em inglês, francês ou português ‘clássico’.
Fazes bem, JAA. Ou clássicos. Ou em escrita clássica. Há que defender as minorias – incluindo as consoantes mudas. Noblesse oblige.
Insto que publiquem essas listas, se faz favor.
A título de serviço público pode ser? Não para quem gasta mal gasto, mas pelos que ficam a pagar.
E já agora, que tal recomendarem as bibliotecas? Sim, por favor?
Ó Pedro não me diga isso. E um livrinho de cozinha, escrito à antiga, não vai? Para oferecer à mulher da sua vida? Ou até à sua Mãe? Ou à sogra, presente ou futura, também não?
Está bem, Helena. Abro uma excepção para um livro de culinária à antiga. Em homenagem antecipada à sogra futura.
Um livro de culinária à antiga é um livro com boas receitas caseiras e experimentadas e escritas em português moderno, isto é sem a ortografia brasileira de 1930. 🙂
Boa ideia, Pierre. Eu tenho os meus clássicos mais ou menos arrumados, mas lá me faltará um Stendhal ou um Greene.
Não queria, todavia, ignorar as novidades editoriais. Não me parece certo. Algumas hão-de escapar a tal sorte e, também, contra todas as evidências, esta nossa “luta” pode não ser uma causa completamente perdida.
Pois, Ivone. Há as novidades, as eternas novidades. Mas o tempo é um bem escasso. Deixei de ler vários clássicos por dar prioridade às “novidades”, com ou sem aspas. Algumas delas tresandam a velharia imprestável logo nas páginas iniciais.
Este ano ficar-me-ei pelos clássicos. Ainda por cima é ano bissexto. Temos mais um dia para ler.
Só “um Stendhal ou um Greene”? Queres convencer-me de que leste os Balzacs todos…? 😉
jaa, isto é uma figura de estilo!
Mas olha que tenho o Balzac mais ou menos … espera: nunca li Le lys dans la valée.
Queres convencer-me de que leste os outros 90 ou lá quantos são? 😉
(Eu sei que é uma figura de estilo. Estou a só a implicar contigo.)
O lírio do vale é um livro a ler ? Tsc tsc…. Tem bons conselhos – condensados numa carta – que as senhoras de outros tempos davam aos seus jovens apaixonados sobre os modos de progredir na sociedade. Creio que é a Senhora de Meurtsauf e do apaixonado já me esqueci do nome.
Mas eu disse que era um livro a ser lido? Disse, apenas, que não o tinha lido 🙂
Confirmo. A Ivone disse apenas que não tinha lido isso.
Já percebi que se escreve muita asneira e com muitos lapsos em comentários da net. Afinal não somos dactilógrafos… Neste caso falo de mim: o Lírio do Vale é, em meu entender, um livro a ler e penitencio-me se, involuntariamente, pareceu que o condenava presunçosa e veementemente. Agradeço o modo simpático como, por educação – afinal está em sua casa – aquiesceu ao que parecia uma condenação definitiva. ortsauf
A carta de Mme. de Mortsauf a Félix é muito conhecida e as indicações que contém continuam aplicáveis.
As minhas desculpas.
Deixo o link para este Balzac: http://fr.wikipedia.org/wiki/Madame_de_M
Nada de grave, caro(a) c. 🙂
Confirmo: nada de grave mesmo.
sugiro vivamente «O burro de ouro», de Apuleio, na excelente tradução da Cotovia. Deliciosamente clássico 🙂
Obrigado pela sua sugestão. Todas serão bem-vindas.
Eu em 2012 só (re)lerei clássicos. É que novidades já pouco lia (quase sempre lamentava o dinheiro gasto nas ditas novidades), e agora não há dinheiro para clássicos que ainda não li. Releio de momento «1984» de George Orwell.
Eu quero mesmo ler clássicos. Ou seja: obras consideradas marcos da literatura que por algum motivo nunca li. É curioso: em Portugal nunca ninguém lê clássicos. “Relê-se” sempre. Basta conferir o que dizem os políticos e outras figuras públicas aos jornais nos questionários de Verão.
