Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Os sistemas políticos, para Adam Smith, derivavam das realidades económicas. E é aí que chegamos à questão que a selvajaria de Londres nos traz defronte dos olhos: esta é uma crise de confiança, quer no sistema financeiro, quer no político. E é um toque de alarme para um sistema democrático que assenta num forte contrato social e numa numerosa classe média que se pode deleitar nos prazeres do consumo e da ascensão social.

O perigo é este: nas ruas de Londres não há uma luta ideológica, há uma guerra pelo consumo prometido. Não foi por acaso que Adam Smith chamou ao seu livro basilar A Riqueza das Nações. A pobreza das nações actuais é uma traição à arquitectura que ele desenhou. Porque é feita, nalguns casos, por quem se considera herdeiro dos seus pensamentos.»

Fernando Sobral, Jornal de Negócios

3 comentários em “Reflexão do dia”

  1. As pessoas tomaram uma decisão baseada em custo benefício como em quase todas as decisões que tomamos:

    Probabilidade de ser apanhado.
    Probabilidade de ao ser apanhado ser desagradável.
    Probabilidade do resto da sociedade punir para lá das forças da ordem.
    Probabilidade de ser ferido.
    Probabilidade de ganhar reputação no grupo.
    Probabilidade de aparecer na TV e jornais e de poder contar histórias para aumentar reputação.
    Ganhar Poder pelo atrevimento e risco.
    Benefício do roubo.
    Aventura, Divertimento em destruir e chatear a polícia.

    Limitações: capacidade física, conhecimento da zona, eventuais considerações éticas, concorrência de outros, resistência das vitimas.

  2. O acerto de lucklucky é grande, há um jogo do custo e do benefício.

    Só o pessoal da Justiça não vê isso.

  3. Para complementar

    http://www.publico.pt/Mundo/os-criminosos-sao-operarios-estudantes-homens-mulheres-e-ate-criancas_1507183

    “O que têm em comum o recruta do exército, o designer gráfico, o camionista, o estudante universitário, apanhados juntos a pilhar lojas de Londres; o que os leva a roubar sapatilhas e óculos de sol, ecrãs de plasma, telemóveis, roupa de marca, bebidas alcoólicas e até bilhetes da lotaria?

    Em Manchester, um repórter da BBC perguntou porquê a uns jovens que estavam a pilhar lojas na terça-feira. “Porque podemos. Porque não nos acontece nada” foi a resposta de um. “Por que não aproveitaríamos a oportunidade de ficar com artigos caríssimos à borla?”, replicou o outro. Depois, os dois disseram que era por causa do Governo. “O Governo não manda nada. Se mandasse, nada disto estava a acontecer. Quero lá saber da polícia, por mim vou continuar a roubar até ser apanhado”, garantiu um deles.”

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