Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Os cadáveres na Ucrânia ou o desespero dos confinados em Xangai relembram-nos as virtudes da democracia liberal em que vivemos. A admiração pela força de Putin e das autoridades chinesas foi substituída pelo choque em ver como os regimes autocráticos desprezam a liberdade individual e a vida e o bem-estar dos seus cidadãos.»

Ricardo Reis, no Expresso

14 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Agora, dizem que 1 em cada 4 portugueses condena o Zelesnky/Nato/EUA e considera-o o culpado e causador deste conflito (tal como a China).
    Se o conflito durar mais uns meses, serão 3 em cada 4.
    E na Europa desconfio que para lá caminha.
    As pessoas não são parvas.

    1. O supremacismo imperialista russo nega à Ucrânia o direito à legítima defesa previsto no direito internacional.
      Putin e a sua clique serão julgados pelos crimes cometidos. Haverá o equivalente ao Tribunal de Nuremberga para o carniceiro do Kremlin e os seus colaboradores mais próximos.

      1. Mas se a Nato/EUA/UE andaram a enviar armas que mataram e chacinaram, então é óbvio que também serão condenados e culpados.
        Como querem que as pessoas imparciais e justas não considerem os que apelaram às armas sejam culpados pelos crimes?
        Ainda não perceberam?

  2. A ocupação de Mariupol e do Donbass é, aos olhos do Mundo, a derrota dos EUA/Nato. E a vitória da China.
    O Zelensky não conta, é um mero instrumento manipulado.

    1. A China tem mais para se ocupar. Com a maior cidade chinesa, Xangai, encerrada a pretexto do covid: 35 milhões de habitantes estão encarcerados dentro das suas próprias casas.
      Um pesadelo distópico tornado realidade pela ditadura chinesa.
      https://edition.cnn.com/2022/04/19/china/shanghai-covid-lockdown-nightmare-intl-dst-hnk/index.html

      Entretanto, o tráfego marítimo ameaça entrar em colapso no Oriente, com reflexos óbvios no circuito comercial e no próprio abastecimento da China: Xangai é o maior porto de entrada e saída de mercadorias do país sujeito a uma tirania cada vez mais feroz e à paranóia securitária no país onde o covid-19 começou.
      https://www.scmp.com/economy/china-economy/article/3174661/chinas-shanghai-lockdowns-have-california-ports-bracing

  3. A admiração pela força de Putin e das autoridades chinesas foi substituída pelo choque…
    Sinto alguma dificuldade com esta frase. Se bem me lembro, a primeira previsão do declínio da China, seria por não ser possível sustentar um modelo em que os detentores do poder – as cúpulas partidárias e militares – se veriam ultrapassados em riqueza pelos novos milionários. O resultado, diziam os “experts” seria a captura do Estado pelos plutocratas ou mais provavelmente, a criação de um regime oligárquico pela corrupção (como foi claramente o modelo russo). Só que os chineses lidaram expeditamente com a corrupção e, embora não publicitados, os fuzilamentos mostraram-se eficazes e a duração do regime de Pequim já ultrapassou as previsões dos “experts”.
    Seria esse o motivo da admiração que refere Ricardo Reis? É que eu, sinceramente, nunca senti nenhuma admiração nem por uns nem por outros. Claro que reconhecia a eficácia do regime chinês e o tacticismo de Putín mas isso era uma apreciação racional e não uma admiração emocional.
    Para mim, ambos estavam e estão condenados. Quer o modelo militar russo quer o modelo económico chinês exigem um continuado aumento da população e ambos os países são desastres demográficos. Nem a Rússia terá mancebos para manter os efectivos militares nem a China terá consumidores para absorver a produção industrial.
    Os sinais já aí estão. A Rússia já está a recorrer a recrutas e, com mais três ou quatro meses de guerra vai ser obrigada a uma mobilização nacional. A China já tem cidades-fantasmas, construídas mas sem compradores, e a sua maior imobiliária está reconhecidamente na falência.
    Depois, ambos, Putín e Xi, replicaram Salazar e mudaram as regras para permanecer no poder sem preparar sucessores. Desde, para não ir mais longe, Luís XIV que se sabe que isso acaba sempre mal.
    O problema é que ninguém – provavelmente nem ainda eles próprios – sabe como poderão reagir quando virem o tapete a fugir-lhes debaixo dos pés.

      1. A ser verdade esta questão dos recrutas (e parece-me que é), é mais uma indicação do grau de montruosidade atingido pelo Putin. Os recrutas vão ao engano. São miúdos sem experiência de combate. Coitados… 😕

        1. Parece que ainda é pior do que pensa. Segundo um comentador francês e um “think-tank” americano, que coincidem, só recentemente é que Putín teve conhecimento e terá sido por isso que mandou desistir do cerco a Kiev e agora da conquista – mas não do cerco – da siderurgia Azovstal.
          Todos os autocratas que perduram acabam rodeados por “yes men” que apenas lhes dizem o que sabem que querem ouvir. Resta-me a “consolação e o orgulho nacional” de Portugal ser mais uma vez recordista mundial. Salazar viveu quase dois anos convencido de que ainda era presidente do conselho. E tinha visitas. Verdadeiramente surreal.

  4. Pffff… Os regimes democráticos também desprezaram totalmente a liberdade individual e o bem-estar dos seus cidadãos durante a pandemia. Não têm nada que criticar a China, eles fizeram o mesmo há uns meses.

    1. Há uma diferença. Nos dois casos em que cidadãos forçados ao confinamento interpuseram “habeas copus” a justiça deu-lhes razão. E também a justiça deu razão num caso de confinamento de toda uma turma escolar.
      Pena é que poucas pessoas tenha recorrido à justiça mas, na China, isso não seria possível.

      1. Claro, sem dúvida. A China é uma ditadura, Portugal não é, e cá pode-se recorrer à Justiça.
        Porém, recorrer a ela tem custos elevados e, frequentemente, não tem efeitos práticos, pois o mal já foi cometido. Se uma pessoa é aprisionada por uns dias e, depois, a Justiça manda soltá-la, é claro que isso é bom, mas grande mal já foi cometido.
        Seria muito melhor que o Estado se coibisse, à partida, de eliminar as liberdades e direitos dos cidadãos.

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