Reflexões do dia


Pedro Correia,

«Nos últimos dez anos, Portugal não cresceu. Não cresceu mas fizeram-se muitos negócios. É quase a república dos negócios.»

 

«O político está sempre a pensar em eleições – o político que as quer ganhar.»

 

«Não há nenhuma potência a nível europeu. Vistos de fora da Europa, todos os países europeus são débeis. A Alemanha e a França ainda não perceberam isso.»

 

«Não quero nenhuma utopia para a Europa. A literatura entre as duas guerras, e durante a Segunda Guerra, mostra que as utopias europeias são totalitárias e autoritárias.»

 

«Ser temido, no fundo, é uma vingança por não ser amado. Maquiavel diz que é mais durável ser temido. Penso que nas sociedades democráticas isso não é verdade.»

 

 

«Lembro-me muito do filme Esplendor na Relva e do casal que gostou tanto um do outro… Dali a cinco anos encontram-se e percebemos que são dois fantasmas do passado. Tem de haver um momento certo de as relações acontecerem.»

 

José Medeiros Ferreira, numa (excelente) entrevista ao Jornal de Negócios conduzida por Anabela Mota Ribeiro

 

Imagem: Warren Beatty e Natalie Wood em Esplendor na Relva (Elia Kazan, 1961)

10 comentários em “Reflexões do dia”

    1. Gosto muito de entrevistas – disciplina nobre do jornalismo. E gosto ainda mais destas entrevistas com fôlego, espaço, capacidade de interrogar e capacidade de escutar. Em perfeito contraste com o estilo sôfrego de certos questionários televisivos em que a/o jornalista parece mais interessada/o em ouvir-se a si própria/o do que em escutar quem tem pela frente.
      José Medeiros Ferreira (a quem aproveito para desejar boas melhoras depois dos recentes problemas de saúde a que também alude nesta entrevista) demonstra aqui que continua a ser um excelente pensador. Não se ocupa do efémero, mas do que permanece. Isso faz muita falta em Portugal. Porque é isso que verdadeiramente importa.

  1. Meu Caro Pedro Correia:
    ´Passo poe cá sempre. Mas desta vez foi especial.Obrigado pelas palavras e pelos votos.
    J.Medeiros Ferreira

      1. 🙂 Também da minha. Sou extraordinariamente classicista em filmes, acho, e romances deste tipo são os meus favoritos desde miúda. A Natalie Wood é belíssima – já agora, viu Flor à beira do pântano? Que saudades deste tipo de cinema. 🙂

        1. Bela e trágica e novamente bela e novamente trágica e novamente bela Natalie Wood, aqui suspensa para a eternidade no seu “esplendor na relva”. A magia do cinema também passa por isto, Fátima. É um momento fugaz que se eterniza.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *