Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Qualquer indivíduo dos 16 aos 30 anos, do mesmo modo que usufrui de reduções no Inter-rail, deveria passar seis meses ou um ano cumprindo [um] serviço comunitário, seja num hospital, num município, na polícia ou na administração. Estão de acordo?

(…)

As pilhagens de Londres não foram obra de jovens protestando contra a perda de benefícios sociais. Isso não pega quando nos apercebemos dos brinquedos caros de alguns rapazes (Blackberrys e iPhones). Também não vieram de grupos raciais marginalizados. Muitos dos desordeiros não só não pertenciam a minorias raciais, como atacaram precisamente pequenos lojistas paquistaneses e indianos. E podíamos continuar até que não restasse uma única das explicações sociais com que fomos presenteados nos últimos dias.

(…)

O serviço comunitário obrigatório traria várias vantagens. Primeiro, poderia diminuir os níveis de desocupação e desemprego destes jovens. Segundo, socializaria esses jovens com outros, provenientes de outros meios. Terceiro, poderia incutir valores de disciplina, entreajuda e responsabilidade. Quarta, ajudaria as famílias, muitas delas monoparentais, que não conseguiram ou não puderam educá-los.»

Pedro Lomba, no Público

12 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Já houve tempo. Da familia e da escola vinha disciplina.
    E era depois o serviço militar obrigatório.

    Agora vinha o serviço comunitário…

    Na polícia? Com a vontade de saber da vidinha dos outros…era a polícia a perder confiança neles.
    Na administração? Com o português ou a matemática que grassa…

    Admito que sejam úteis na apanha do tomate, da pêra ou de morangos…; no tratamento de gado; a dar informações a turistas; e pouco mais…

    Tudo vem antes…

  2. Excelente, pois através das experiências vive-se e aprende-se e, é vivendo isso que se aprende a valorizar os outros e tudo aquilo que nos rodeia; ajudaria assim, a que o mundo fosse um lugar melhor e que a sociedade criasse ou recriasse valores que se encrontram escondidos e desvalorizados.

  3. Algo que, logo após o 25 de Abril de 74 até já existiu em Portugal sob o nome de “serviço cívico estudantil” (ou algo de parecido com isto) embora por razões completamente distintas. Pelas razões que todos hoje conhecemos sobejamente bem poderia ser repensado. Afinal, formar cidadãos conscientes e responsáveis é uma das grandes metas do sistema educativo português.

  4. acho que é preciso fazer algo para colocar os jovens mais perto do mundo, mais sensiveis aos verdadeiros problemas da humanidade. mas não sei se é isto.

    noto que há um ausência cada vez maior dos valores essenciais para se viver em sociedade. este vale tudo está a destruir tudo e não há boa educação que resista.

    se em casa educas os teus filhos com valores que não estão apropriados para este “salve-se quem puder”, eles correm o risco de serem os “inadaptados” dos nossos dias.

    é um problema demasiado complexo que tem de ser resolvido por todos, pela família, pela escola, pela autoridade e pela justiça.

    1. O problema, de facto, é complexo. E exige uma resolução a todos esses níveis que mencionaste, Luís. Sem esquecer a responsabilidade individual. As sociedades em que vivemos contêm muitas injustiças. Mas os erros concretos que cada um de nós comete não podem ser transferidos para a ‘sociedade’, em abstracto.

  5. Li, há uns bons anos, um artigo que falava precisamente sobre este problema da juventude descontrolada na Inglaterra. Fiquei com a ideia de que quem lá vive, sabia perfeitamente que, mais cedo ou mais tarde, isto poderia acontecer.
    Os jovens abandonam a escola, não trabalham, consomem mais álcool e drogas do que nunca. A gravidez na adolescência continua a escalar. São, no fundo, crianças que se vêem de repente num mundo de adultos, obrigados a agir como adultos e não sabem como o fazer, porque não tiveram qualquer preparação para isso, seja na escola, que abandonaram precocemente, seja em casa, com os pais sempre ausentes e demasiados concentrados na carreira e na sua vida pessoal.
    No texto que li os ingleses admitiam claramente que existe uma falha na educação das crianças. Os ingleses não sabem como lidar com elas. Não existem espaços onde elas possam estar, como por exemplo os nossos simples parques infantis. E realmente, eu pude constatar isto. Têm muitos parques, mas não têm parques infantis.
    Imagino que crescer num mundo de adultos, sem a devida atenção, possa criar sentimentos de revolta. Se os juntarmos com as mesadas excessivas que os pais dão aos garotos e a facilidade com que se compram drogas e afins, deparamo-nos com uma geração de mimados, que nunca ouviram um não na vida, que pensam ser super-heróis e que podem fazer tudo.
    Este comportamento é inaceitável, claro. Mas não podemos apenas apontar o dedo e dizer que deviam cumprir serviço comunitário. Quer dizer, podemos e devemos. Devem ser castigados e aprender o que é a vida, mas não nos podemos esquecer dos reais culpados desta situação.
    Sempre que há algum problema com jovens envolvidos, ouço dizer que a culpa é da escola, que é das más companhias, que é deste e daquele. Mas e os pais? Não serão as pessoas que os trouxeram ao mundo os principais responsáveis pela sua educação e pelos seus actos? Qual será a verdadeira origem do problema? É a crise? É o desemprego? É o sistema de ensino ineficaz?
    Ter um filho não é apenas gerá-lo e trazê-lo ao mundo. Decerto que saberão isso melhor do que eu, que não tenho filhos. Não quero com isto desculpabilizar os actos da juventude, mas os jovens que têm pais presentes não têm comportamentos destes.

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