Reflexão do dia


Pedro Correia,

«A verdade é que o que venceu o Euro foi um novo modelo nacional. E, nesse sentido, o oposto da realidade pátria.

Uma forma de pensar, de ver, de agir, e obviamente um modo de seleccionar e treinar, que insiste mais na realização objectiva e nos resultados (no fundo, naquilo que está em jogo) do que na “beleza” discutível.

Nalgumas alturas, o ataque foi a melhor defesa. Noutras, a defesa, o melhor ataque. E jogou-se com um fito único, até ao último segundo: passar.

Tudo isso é o contrário dos hábitos nacionais, onde se reproduzia em campo o melhor do futebol de praia, e aquilo de que gostamos, os que nos deleitamos a jogar: mais uma finta, mais um adorno. Como no resto da vida comunitária, o que havia era o desporto como forma superior de poesia. Agora é o romantismo da eficácia, a batalha da produção, a frieza dos deveres, o “realismo”.»

Nuno Rogeiro, na Sábado

0 comentários em “Reflexão do dia”

  1. O homem já era tudólogo em mísseis e armas de destruição maciça. Evoluiu para tudólogo do que pensam os portugueses.
    Claro que ele é português mas pertence aos iluminados que não pensam como os portugueses.
    Também sabe o que pensam os jogadores de futebol, basta-lhe vê-los jogar. É a análise telepática do chuto na bola.
    Haja pachorra.

  2. Acho que é até uma opinião positiva.
    Utilizou-se uma estratégia que resultou. Ponto.
    Em campeonatos anteriores, outras selecções podem ter feito apontamentos de antologia mas sem resultados práticos.
    O objectivo estava definido e foi conseguido.
    É uma espécie de mercantilismo aplicado ao futebol , onde os defeitos são mínimos se tivermos em conta o produto final.
    Afinal em Portugal temos utilizado muito o laisser faire, laisser passer, mas ao contrário do que se passou no futebol, só têm sido em benefício de uns quantos e não tendo em atenção o objectivo final que visaria a superação da recessão no país.

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