Durante os últimos dias reavivou-se um curioso debate sobre as virtudes e defeitos do republicanismo e da monarquia, com excelentes contributos (ler por exemplo o Carlos Abreu Amorim, o Henrique Raposo ou o João Távora). Basicamente, o que tenho a dizer sobre este assunto foi sintetizado por James Madison, em 1792:
“Uma república envolve a ideia de direitos populares. Uma república representativa escolhe a sabedoria, a qual numa aristocracia hereditária é uma hipótese [chance], excluindo ademais a opressão dessa forma [de governo].”
Com efeito, o republicanismo permite escolher os mais competentes para a acção governativa ou para exercerem funções de soberania (e substituí-los caso se revelem inaptos), enquanto um modelo hereditário submete os destinos do povo a um acaso (a existência putativa de um soberano capaz). No primeiro caso, a virtude política é seleccionável; no segundo, resume-se a uma eventualidade. It’s that simple.
Dir-me-ão: mas numa república o povo pode de qualquer forma escolher um governante idiota. Pois pode. Mas não deixará de ser o idiota que o povo escolheu, e não o idiota que lhe calhou em sorte.

Em conclusão, em Portugal temos sempre direito a um idiota…
abraço e boa semana
Caro José Gomes André: acima de tudo estimo a forma cordial como expõe os seus argumentos (aliás de peso).
Nós monárquicos reclamamos que nenhum regime deve estar acima de discussão, para mais quando as provas de ineficácia são muitas. A clausula constitucional que não permite a discussão do regime deveria ser debatida, e a palavra república substituída por “democracia”, pois essa sim jamais pode ser posta em causa. Contra a teoria mais racional temos que ter em conta a eficácia: o homem não é só razão. Tome em conta estes argumentos:
1 – desde o fim do absolutismo, os regimes sanguinários são e foram republicas.
2 – Não chegam 99 anos de republica em Portugal para provar a sua ineficácia? Onde está a meritocracia? Onde está o nosso progresso?
Cordeais cumprimentos,
Obrigado, caro João pelas palavras simpáticas. Eu concordo consigo: a questão não é tanto de modelo, mas de eficácia do modelo. Em todo o caso, não vejo a “república” como ponto de chegada, mas como ponto de partida. Parece-me o que mais responsabiliza os governantes e o que melhor legitima a acção governativa. Há um longo caminho a percorrer para consolidar este modelo e criar mecanismos de “boa governança”? Sem dúvida. Um abraço amigo, JGA
E sou republicana por isso, José, gosto de viver num sistema onde somos livres de escolher os nossos idiotas e se não servirem escolhermos outros a seguir.
E eu, Leonor. Beijos!
Vou tentar contribuir para este tema ainda hoje, José, mas tenho estado com interrupções de acesso. Já perdi, à conta disso. um texto que estava preparado para entrar nesta caixa.
Vou fazer outro testo para entrar em ‘post’, porque também me parece que há aqui comentários um tanto ao lado do que tenho por importante. Com todo o respeito que todos me merecem, está bom de ver.
a Republica é sistema mais sensato apenas porque, tal como sistema democratico para governação, permite ás sociedades desfazerem-se de maus chefes de estado sem necessidade de sangue ou revolução.
E permite salvaguardar um chefe de estado que seja bom ou mesmo razoável, de estar no poder o tempo suficiente para se tornar mau.
Essas são as virtudes do sistema, pois que, ao contrário do sugerido, nenhum sistema permite tornar os homens virtuosos.
Obrigado, Gabriel, pelo comentário. Subscrevo o essencial, embora não tenha percebido se a expressão “ao contrário do sugerido, nenhum sistema permite tornar os homens virtuosos” tinha sido sugerida por mim. Jamais a poderia defender: a meu ver (isto é muito “federalist papers”, eu sei), o objectivo das instituições políticas é simplesmente enquadrar a natureza humana de modo a que as virtudes existentes possam ser capitalizadas, e os defeitos diminuídos. Não acredito porém em sistemas de engenharia humana, muito menos quando envolvem instituições políticas, necessariamente imperfeitas. Um abraço!
Passados cem anos e ainda (quase) ninguém concluiu que a Republica é um regime falhado, onde a escolha do representante, se é que podemos chamar a esse individuo representante da nação, é irrelevante. Já nao se respeitam os costumes, a história desta pátria. Confunde-se democracia com Republica. Completamente distintos.
Cumprimentos
Este post nao passa de uma falacia:
Numa monarquia constitucional um monarca, pode ser escolhido não so pela lei do herdeiro mais velho quanto á capibilidade destes, o monarca antecessor pode juntamente, opcionalmente, reunir o seu conselho para decidir qual dos seus sucessores serão os mais capazes para exercer a sua função: representar a sua pátria, obviamente que este processo é opcional no entanto a familia real será educada sempre, da melhor maneira possivel, para exercerem todas as funções que lhes são competidas portanto o facto de na monarquia o futuro se tratar de uma hipotese é uma noção completamente erronea ate porque todos os membros da familia real são educados e conscializados desde sempre para garantir a estabilidade politica e social, pode nao ser um regime onde o chefe de estado nao e eleito por voto popular mas existe um efeito de estabilidade que nao existe numa republica que ao inves da monarquia na republica o chefe de estado, apesar de haver um processo democratico (que apesar de ser uma coisa positiv é uma coisa negativa) o futuro sera sim neste caso ao acaso, e impossivel a maior parte da população conseguir julgar se um candidato e mais capaz que outro, até porque estas decisoes sao feitas com base no progama presidencial de um candidato, na sua popularidade e pior qual é o partido politico que o apoia num orgao de soberania que se diz “neutro quando se trata de assuntos parlamentares”, mais existe um factor que torna menos desiquilibrado este processo, por exemplo pode existir, objetivamente, um candidato presidencial mais capaz que seus adversarios, que contudo e apoiado por um partido com muito menos popularidade do que por exemplo um candidato menos capaz para exercer as suas funºoes mas que é apoiado por um partido com muito mais popularidade, estamos portante a benefeciar uns candidatos numa eleição que se diz que cujos candidatos são iguais, mais, este facto faz com que no fundo o nosso futuro sim seja uma hipotese