«A notícia da sua morte causou-me uma profunda tristeza, como não é costume ter-se com pessoas que conhecemos mal. Atribuo isso ao carácter expansivo e à energia generosa de Miguel Portas. Inteligente, culto, criativo, ele pertencia a essa casta de seres humanos que procuram tornar o mundo num lugar um pouco mais civilizado. Por vezes erram, por vezes acertam. Nunca desistem dessa esperança. Miguel Portas deixa um vazio de inteligência e ousadia na esquerda portuguesa, deixa uma memória do que fez, e foi muito, e a inquietação do que poderia ter feito, dada a sua criatividade e ainda relativa juventude; e deixa sobretudo a melancolia do seu eterno riso que representava uma forma especial de olhar para a vida e para o mundo.»
Francisco Assis, no Público

Um belíssimo e merecido texto neste teu espaço especial, compadre. Sintetiza perfeitamente esse sentimento que «não é costume ter-se com pessoas que conhecemos mal», mas que afinal conhecemos.
Um belíssimo olhar sobre esse triste fim de dia. O mesmo sentimento aqui transcrito, apenas pelo pouco que se conhece de quem está atento aos noticiários.
Aquela dignidade e coerência, a sua frontalidade e a coragem, atitudes que o caracterizaram e que nos fazem sentir um vazio irrecuperável.
Sim, até o seu riso faz falta.
Não é vulgar ficarmos assim senão pelos nossos. E que todos nos sintamos unidos neste sentimento de perda.
….. foi sempre assim que eu o senti, questionador e inquietante!, mesmo sem o olhar…
Recordar-lo-ei sempre com muito carinho…
:((
Gostava de ter escrito isto.