
Enquanto lá fora, no resto do hemisfério norte, se caminha para o solstício de Verão, ficando os dias mais longos e luminosos, hoje começa aqui a noite mais longa. Ninguém sabe quando acabará, nem como. É o regresso à solidão e à escuridão. O importante agora é falar baixinho; sempre que possível manter o silêncio. Viver tranquilo e em plenitude é um risco que ninguém quererá correr para cumprir a lei.

Com igual graduação na mesma escala temos o emplastro da inutilidade e do postiço emparelhados abaixo de zero.
Até apetece subir aos postes para dar umas nalgadas nas lâmpadas a ver se o apagam da escuridão onde vegeta.
momento português:
Poema: O Noivado do Sepulcro – Soares Passos
« Vai alta a lua! na mansão da morte/ Já meia-noite com vagar soou;/ Que paz tranquila; dos vaivéns da sorte/ Só tem descanso quem ali baixou »
CONTO TERRIMICO (Terror cômico)
Marcial Salaverry
Era meia noite, no entanto, chovia… O sol raiava no horizonte (nunca viram sol com chuva?).
Ao deitar-me de pé na minha cama, sentando-me, vi um cego surdo-mudo que se aproximou recuando
e, fitando-me com olhar penetrante, disse-me, (se era surdo-mudo, falava por Braille), com uma voz que,
apesar de grave, não inspirava gravidez: DEVOLVA-ME O QUE NUNCA TE EMPRESTEI…
Juro que não paguei juros…