Eu também gostaria de «ler». Tenho uma lista de desejos enorme. E nem sequer tenho o hábito de «reler», deve ser o segundo ou terceiro livro que estou a reler (exceptuando livros de poesia); assim de repente só me recordo de ter relido «manhã submersa» e «O Principezinho». Mas como já não tenho livros por ler em casa, tenho mesmo que reler. Só espero que isso não faça de mim um político 🙂
Cuidado com as releituras, André. É o suficiente para aparecer num desses inquéritos de Verão.
Tinha um colega que resolveu começar a cultivar-se em música clássica e foi por aí fora por ordem alfabética.
É só uma sugestão.
Agradeço a sugestão. Mas se esse critério fosse aplicado ao cinema nunca mais chegava o momento de ver ‘Zorba, o Grego’.
Estou nessa!
Não consigo sequer “absorver” esta língua indescritível que me obriga a pensar e me tira o prazer de ler.
Tudo me parece fora do sítio, volto atrás para traduzir.
Entende-se?
A novilíngua do aborto ortográfico que suprime o P de sumptuoso, entre outras aberrações?
Do Prof. Doutor Luiz Fagundes:
« Este acto leviano foi perpetrado a três tempos, cada um deles acrescentando estupidez à estupidez do anterior: primeiro houve o tempo zero, que foi aquele em que dois ou três ditos linguistas pariram a ideia (que, essa sim, deveria ter sido objecto de aborto higiénico) de que a Língua Portuguesa, na sua vertente ortográfica, é uma coisa que se pode mudar de acordo com as modas, como se fosse uma cirurgia estética do tipo Lili Caneças.
Foi a estupidez originária.
Veio de seguida o momento em que o Estado Português aprovou o produto das ditas parideiras de ortografia, sem discussão nem auscultação dos profissionais e investigadores do sector – como se fosse competência do Estado actual mexer com a Língua Portuguesa que já existe, documentada, desde o século VIII (estamos, como se sabe, no século XXI).»
[…]
Chegou agora o momento em que o Estado Português decretou que a partir do passado dia 1 de Janeiro toda a gente – bem, o próprio Estado e seus servidores obedientes – passasse a escrever a Língua Portuguesa não de acordo com o que mais de mil anos de história foram apurando, mas sim de acordo com o que o clube de senis que é a Academia das Ciências de Lisboa resolveu fazer entre duas partidas de sueca – relativamente ao qual apenas existe um único parecer favorável: o da própria Academia das Ciências de Lisboa, assinado pelo obscuro linguista que foi o seu autor.
Foi o terceiro momento, o do Reino da Estupidez (expressão que peço emprestada ao grande Jorge de Sena).
Como cidadão, e como linguista e professor que se ocupa da História da Língua Portuguesa, e porque entendo que – primeiro – o Acordo Ortográfico é um chorrilho de asneiras desnecessárias e inúteis, e que – segundo – não compete ao Estado decidir como é que eu devo escrever a língua que herdei dos meus antepassados (e que escrevo tal como a Sr.ª D. Graziela me ensinou na escola primária da Serreta), do mesmo modo que não compete ao Estado decidir que remédio deverei eu utilizar para as dores nas costas (competência que apenas reconheço ao meu médico), declaro aqui solenemente que me recuso a escrever o Português à maneira atoleimada e anti-histórica que me tentaram impor.
Este é, até ao momento, o meu único acto de desobediência civil.
Mas é consciente.»
Isto de um dos mais reputados, modernos e reputados linguístas portugueses.
Pois! Escreves “sumptuoso” e consegues ver o interior de uma sala num filme de Visconti. Escreves “suntuoso” e não verás mais do que uma cozinha engordurada.
Ler clássicos foi sempre uma predileção (???) minha, pelo que nem faço esforço algum.
Mas é isso, a questão do acordo hortográfico, que retira as consoantes mudas, como é o caso de homem…
Ninguém se entende mesmo, nem os autores do dito, ou do respetivo.
Se a estupidez pagasse imposto, quanto ganharia o governo em cada fatura?
Não há pachorra!
Há, à ou á?
«Fa(c)tura», «espe(c)tador», «pere(mp)ntório»… Parece que vivemos no reino da estupidez.
Será que o Minderico vai associar-se ao acordo?
Se assim for “o penostra de S.Bento” não vai “penetrar na piação do Charales do ninhou” mesmo com “marinhas dos mirantes”.
Antes o minderico do que o acordês, meu caro José da Xã.