Regresso ao passado


Pedro Correia,

José Sócrates tem, naturalmente, todo o direito à palavra. Ninguém aliás lhe negou esse direito: o ex-primeiro-ministro quebrou só agora o silêncio porque assim o entendeu. E vai voltar a quebrá-lo em sessões contínuas no canal público de televisão, algo sem paralelo na Europa. Ninguém imagina Tony Blair a analisar a governação de David Cameron como comentador residente da BBC, ou José Luis Zapatero a fazer marcação a Mariano Rajoy com púlpito semanal na TVE, ou Nicolas Sarkozy a dissecar regularmente os actos de François Hollande como animador político nos estúdios da France 2.

O problema de Sócrates não é o silêncio. O problema não é sequer esta originalidade tão portuguesa de ter como comentadores televisivos, como se fossem figuras isentas, alguns dos maiores protagonistas da cena política doméstica, que a todo o momento teriam necessidade de fazer declarações de interesses: afinal de contas, só os escuta quem quer.

O problema de Sócrates é surgir como um insólito plágio de si próprio. Para ter verdadeira eficácia, precisaria de ser um Sócrates reinventado. Precisaria de surpreender os portugueses, recriando-se como figura pública neste seu regresso ao comentário televisivo num remake do tirocínio mediático que o guindou à liderança do PS, em 2004.

Mas, na longuíssima entrevista à RTP, surgiu afinal o Sócrates de sempre.

A entrevista esgotou-se num anacrónico regresso ao passado, transportando-nos a 2011. E serviu para confirmar como a vida política acelera de forma vertiginosa. Foi apenas há dois anos e parece ter sido há duas décadas.

Na política, como no teatro, é fundamental não falhar o tempo – por lentidão excessiva ou manifesta precipitação. Sócrates é um actor consumado, mas ficou-me a sensação de que falou no tempo errado. Algo ainda mais estranho porque foi ele mesmo que o escolheu.

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32 comentários em “Regresso ao passado”

  1. Porventura. Mas para mim, que vejo o país muito através do Canal Blog(s), dá para entender que esta Páscoa é a ascensão ao Paraíso do PEC 4, tantos são os socialistas que saíram a terreiro a louvá-lo. Ou seja, o homem não fica por aqui …

    1. Nenhum pormenor é descurado. A semana da Páscoa ajuda a construir a ‘narrativa’, como Sócrates gosta de dizer. Para alguns, há qualquer de messiânico neste regresso.
      Não há coincidências.

  2. Talvez não fique… mas, para mim, também me pareceu mais do mesmo!
    Uma cassete antiga só com uma capa nova …
    ” A Narrativa … “

    1. Ricardo Costa, ontem, na SIC Notícias:
      “Sócrates está a viver um momento Santana Lops, Houve uma altura em que Santana Lopes nao saía de 2005. Socrates está a viver em 2011. E daqui a um ano ou dois ainda lá vai estar.”

  3. Costuma dizer-se que pela boca morre o peixe; com esta “narrativa” o Sócrates não dura até ao verão; hão-de ser as audiências que o irão enviar para o exilio outra vez.
    Só os Galambas e os Marcelinos deste país é que se entusiasmam com aquilo.

      1. Lugares pagos em televisões públicas para políticos, isso nada tem a ver com democracia e será mesmo procedimento desconhecido em qualquer democracia avançada.
        Geralmente, nesses países os políticos quando saem do poder dão conferências em universidades – privadas e prestigiadas – e colaboram em obras de beneficência.

        1. Pois, mas convinha que tivesse feito alguma coisa útil ao país (para além de se ter ausentado para o estrangeiro), para depois ter autoridade e credibilidade para dar conferências. Não falo da necessidade de ter deixado “obra feita” porque aí de facto ele deixou-nos um rico bico-de-obra.

