1. Na noite em que finalmente se legitimou como vencedor nas urnas, ao conseguir um número inédito de presidências de câmaras para o PS, António José Seguro viu fugir-lhe no entanto 240 mil votos em comparação com os eleitores atraídos por José Sócrates nas autárquicas de 2009, tendo o PS recuado cerca de dois pontos percentuais. Faltou-lhe somar uma clara vitória aritmética à vitória política: isto é essencial para assegurar condições que lhe permitam formar governo após as próximas legislativas. Sem depender excessivamente do complexo jogo de alianças partidárias.
Primeiro desafio: como atrair os eleitores que viraram costas ao PS?
2. O PS obteve o maior número de câmaras mas recuou em simultâneo em diversas capitais de distrito, perdendo a maioria de mandatos em quatro (Braga, Guarda, Évora e Beja, sendo particularmente duras as derrotas nas duas primeiras, que eram bastiões socialistas desde as primeiras autárquicas, realizadas em 1976), enquanto conquistava apenas Coimbra e Vila Real ao PSD. Recuperar o terreno perdido nestas cidades tão emblemáticas é indispensável para um lider partidário que ambiciona conduzir os socialistas a um novo ciclo governativo.
Segundo desafio: como recuperar o voto perdido nas sedes distritais?
3. No discurso de vitória eleitoral em Lisboa, antecipando-se com notável argúcia à legião de comentadores, António Costa sublinhou a necessidade de os partidos alterarem os mecanismos de funcionamento e abrirem-se à sociedade. Não especificou, mas aludia sem dúvida à péssima gestão de conflitos internos da direcção socialista que levou o partido da rosa a perder as câmaras de Matosinhos, Grândola, Alcácer do Sal, Borba, Cerveira e Trofa, entre várias outras. Seguro, que depende do aparelho partidário talvez como nenhum secretário-geral do PS antes dele, entendeu certamente o recado. Alterar esta situação é fundamental para reforçar a vitalidade política dos socialistas.
Terceiro desafio: como abrir o PS à sociedade?
4. Não é prudente confiar na falta de memória dos eleitores. O PS continua a ser visto, em largos sectores da sociedade, como o partido que trouxe a tróica para Portugal. Este é um estigma de que Seguro precisa de se libertar — tarefa nada fácil, por se tratar de uma evidência histórica, mas não impossível pois na altura o actual líder socialista integrava a tímida oposição interna ao executivo de Sócrates. Para esse efeito, o PS terá de se apresentar cada vez mais como parte indispensável da solução de modo a fazer esquecer aos portugueses que foi parte decisiva do problema.
Quarto desafio: como dissociar o PS da tróica?
5. Seguro tem um problema acessório, que decorre da complexa relação de forças na esquerda portuguesa. Enquanto o CDS funciona à direita enquanto parceiro natural do PSD, assumindo-se como complemento deste partido na aritmética governamental e parlamentar, o PS não beneficia de cenários simétricos à sua esquerda. O PCP é uma espécie de bloco de granito, permanecendo imune ao canto de sereia socialista, enquanto o Bloco vive mergulhado em indefinições estratégicas que o amarram mais à rota dos comunistas do que a eventuais aproximações ao centro-esquerda. Mas não há impossíveis em política, como a coligação vitoriosa na corrida à câmara do Funchal acaba de demonstrar.
Quinto desafio: como construir pontes que conduzam à margem esquerda?


são muitos números para o Tzero !
O segundo desafio é espúrio. Hoje já nem sequer há distritos, a não ser para fins eleitorais nas eleições legislativas. As antigas capitais de distrito são, para todos os efeitos práticos atuais, povoações como quaisquer outras.
Cheira a “Estão verdes, não prestam…”
Cheira, mas não é.
Nas eleições legislativas, tanto faz ganhar no concelho de Viseu como no concelho de Sátão ou no de Lamego. O que interessa é o total de votos no distrito (neste caso, de Viseu), não a parte do distrito onde eles foram depositados.
Nas eleições municipais, o que conta para a presidência da Associação Nacional de Municípios é o número total de câmaras ganhas e não se elas são de municípios populosos ou não. Mas, mesmo que o critério da população fosse importante, nem por isso as capitais de distrito adquiririam relevância: os municípios de Loures ou Gaia são muitíssimo mais populosos do que os de quaisquer capitais de distrito com exceção de Porto e Lisboa.
Por isso, este critério das capitais de distrito é completamente sem sentido. Ainda para mais quando já nem sequer há distritos…
O que interessa ? Para quem? Para a Associação Nacional de Municípios (ANM)?
A mim, como satense, já que o Sátão foi citado, a ANM, como órgão de estado, de poder, tem a relevância política que tem, escassa, na minha modesta opinião. As leituras destes dados acomodam-se sempre, pelo menos parcialmente, à simpatia política de quem as faz ! Mas no fundo, alguém ganhou alguém perdeu !
A relevância, a interpretação,o significado,são, naturalmente(?) diferentes, e não tão que ver apenas, sublinho apenas, com nºs (de votos, de freguesias, de municípios.
É a opinião dum satense…
AMSaraiva
Eu proponho que a sociedade se organize sem tutelas obrigatórias não negando abertura á participação dos partidos.
Mas sem partidos não há democracia, Bento Norte.
Eu também quero que fiquem mas sem o exclusivo do sistema. Só funcionarão decentemente sentindo-se acossados ombro a ombro pela sociedade que os alimenta.
Parcialmente de acordo consigo. Sou, portanto, adepto da abertura de candidaturas independentes às eleições legislativas, algo que ainda hoje a nossa Constituição não permite.
O principal desafio de Seguro é fazer crer que é líder de um partido, mas que esse partido não é o PS dos últimos 30 anos, nem o PS de Mário Soares… parece-me impossível, mas há crentes para tudo!
Qué los hay, los hay.
Digam lá… a carinha dele não vos parece a dum bispo da IURD?
… Cura os doença incurável… chora com velhinha reformada com 1300 E X mês… baixa preço dos comida dos restaurantes e roulottes … aumenta os salário…
Homem bom deste só santo memo…
Pois!
Mas importante mesmo é o único desafio de uma enorme maioria dos portugueses, essa sim, de uma ‘transversalidade social’ a toda a prova, e que é; COMO CORRER O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL COM ESTA CAMBADA DE INCOMPETENTES QUE NOS DESGRAÇA.
É que já estamos em ponto Tiririca, pior que isto não fica!
“Correr” com alguém, em democracia, só através do voto.