5 comentários em “Resistência activa ao aborto ortográfico (31)”

      1. Do Dr. Victor Guerreiro (http://criticanarede.com/ed1.html)

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        Do Dr. Victor Guerreiro (http://criticanarede.com/ed1.html)
        <Um dos objectivos da reforma ortográfica de 1911 era pôr fim à chamada "ditadura da etimologia", aproximando a escrita da fonética. Assim, em vez de escrever "physica" e "philosophia", que sob esta forma estão mais próximas da sua fonte latina e grega, passámos a escrever "física" e "filosofia". Daqui resultam alguns factos interessantes. Os ingleses escrevem "physics" e "philosophy" e no entanto a sua fonética é muito diferente da fonética do latim ou do grego antigos. Exactamente em que sentido é que "filosofia" e "philosophia" são foneticamente divergentes? Parece que o próprio objectivo de aproximar a ortografia da fonética é uma ideia com credenciais lógicas duvidosas. A simplificação da escrita é tanto uma aproximação à fonética como a simplificação da notação musical é uma "aproximação" aos fenómenos acústicos — duas notações diferentes exprimem os mesmos fenómenos acústicos, a simplicidade da notação nada tem a ver com a relação entre notas e sons. Nem sequer podemos afirmar, portanto, que com os reformadores passámos à "ditadura da fonética": a fonética de "filosofia" é compatível com uma ou outra grafia, a menos que no tempo de Eça de Queiroz os utentes do português pronunciassem "philosophia" como se estivessem a ler grego antigo. Tão-pouco os utentes do inglês pronunciam "philosophy" com a fonética grega antiga. Não lembra ao diabo que em inglês haja ou tenha havido uma cisão entre a fonética e a ortografia, porque simplesmente não há leis "fonográficas" estritas. É tão disparatado afirmar que escrever uma palavra com menos letras aproxima a grafia da fonética como afirmar que imaginar um cisne com menos penas torna a nossa imagem mental do cisne mais "próxima" do cisne real.>

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