      2. Está enganado, a Democracia não é isto. Nunca se viu em paises civilizados um ex 1º ministro transvestir-se de comentador politico no canal de televisão publico para ajustar contas pessoais com quem ele entender. Ainda por cima mentindo descaradamente como fez em relação ao PEC4 e às PPPs.
        Em 25 de Abril de 1974 eu tinha 23 anos, e estava na guerra em Angola!

  4. Duas notas:
    1 – Santana Lopes, ex-primeiro ministro também foi, e é , comentador político.
    2 – Na entrevista de ontem José Sócrates respondeu a perguntas de jornalistas. Não esteve como comentadora mas como um político duramente entrevistado.

    1. Comentadores televisivos, neste momento, são

      – José Sócrates (PS)
      – António Costa (PS)
      – Francisco Assis (PS)
      – Jorge Coelho (PS)
      – António Vitorino (PS)
      – Carlos Zorrinho (PS)
      – Marcelo Rebelo de Sousa (PSD)
      – Marques Mendes (PSD)
      – Santana Lopes (PSD)
      – Nuno Morais Sarmento (PSD)
      – Manuela Ferreira Leite (PSD)
      – Luís Filipe Menezes (PSD)
      – Marcelo Rebelo de Sousa (PSD)
      – Paulo Rangel (PSD)
      – Luís Montenegro (PSD)
      – Carlos Abreu Amorim (PSD)
      – António Capucho (PSD)
      – Rui Gomes da Silva (PSD)
      – Fernando Seara (PSD)
      – Lobo Xavier (CDS)
      – Nuno Melo (CDS)
      – Telmo Correia (CDS)
      – Teresa Caeiro (CDS)
      – Nuno Magalhães (CDS)
      – Bernardino Soares (PCP)
      – António Filipe (PCP)
      – Honório Novo (PCP)
      – Francisco Louçã (BE)
      – João Semedo (BE)
      – Catarina Martins (BE)
      – Ana Drago (BE)

      Entre muitos outros: a lista está muito longe de ser exaustiva. Um caso único na Europa.

    1. Eu bem sei, como ensinou Ortega y Gasset, que o homem é ele próprio e a sua circunstância. Mas JS parece incapaz de se libertar da circunstância que o conduziu à pesada derrota eleitoral de 2011.

  5. o ex-primeiro-ministro quebrou só agora o silêncio porque assim o entendeu

    Segundo Sócrates afirmou no início do programa, e um dos entrevistadores confirmou, isto não é bem assim: Sócrates falou agora porque agora é que foi convidado pela RTP para o fazer.

    1. Sócrates tinha todos os jornais, todas as rádios e todas as televisões a pedir-lhe entrevistas desde Junho de 2011, Luís Lavoura. Como aliás era compreensível. Se só agora quebrou o silêncio foi porque assim o entendeu.

  6. Foi apenas há dois anos e parece ter sido há duas décadas.

    O Pedro Correia pode querer parecer uma pessoa com fraca memória (que não o é) e preferir que as pessoas esqueçam a forma como o PSD chegou ao poder, aquilo que disse para lá chegar e a forma como o desmentiu mal lá chegou. Mas eu não estou tão certo assim que as pessoas já o tenham esquecido.

    1. Nunca faço a apologia do esquecimento, Luís Lavoura. Pelo contrário: em quase tudo quanto escrevo não faltam apelos reiterados à memória. Sócrates deu aliás um excelente contributo para reavivar memórias na entrevista da noite passada.

    2. Por contraponto à forma como o PSD chegou ao poder, e aquilo que disse para lá chegar, podemos pôr a forma como o PS manteve o poder, e aquilo que disse para lá se manter.
      Quando à inversão do discurso, um buraco escondido de quase 8000 milhões de euros, pode justificar muita coisa.
      Não foi Teixeira dos Santos que disse no dia da tomada de posse deste governo que “estes tipos não vão ter tempo nem para se sentarem”?

