«Ninguém contesta que a SIC Notícias, a TVI 24 e a TSF prestam um bom serviço público. E são privadas. Ao invés, a programação da RTP Internacional é medíocre. Apesar de ser do Estado. Conclusão: é um erro sobrevalorizar o público e estigmatizar o privado ou vice-versa. Num e noutro há coisas boas ou más.»
Luís Marques Mendes, no Correio da Manhã

Claro que num e noutro há coisas boas e más, mas falando das boas, só no público é que programação sem interesse comercial, destinada a minorias, será possível. Ou serviço público é só informação?
Nada melhor para deitar abaixo o serviço público do que colá-lo sempre e só à informação. É apenas o que é mencionado quando se discute serviço público. É uma forma de o menorizar, de lhe retirar importância. Na informação é onde menos se consegue distinguir serviço público de informação dita comercial.
Ainda me recordo de estar a trabalhar no Egipto e ligar a televisão enquanto tomava o pequeno-almoço, assistia às notícias da manhã e ria com “…agora as últimas do trânsito… trânsito complicado no IC19… descida da Pimenteira com paragens… acidente na segunda circular…”
Para quem está/vive fora, realmente a informação sem a qual pode passar logo de manhã é a do trânsito dos arredores de Lisboa e Porto.
Situação hilariante!
Eu tb penso o mesmo quando às 8h, na RTP1, em rodapé,está sempre a passar em loop, o tempo nas principais capitais mundiais (em cima da info de trânsito).
Somos assim tão viajados? “Antes de saír de casa, deixa-me só ligar a RTP1 para ver se tenho de levar o casaco para Bratislava”
O que o autor do texto queria dizer, certamente, é que “num e noutro há coisas boas e más”, ou seja, há de tudo e não apenas umas coisas ou outras!
Evidentemente. Se há uns anos alguém ousasse dizer que duas televisões privadas iam ter canais de notícias (e com qualidade) ninguém acreditaria…
Só se falou e ainda se fala em RTP pelo movido de poupar dinheiro, essa é a base donde partiu a discussão. Que se argumente, mas não vamos agora estar a ofuscar ou a tentar mudar a questão de fundo.
As vezes parece que há entidades neste país que apenas estão interessadas em meter a mão nas taxas e o resto é conversa de santo de pau oco. Se assim se verificar, vou por certo investir num sistema gerador de electricidade, e, para mim deixa de haver conta de luz e taxa para pagar. (pensamento da minha semana)
A verdade é que comparar canais/rádio, de intuito informativo e didáctico – e que inevitavelmente terão uma outra qualidade cultural -, com um canal generalista, como a RTP, RTPI.. me parece ser algo demasiado, como: “Puxar a brasa para a sua sardinha“.
Por outro lado, e tendo em conta que apenas ligo o televisão para ver as notícias, admito que me agrada mais o estoicismo em que são apresentadas na RTP. Aliás, nem me parece que as restantes estações generalistas (Sic e Tvi) cumpram qualquer tipo de dever cívico para com os telespectadores; muito pelo contrário.
Acho que posso comentar sem sequer opinar (implicitamente que seja) sobre o que fazer com a RTP ou o que entender como “serviço público”.
Informação, entretenimento, cinema, teatro, tele-escola, relações públicas, propaganda, desporto, música, boletins metereológicos, e restantes hipotéticos itens: vivo há quinze anos diante de uma tv que pode receber a RTP-I e a RTP-África. São muito maus. Preguiçosos e desinteressantes.
O que fazer com a RTP? Não sei. Mas alguém poderia acudir aos canais I e África. Para lhes fazer qualquer coisa.
Tal como o facto de as empresas públicas terem sido até agora mal geridas não significa que a solução tenha que ser privatizá-las todas, também o facto de o serviço público da RTP ter muitas falhas não significa que devam ser os privados a ter essa incumbência.
Num e noutro caso a solução é fazer as coisas bem feitas.
Até porque, se levarmos até às últimas consequências esta mania de privatizar tudo, qualquer dia não haverá Estado. Nem, obviamente, governo. E depois, como é que fingimos que vivemos numa democracia?
não fingimos, passamos a sistemas independentes. Recomenda-se alguma cautela.
Para mim, que pura e simplesmente não vejo a RTP 1, nem África, nem Internacional, nem SIC, nem TVI, e pouco a RTP 2, o serviço público que me interessa é o da RTP Informação, que partilha a minha atenção com a SIC Notícias e a TVI 24.
Ou seja, para mim é muito importante haver informação pública, a par com informação privada.
Quanto mais diversificada ela for, mais garantias me dá.
Assim, quando vejo uma notícia na RTP Informação, sopeso-a com a dos outros dois canais de informação e tiro as minhas conclusões.
Contrariamente ao que julgam os fundamentalistas das privatizações, a “res publica” faz falta…
Como diria o Saramago: “Privatize-se tudo… e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos”.
Obviamente, não se trata aqui de ofender quem quer que seja, que bem sei que se trata de um blogue de gente educada e também eu procuro sê-lo. É apenas um desabafo… com uma citação do único prémio Nobel da Língua Portuguesa, por mais que isso custe a alguns… portugueses.