«A degola inocente de consoantes mudas tem originado um caos. Em muitos casos, não respeitando a etimologia também comum a outras línguas (p. ex., actor, factor, sector), permitindo a ambivalência de critérios e o (ab)uso de todo inaceitável do AO (facto, fato; pacto, pato, etc). Já o h no início de uma palavra – a mais muda consoante do nosso alfabeto – subsiste enquanto grafema, dizem os ideólogos do AO, por razões etimológicas. Noutros casos de mudez da consoante, este fundamento não interessa, no h já é decisivo. Haja coerência! Claro que homem sem h seria uma pena impedindo a existência de homens com H grande. E uma hora H, sem o inicial h? seria “Ora O”?»
António Bagão Félix, no Público

homem sem h seria uma pena
Em italiano é uomo. É uma pena, de facto, não ter h. Temos que ensinar os italianos a escrever de acordo com o étimo.
uma hora H, sem o inicial h
Ficaria ora, precisamente como em italiano, essa maldita língua inculta. Nós não queremos imitar os italianos, bolas! Queremos imitar os franceses e os ingleses, sim!
actor […] não respeitando a etimologia também comum a outras línguas
Refere-se certamente ao italiano, onde se escreve attore. Então nós devemos escrever ator, para imitar a língua italiana. Certo?
O italiano, pois. Aquele dialecto, entre vários, erigido em idioma-padrão na segunda metade do século XIX, como instrumento do “risorgimento”, da unificação política da península itálica.
Percebe-se a sua analogia, Lavoura. O seu certeiro exemplo tem tudo a ver com o idioma português e a entidade cultural, jurídica e política Portugal, evidentemente: um e outra, coisas recentíssimas…
Seja como for, nós não teremos que ensinar o que seja aos italianos, na matéria. Nem eles a nós. Que tal aceitar isso?
Costa
dialecto, entre vários, erigido em idioma-padrão na segunda metade do século XIX
Sim, mas esse dialeto já era escrito há muitos séculos. A ortografia italiana copia a ortografia de Dante, no século 14. Tomara a ortografia portuguesa copiar tão antigos modelos…
O italiano foi uma língua que deixou cair em doses grandes o critério etimológico. Mas têm uma ortografia que funciona bastante bem: a esmagadora das vogais é aberta, usam as duplas consoantes para modular os acentos (ex: giovani/Giovanni).
O problema é que o AO90 não funciona, isto é não gera uma ortografia com um número baixo de ambiguidades.
E, creio que é isso que Bagão Felix critica.
Por mim, também deixo cair os “hh” mudos e o mais que for… Desde que tenha uma ortografia minimamente funcional.
o AO90 não funciona, isto é não gera uma ortografia com um número baixo de ambiguidades
Essas ambiguidades são inescapáveis. Na língua portuguesa, quando vemos uma vogal, nunca sabemos se ela é fechada (como em “se”), aberta (como em “fé”) ou nasalada (como em “quê”). Essas ambiguidades só poderiam ser eliminadas se cada vogal levasse sempre com um acento, o que seria incómodo (e criaria outras ambiguidades).
A nova ortografia elimina muitas ambiguidades, na medida em que elimina consoantes que não se sabia se eram para ler (como em “sectário”) ou não (como em “tecto”).
O problema de Bagão Félix, como dor outros cultores da ortografia antiga, é que só conhecem duas línguas cultas: o francês e o inglês. E querem imitar essas duas línguas cultas, sem cuidar que existem outros povos cultos que talvez também pudessem ser imitados, como o italiano ou o alemão. Mas aprender italiano ou alemão dá muito trabalho, Bagão Félix só teve tempo para aprender o inglês e o francês e tudo o que vá para além deles é chinês para ele.
Em romeno, “homem” escreve-se “om”, sem h. Mas quem se preocupa com o romeno, essa língua de um povo atrasado? A gente quer é imitar povos evoluídos, ou seja, franceses, ingleses e americanos. O resto não interessa!
Sobre outros preconceitos…sobre as falas ao rebanho.
Mohammad, o sírio que brilha na robótica em Coimbra
Teve 20 valores na sua tese de mestrado em Engenharia Mecânica. É um dos sírios que veio ao abrigo do programa de apoio a estudantes de Jorge Sampaio. Tornou-se uma peça “fundamental” no laboratório de robótica da Universidade de Coimbra
https://www.publico.pt/2017/02/11/socied ade/noticia/mohammad-o-refugiado-sirio-q ue-brilha-na-robotica-em-coimbra-1761695
Simples, vêm cá aprender e depois exterminam-nos. É bem feito, seus tolos.
V. quem nos extermina não são os sírios, mas sim os robots.
Preconceitos? Para começar preconceitos salvam a tua vida E.N.
Há preconceitos bons e maus.
O Von Braun também era bom cientista…quer dizer nada. Pode ser excelente cientista e querer lançar V2 contra Londres…
Pode ser uma excelente pessoa ou pode não ser. Até se pode ser uma excelente pessoa segundo o jornal Publico ao entrevistar um chefe de uma tribo Islâmica e para o dito jornal já não é xenófobo apesar de não aceitar estranhos, já não é racista apesar de não querer negros ou asiáticos(chineses) por perto, já não é sexista apesar de não aceitar que as mulheres escolham os seus maridos.
A BBC outra organisação de extrema esquerda até usa um termo diferente quando encontra algum não branco com essas características. Conservador. Já não é Xenofóbo. Isso é reservado para brancos.
Mas como és desonesto EN não te interessa que o problema não é um sírio, 2 sírios ou 200 sírios que foram verificados é não haver possibilidade de peneira quando são 20000, 200000 ou 2 milhões. A pessoa mais inteligente do mundo pode ser Sírio, ao mesmo tempo ainda pode ser um canalha, pode querer matar milhões, bater na mulher e pode descobrir a cura para o cancro.
Falas de sírios, ou de portugueses? Ou de franceses? Ou de americanos, ou de coreanos?
Quanto aos preconceitos eles são bons desde que sejam iguais aos meus.
“… permitindo a ambivalência de critérios e o (ab)uso de todo inaceitável do AO (facto, fato; pacto, pato, etc).”
Alguma vez Bagão Félix pronunciou pato em vez de pacto e fato em vez de facto?!
Ou será que rejeita o que não conhece?!
Ou será que quer atirar areia para os olhos dos outros?!
João de Brito
HOMÔNIMOS
Homem com H maiúsculo e homem com h minúsculo.
( do livro desaforismos de Georges Najjar Jr )