  7. Pedro, em substância estou de acordo consigo. Porém, necessário nos é ir um pouco mais longe no conteúdo da entrevista de Sócrates:

    1 – Ele pareceu-se um pouco como o filho ciumento que reclama a mesma medida que lhe é aplicada para o outro seu irmão. Isto é, ele na realidade tem razão no que diz respeito à atitude do PR perante as mesmas circunstâncias;

    2 – Ele afirmou não ter chamado a troika, e que foi o chumbo de PEC IV que levou a essa circunstância. Mas esqueceu de dizer que foi precisamente a contínua sequência de PEC´s que determinou a entrada da troika;

    3 – Na realidade ele refere-se a um período (2005-2008) em que a sua governação foi bastante melhorada, mas esquece que o que está em causa foi o que sucedeu a partir de 2009 até 2011;

    4 – Abordou as circunstâncias internacionais para justificar a sua acção, mas esqueceu de referir que a sua acção em conjugação com as circunstâncias internacionais determinou a ruína de sua governação.

    Em resumo, a presença de Sócrates na RTP1 permitiu determinar que o seu clone, Pedro Passos Coelho e Cia. Lda., faz juz aos seus erros e, ainda por cima, revela que é capaz de fazer bem pior, indo mais longe.

    Agora sobre o Presidente da República: Senhor Presidente, saiba Vexa. que este país não necessita de uma magistratura paternalista, nem tampouco de uma PR que diz não caucionar políticas mas parece que assim o faz. Precisamos neste momento de alguém que devolva a este povo o direito de dizer formalmente não com o não que vem dizendo.

    1. Sócrates tinha dois caminhos: ou recriar a sua ‘persona’ pública ou ser igual a si próprio. Optou pela segunda via. O futuro, não muito distante, nos dirá (e dirá a ele) se esta foi a opção correcta.

  8. Se bem me lembro…

    1. Quem iniciou o comentário político frequente foi Marcelo. Marcelo é incomparável, e quem já trabalhou com ele, terá tido oportunidade de o atestar. A sua opinião pode ser algo imprevisível, mas tem preocupação didática e de consistência. Algo semelhante se passa com Pacheco Pereira, que alimentou a Quadratura do Círculo.

    2. A partir daí, como em qualquer terramoto informativo, formativo, surgiram réplicas… a célebre réplica a Marcelo na TVI, teve o dueto Sócrates-Santana, na RTP. Pouco mais tarde, ambos vieram a ser primeiro-ministro.

    3. Negligenciar o papel que estes comentadores passaram a ter, no espaço informativo, na lógica manipuladora da opinião que serve os aparelhos partidários, é menosprezar a evidência. Louçã não saiu apenas de coordenador do BE, passou a ter espaço e visibilidade como comentador residente.

    4. Há muito que se entrou nesta lógica niilista, em que não há verdade, cada um tem a interpretação dela que quiser. Isso tem séculos de retórica parlamentar, para lamentar os desvios, arregimentar correlegionários. Os números são torturados até falarem várias pseudo-verdades, e a conversa, a retórica é flexível, pode enredar-se nela própria. Pode não interessar o que se disse, mas sim como o disse, quem o disse, a quem o dissse, se o disse em tempo certo, etc…

    5. As televisões, sobretudo no cabo, abriram-se todas a essa cumplicidade de acolher a tourada retórica, como novo espectáculo de entertenimento. Um líder partidário que não tenha influência sobre os seus comentadores, tem ali um espaço de oposição interna aberto ao público.

    6. Quem escolhe quem fala, quem comenta em espaço público, são as televisões. As televisões passaram a consentir, a acolher, um novo espaço de debate político, fora do parlamento. Dir-se-à que não há influência legislativa, pois não desce à câmara para votação. No entanto, o espaço político televisivo passou a influenciar a câmara legislativa. As televisões entraram no parlamento, não para recolher notícias, mas sim para condicionar a sua agenda.

