O PSD venceu as eleições. Não fiquei minimamente surpreendido. Sempre admiti a derrota do PS, embora não esperasse que fosse tão esmagadora.
Sem ter ainda feito a análise comparativa dos resultados com as Europeias de 2004, parece-me claro que o PSD, embora vencendo, não foi tão demolidor como o PS que, na altura, venceu com 44,1% dos votos.
Uma análise breve ao comportamento de cada um dos partidos:
PSD – Não foi Manuela Ferreira Leite que ganhou as eleições, mas sim Paulo Rangel. MFL andou escondida na primeira fase da campanha e só apareceu quando percebeu que o seu candidato poderia fazer uma gracinha. Ainda chegou a tempo de capitalizar a vitória, pela qual pouco lutou.
Digo, desde 2007, que Paulo Rangel tem todas as características para se tornar num político de sucesso. Algum deslumbramento pode traí-lo, mas iniciou hoje uma nova fase na vida do PSD e pode servir de alento a MFL para as legislativas. Pedro Passos Coelho foi o grande derrotado e a noite das “facas longas” ficou adiada, mas a alternativa a MFL terá de esperar. Santana Lopes e Rui Rio também perderam, mas podem reverter essa perda com vitórias claras nas autárquicas. Aguardemos por Outubro, mas o PSD tem agora boas condições para vencer as legislativas.
Resta saber o que irá fazer com essa vitória, (que não será certamente com maioria absoluta…) mas farei essa análise no próximo post.
PS – Derrota humilhante de Sócrates. Pagou pela má escolha do cabeça de lista e já era tarde quando se apercebeu disso. Ao entrar na campanha deverá ter pensado que poderia catapultar o seu candidato para a vitória e imediatamente pela sua cabeça passou a ideia de capitalizar essa vitória para reforçar a sua debilitada imagem pessoal.
Na hora da derrota Sócrates mostrou-se igual a si próprio: arrogante.
Talvez hoje, pela primeira vez desde que foi eleito secretário-geral do PS, Sócrates tenha percebido que não compensa rodear-se de súbditos e capangas que o bajulam e que a criação de uma central de informação que tudo seca à sua volta, não é suficiente para ganhar eleições. Os portugueses não querem outro SNI e hoje disseram-lhe, sem rodeios, que estão fartos de o aturar. Dificilmente o PS conseguirá inverter, nas legislativas, esta “dinâmica de derrota”. No dia seguinte às eleições Sócrates abandonará o partido, deixando-o à deriva. Na Cova da Beira talvez já se perfilem vários candidatos à sucessão, mas se o PS quiser voltar a ser um partido de esquerda, a solução não passará por aí.
BE – Neste momento continua a lutar taco a taco com a CDU pela obtenção do 3º deputado. Seja qual for o resultado, será outro grande vencedor destas eleições. Não acredito que mantenha a percentagem e o número de votos nas legislativas, mas poderá atrapalhar as contas finais.
CDU – Igual a si própria. Se forem ultrapassados pelo BE, os comunistas elegerão como principais adversários nas próximas legislativas o PS e os bloquistas. Infelizmente, a CDU não aprende. Alia-se mais facilmente ao PSD e à direita do que ao PS ou à esquerda.
CDS – Grande mistério de todos os actos eleitorais. As sua votações são sempre muito mais expressivas do que indicam as sondagens. Será que quem vota no CDS tem vergonha de o declarar? Aguentou os seus dois deputados e nas próximas legislativas poderá fazer valer esse peso para negociações com o partido vencedor.
Mais surpreendentes do que a vitória do PSD foram, em minha opinião, as vitórias de Sarkozy e Berlusconi. O PSOE – embora derrotado – aguentou-se bastante bem.

Não achei Sócrates arrogante hoje, Carlos. Achei-o irritado, tenso, impaciente e até um bocadinho desorientado. Hoje fugiu-lhe o rei da barriga…
Você observa bem em geral, apenas gostaria de acrescentar alguns pormenores.
A MFL tem o mérito de ter ecolhido o Rangel, contra a vontade do partido. Não apareceu porque não tem jeitinho nenhum para aparecer, mas, vá lá, desta vez manobrou bem.
Aliás tanto ela como o PP manobraram bem, ao escolher os seus melhores candidatos para estas eleições, para partir por cima para as próximas.
Sócrates foi vencido não pelo PSD mas pela sua própria arrogância. Escolheu um candidato ridículo, pensando que ele, sócrates, podia escolher quem quisesse; e tem conduzido muito mal os seus dossiers pessoais (engenharia e freeport).
Realmente o futuro é negro, pela falta de governabilidade que teremos com as legislativas. Mas isso é outra (longa) história.
E só uma nota pessoal: adorei ver o PCP, impávido, a dizer que tinha ganho. Surreal.
José Couto Nogueira
Surreal, de facto.
Perplexo, mas o PCP ganha sempre, onde está a perplexidade não é Pedro Correia?:)