Rescaldo de um jogo em futebolês


Pedro Correia,

 

— Boa noite. O que achaste deste jogo tão emocionante?

— Duas palavras bastam. Em futebol o desequilíbrio pode tomar números absolutamente impensáveis. Tivemos aqui um choque entre um modelo de jogo e a estratégia. O modelo de jogo que mais gosto de ver é aquele que tem posse de bola e futebol largo e tentativa permanente de domínio do adversário. A dimensão estatégica do jogo, ou seja a abordagem em concreto do adversário, pode ser determinante sobretudo quando estamos perante duelos a eliminar. A equipa vencedora teve uma abordagem de quatro-quatro-dois inicial procurando diagonais com mais uma unidade ofensiva mas defendendo sempre com duas linhas de quatro e subidas. Apertou sempre a construção dos centrais e dificultou muito a saída da turma antagonista. E travaram os corredores, que são o grande ponto de força dos rivais, com um futebol mais rendilhado. Podemos chamar àquilo um quatro-dois-três-um, mas aquilo em rigor é quatro-dois-quatro. Jogaram com os extremos projectados, muito na órbita dos laterais, e em subida permanente. Os outros, sem um médio de recuperação de bola, revelaram uma estratégia quase suicida. Falharam a abordagem estratégica, mas isso pode sempre acontecer aos melhores. Fiz-me entender?

— Bem… não propriamente. Não te importas de repetir tudo outra vez, mas um pouco mais de-va-gar?

— Impossível, pá. Já não faço a menor ideia do que disse.

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2 comentários em “Rescaldo de um jogo em futebolês”

  1. Como se diria em futebolês:
    – Foi uma saída limpinha, limpinha!
    ou em linguagem do CEO
    – valha-lhes o DEO.

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