    7. A entrevista a Sócrates (que prescindi de ver), é justificável. Mas, como o Pedro Correia bem salientou, é uma bizarria passar a haver comentário residente. Mas não é apenas dele, à excepção do original, Marcelo, e talvez de Pacheco, os outros têm sido réplicas da habitual retórica partidária inconsequente, dos seus ajustes de contas e cálculos internos.
    O debate político tinha um espaço – o parlamento!
    As televisões alargaram-no, e não foi ao Zé de Esquina que se lamenta da sua pensão miserável num Opinião Pública. Passou a haver uma classe senatorial, de ex-ministros, ex-qq-coisa, empresários, etc… não eleita, mas com espaço de influência política permanente.

    8. Convém ainda notar que esta mania de analisar o registo passado é um vício mal resolvido, próprio de junkies da mentira histórica. Podem passar-se semanas a analisar uma frase fora do contexto, trinchando e retrinchando, esperando novas mandíbulas para o festim da ilusão retórica.

    9. Cavaco lembrou-se que havia um problema com a retórica televisionada… no dia em que percebeu que Sócrates o iria abocanhar em directo. É mais do mesmo, irá esquecer-se de novo… Porque esta lógica de “regresso ao passado” (o seu título é muito bom), é o que convém a um país que não tem planos para o futuro. Não é de hoje… o último plano para o futuro que tivemos foi o de ceder de bandeja a nossa independência aos decisores de Bruxelas, e sabemos o que isso nos trouxe, mas só depois soubemos o que isso nos iria custar. Aqueles que disseram que a saída do Euro em 2011 levaria a uma perda de 30% no poder de compra, já sabem que uma boa parte de nós já perdeu esse valor, e arrisca perder muito mais.

    1. O seu comentário é a realidade que vivemos por causa dos farsantes e corruptos que abocanharam a economia, estando-se nas tintas para a democracia !

      Estão incrustados no Estado e dele vivem como sanguessugas !

      Ontem na SIC, José Gomes Ferreira tentou, mais uma vez, desmontar as incrustações, grupos/estado, mas os outros paineleiros, “diplomáticamente”, mudavam de assunto !, comentava-se a “entrevista” do peâo !

      Alexandre

      1. Tem razão, Alexandre.
        Porém o problema não é só de alguns no topo… toda a sociedade se rendeu de novo a uma estratificação.
        O único poder que não se encontrava sob alçada partidária – o judicial, e a independência do funcionalismo público, foi completamente minado.
        Para se constituírem novas empresas entramos nos esquemas de atalhos/ cunhas/ prebendas, para evitar armadilhas legais, etc… Toda a actividade económica, com a excessiva burocratização, necessita de autorização do sistema para respirar.

        Alguém me disse que seria pior uma ditadura militar.
        Claro, porém o que se passa é que há uma “ditadura de militar”.
        Salvo um pequeno número de actividades, a militância tem-se tornado necessária. Militar num partido, numa maçonaria, numa ordem religiosa, etc…
        O indivíduo isolado é considerado um inimigo por essas entidades colectivas. Até os trabalhadores devem militar num sindicato…
        Não é o sistema comunista de partido único, é o sistema comunista de partido múltiplo, multiplamente repartido, para benefício oligárquico. É mais complexo, com uma censura mais tolerante, mas com processos kafkianos semelhantes.

        O sistema quer ter os indivíduos sempre comprometidos com uma qualquer estrutura piramidal – o que interessa é que esteja hierarquizada – para facilidade de controlo. Existindo essa estrutura, vai entrar nela, porque tem séculos de experiência de minar e parasitar estruturas.
        Assim, os que aparecem como protagonistas, são desde logo cúmplices, porque a certo ponto foram armadilhados, ou têm medo das armadilhas.

        Um aspecto ridículo, que mostra o que é o nosso sistema “democrático”, é o “fabrico de leis”. As salvaguardas, rectaguardas, fabricadas nos escritórios de advogados, são a razão óbvia da inimputabilidade do poder e seus correlegionários. Todos sabemos disso, mas ninguém tem interesse legislativo em acabar com isso… porque todos se sentam à mesa do orçamento, onde o partido único invisível distribui pelas suas múltiplas partes.

