Regresso ao futuro


José Meireles Graça,

Imaginemos que eu era um jovem atraentíssimo (ou o que as mulheres em grosso geralmente assim consideram, isto é, um pamonha com ar de artista punk ou um estivador à antiga, é conforme) e que elas já detinham a maior parte dos postos de comando (o que é provável que venha a acontecer porque já são, na maior parte dos cursos, a maior parte dos licenciados). E a minha chefa, no caso um grande camafeu, insinuava umas coisas razoavelmente explícitas sobre a grande curiosidade que a consumia em explorar alguns detalhes da minha intimidade.

Com delicadeza, tirava-lhe as lúbricas esperanças. Daí para a frente, duas coisas podiam suceder: Não se passava mais nada, pelo que guardava o episódio junto com outros segredos – toda a gente os tem, excepto os santos, os parvos e o Manuel Luís Goucha; o grande estupor começava a lixar-me a carreira.

Que faria? Depende: Ou neste futuro o ambiente já era de pouca tolerância para estas iniciativas brejeiras ou a impunidade dos abusos das harpias era a norma. No primeiro caso arranjaria maneira de coligir provas, ao menos indiciárias, porque não era com certeza o único – cesteira que faz um cesto faz um cento. E no segundo?

Com a carreira a fechar-se, mas o silêncio consagrado nos costumes, mais uma vez dependeria: Ou tinha alma de herói e tratava de denunciar com alarido; ou não tinha e dava uma cambalhota com a atrevida, ou calava e aceitava a malapata, ou mudava de ramo ou de estabelecimento.

Engolindo o ego amassado, calando, e convivendo com a situação das três formas que acima alinhavei, que fazer se passados uns bons anos, quando começassem a soprar ventos de mudança de costumes vindos de paragens onde eles evoluem mais depressa, pôr a boca no mundo deixasse de ser um problema?

Bom, contar histórias pregressas sem nomes, sim; pondo os nomes aos bois não, por causa da lei penal – não é crime o que assim não é considerado à data da prática, e mesmo que fosse há aquela coisa da prescrição, cuja razão de ser que vá estudar quem for curioso.

Nada disto tem a ver com o presente, como é óbvio. Mas é preciso prever para prover. E tendo deste modo resolvido este problema do futuro com uma argúcia que creio me honra, despeço-me com amizade.

9 comentários em “Regresso ao futuro”

  1. Por acaso é um tema que me intriga.
    O que é que leva um jovem atraentíssimo, vítima de assédio sexual, revelar dez ou vinte anos depois, um segredo cuidadosamente mantido?
    Será para evitar que outros jovens atraentissimos atinjam o mesmo patamar de êxito?
    Ou será uma forma de lixar o camafeu que conseguiu satisfazer as fantasias ocas e estéreis de um jovem atraentissimo?

  2. Achei o seu texto deveras confuso, talvez seja percepção minha mas é o que parece.
    Quanto ao assunto, ele existe e faz vitimas e muitas calam e consentem, algumas até gostam e passado uns anos, exibem perante as neófitas ou neófitos esses “troféus” de guerra.
    Hoje em dia não se pode dizer ou fazer nada sem que logo se seja mal interpretado, seja sobre o assunto em causa ou outros até estritamente profissionais, qualquer atitude mais proactiva ou de mais “sacrificio” ou abnegação no local de trabalho é logo mal vista por colegas ou chefias directas.
    O medo e a inveja são ferramentas poderosíssimas para controlar pessoas e nada melhor que jogar com as duas em simultâneo.

    WW

  3. Basta re-visitar as escolas dos anos 80, 90 e as professoras e até senhoras das secretarias…
    Tantas “violações” de alunos machos de 14-15 anos segundo a norma actual…

  4. Que texto tão despropositado e horrível. Só o ter sentido necessidade de o escrever, nesse tom desprezível e de quem não tem a mínima noção do que está a falar, já repele. Espero que não tenha filhos para educar.
    Filipa

    1. Tenho más notícias para si, Filipa: Este assunto, como outras modas importadas dos EUA, não vai desaparecer tão cedo, pelo que é provável que a ele regresse, mas improvável que, ao fazê-lo, adopte arroubos poéticos. Poderei pôr uns coraçõezinhos no texto, se me lembrar. Nem tudo é mau, porém: já não tenho filhas para educar. As que tive saíram com primorosa educação, é verdade que mais por mérito da mãe.

  5. Pamonha? Provavelmente Panhonha.

    P.S. Se é para corrigir o texto, dispenso a publicação do comentário.

  6. elas já detinham a maior parte dos postos de comando

    Se o José Meireles Graça reparar bem, são cada vez mais as mulheres à frente de partidos políticos, e de governos, e pode-se dizer, sem sombra de dúvidas, que em média se estão a sair melhor que os homens.

    Veja por exemplo as eleições de ontem na comunidade de Madrid: seis partidos, e os três partidos que venceram (Vox, Más Madrid e PP) são todos encabeçados (na comunidade de Madrid) por mulheres, enquanto que os três que perderam (PSOE, Podemos e Cidadãos) são encabeçados por homens.

    Ou veja o governo da Finlândia: é uma coligação de cinco partidos, e todos esses cinco partidos são encabeçados por mulheres (uma delas é a primeira-ministra), sendo que dessas cinco mulheres quatro estão abaixo dos 50 anos de idade, isto é, são razoavelmente jovens.

    Ou seja, parece que as mulheres têm, não somente mais habilitações académicas, mas também mais capacidades políticas que os homens!

    1. “Ou seja, parece que as mulheres têm, não somente mais habilitações académicas, mas também mais capacidades políticas que os homens!”

      Não. As mulheres estão mais protegidas de críticas baixas e violentas por serem mulheres.
      A esquerda que controla o jornalismo pode dizer que um líder homem de direita é um Hitler ou aparentado sem custos. Essa tatica não pega se for mulher. Por isso é que tem muitas mulheres a liderar a direita.

  7. O meu avô materno,(1886-1956) que era cesteiro da Gardunha dizia:
    Cesteiro que faz um cesto, faz um cento, SE LHE DEREM VERGA E TEMPO!

    Leão do Fundão

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