«Os ricos podem pagar a crise? Os ricos vão pagar a crise? Ou os pobres vão pagar a crise? E se nem os ricos, nem os pobres, separadamente ou em conjunto, conseguirem pagar a crise? E se tudo isto não for, no fundo, uma crise, mas for o colapso definitivo do que se chamou o Estado social ou, com mais pedantismo e menos propriedade, o ‘modelo social’ europeu, com que vivemos, ou tentámos viver, neste último meio século?
(…)
Quem esteve ultimamente num hospital, não se esqueceu com certeza da quantidade de máquinas que lhe penduraram no corpo, da multidão de gente que o tratou e do rio de remédios que sem parar lhe meteram nas veias. Quem os paga? E onde se arranja o dinheiro para os pagar? E quem paga o ensino e as pensões? Para não falar da infinidade de subsídios de vária espécie e ordem a que o cidadão normal se acha com direito…
(…)
A esquerda inventou uma conspiração da direita para ‘liberalizar’ o mundo. A esquerda nem pelos dedos sabe contar. Nenhuma economia conseguiria sustentar o ‘Estado social’ que ela pretende e reclama. Não é o ‘capitalismo selvagem’ que a persegue através de mercados malévolos. É a realidade. As sociedades da social-democracia, que um conjunto especial de circunstâncias por um momento permitiu, não voltam. Chegou a altura de perceber claramente esta evidência.»
Vasco Pulido Valente, no Público

Pedro, e que achas tu disto tudo? Quer dizer, eu compreendo, embora haja em possa pensar que penso menos por ser loira, mas fico perplexa com algumas coisas. É muito fácil colocar as questões assim. A minha pergunta é: se o cenário que se desenha é esta, a realidade que teremos de enfrentar, qual é a solução? Porque todos podemos debitar comentários sobre a ordem das coisas, mas soluções? Teremos? Esquerda ou direita, pouco me importa, nesta altura do campeonato. O que é que se diz aos putos que pensam em ir para higienistas orais porque “assim terão emprego”? Que desenho do futuro é que lhes damos? Ou não damos e seja o que Deus quiser? Deus ou outra figura transcendente. Desculpa. Talvez seja excessivo como comentário. Leio o Pulido Valente há 23 anos, os mesmos anos que tenho de jornalismo com carteira profissional. Posso concordar ou não. O que não vejo é uma alminha com soluções. E essas, sim, precisam-se. Bj
Desculpa, há um erro no texto:) o cenário que se desenha é “este”… beijos
Viva, Patrícia. Eu – menos jovem que tu – leio o VPV há 33 anos, desde que ele tinha uma coluna na última página do Expresso chamada ‘O País das Maravilhas’, um espaço de reflexão totalmente diferente do que se lia então em Portugal. Prosa escorreita, directa, acutilante, mordaz, por influência anglo-saxónica. Prosa que ia “ao osso”, para usar uma expressão do José Cardoso Pires. Prosa sem os floreados insuportáveis da maioria dos colunistas de então.
Pouco depois conheci-o pessoalmente: ele foi meu professor na Universidade Católica. E nunca o perdi de vista. Umas vezes concordando, outras discordando.
Estas reflexões que aqui trago, quase todos os dias, são tão variadas quanto é possível. Resultam da minha leitura atenta da imprensa e da selecção que vou fazendo, tanto por temas como por autores como por jornais. Tentando não ser repetitivo nesta escolha. E tendo também o cuidado de trazer aqui não apenas os textos que subscrevo ou nos quais me revejo, mas sobretudo aqueles que considero intelectualmente mais estimulantes ou dignos de polémica. É o caso deste, do VPV.
Olá Pedro, eu leio todos os dias as tuas propostas de reflexão e agradeço o teu cuidado e generosidade. Concordo contigo que o VPV é alguém que merece ser lido, concordando ou não. O que me rala, de momento, é que todas as reflexões são ocas de soluções, mas posso ser apenas eu. Afinal, um cronista comenta a realidade, não é um médico com uma receita e uma mão cheia de remédios para curar o mal que nos aflige, tens razão. Um beijo e bom fim de semana
“…que um conjunto especial de circunstâncias por um momento permitiu…”
Falamos da Guera, meus senhores, da Guerra a sério, de destruição maciça de vidas , edesistemas, de países – e falamos, também, do avanço Russo e, como contaponto, da permanência Americana ( teria a História do sec.XX sido diferente se Wilson, em 18 não tivesse retirado as tropas da Europa?…).
Mas já tivemos um “ensaio” na Jugoslávia – e com o ortodoxo Kosovo a saír( temporàriamente?) da órbita sérvia , os EUA em processo de implosão ( ou explosão:..) e o cadáver adiado da “U”E perdido em discussões de cariz merceeiro – um cínico diria que estes, entre outros, sinais permitem “alimentar esperanças” quanto ao reaparecer do tal conjunto de circunstâncias…
Vade Retro…
VPV só se esqueceu que, se calhar, esse vasto conjunto de circunstâncias foi criado pela social-democracia (e não pela guerra, como aqui já se comentou…). E, sendo assim, o seu raciocínio cai pela base.
Cambada de burros. Tem de ser mesmo assim à bruta.
Havia “Estado Social” no ano 2000 ou não?
Se o Estado gastar como em 2000 terá défice ou superavite?