        Comentários como os do José Gomes Ferreira, ou até estes nossos comentários, são absolutamente inofensivos.
        Aliás, isto é pimenta para a comida do regime, que, doutra forma seria meio insonsa.
        Eu não me importo que eles me topem, mas gosto que saibam que também os topo…
        Quanto ao resto, verão.

    2. A força dos comentadores televisivos em Portugal tornou-se bem patente quando um deles (Marcelo) conseguiu, praticamente sozinho, derrubar um Governo (o de Santana Lopes). A partir daí, creio que boa parte deles, conscientemente ou não, sonha ser uma espécie de Marcelo. Conseguindo também um derrube de governo no currículo.

  9. “Ninguém imagina Tony Blair a analisar a governação de David Cameron como comentador residente da BBC, ou Zapatero a fazer marcação a Rajoy com púlpito semanal na TVE, ou Nicolas Sarkozy….”

    Pois não. Ninguém imagina. Mas ninguém imagina que logo em relação à Espanha, são 21 (vin-te-e-um) os países que se interpõem entre nós e o nosso vizinho no que toca a alfabetização, que determina todo ambiente cultural.
    Não é por acaso que o país está alegremente a destruir a Língua Portuguesa, como destruiu a paisagem, a agricultura e as pescas, que o poder de demitir o primeiro-ministro passa pelo Dr. Ricardo Espírito Santo, ou que a maçonaria tenha uma palavra a dizer quanto à prisão de um dos seus membros (Isaltino – enquanto na Grã-Bretanha é assim http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=3101773)

    Vivemos num país muito atrasado e que, infelizmente, perdeu consciência desse atraso. Ora, foi a compreensão aguda desse estado de coisas que produziu o melhor de Portugal desde finais do séc. XVIII (mesmo quando foi para o pior, tal a imitação da França e a estreiteza do positivismo).

  10. Como cidadão que pago impostos – e muito pesados – tenho todo o direito de me indignar que, na televisão pública, sustentada com o dinheiro dos contribuintes, tenha guarida um escroque, um mentiroso compulsivo que levou o país à bancarrota e, nas nossas caras, rindo-se de nós, durante larguíssimo serão do dia de ontem, ante o ar reverencioso de dois poltrões de jornalistas, disparou acusações sobre tudo e todos, com uma petulância repugnante.
    Mentira em cima de mentira, com o ar mais cândido desta vida, negando qualquer responsabilidade na falência do país, o gajo, sinceramente, fez-me lembrar a velha história daquela mãe que, vendo desfilar o batalhão onde seguia o filho com o passo trocado, dizia para a vizinha do lado: “Veja lá, vão todos a marchar mal, menos o meu filho.”
    Já vi aldrabões de feira a venderem banha de cobra para todas as maleitas com mais vergonha nas fuças do que este caramelo. Chiça penico!

  11. Continua a mentir e a fugir às questões que lhe são colocadas com o método da peixeirada, vitimizando-se e tratando os entrevistadores pelo nome para lhes atribuir familiaridade (e portanto sugerir menos distância e profissionalismo). Por mim, a fera adorada por tantos pode voltar lá para o seu Bornéu intelectual e meter a narrativa num sítio onde o sol não brilha.

    1. Supus que uma estada de dois anos em Paris pudesse ter modificado o ex-primeiro-ministro pelo menos ao nível da atitude pública depois de ter conduzido o seu partido à segunda derrota mais pesada de sempre – não apenas devido ao exercício da governação, considerado negativo pelos eleitores, mas devido à sua incomensurável arrogância. Regressou com as características intactas. Paris não lhe limou arestas. Nem lhe proporcionou nenhuma lição de humildade.
      C’est dommage.

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