«Quando um documento chega a Bruxelas com um parecer de uma entidade independente, como é o Conselho das Finanças Públicas, a dizer que esse mesmo documento tem “riscos relevantes” e que as previsões são “pouco prudentes”, não seria de esperar uma reacção muito diferente da Unidade Técnica de Apoio Orçamental e da Comissão Europeia. O deputado socialista João Galamba, a quem coube a ingrata tarefa de rebater os argumentos do Conselho das Finanças Públicas, lembrou-se de dizer que “sem assumir riscos, não podemos ter resultados”. Essa é a primeira frase em que penso quando chego ao Casino do Estoril, mas nunca tal coisa me passaria pela cabeça se estivesse em São Bento a governar e decidir a vida de milhões de pessoas.»
Pedro Sousa Carvalho, no Público

QUEM NASCEU PARA LAGARTIXA, NUNCA CHEGA A JACARÉ.
Mas existe o inverso: alguns jacarés transformam-se em lagartixas.
É inacreditável a ligeireza com que esse galamba faz tais afirmações. Inacreditável! Por outro lado, perde toda a credibilidade, se ainda tem alguma.
É pena que não tenha feito essa reflexão com o anterior governo. Já agora, a vida é um risco e todos nós corremos riscos, uns mais outros menos. Corrê-los no casino é que só corre quem quer.
Há uma enorme diferença entre as atitudes do governo anterior e do actual.
O anterior governo, apesar de então pressionado para tal pelos apoiantes do actual governo, não correu riscos desnecessários, como teria sido enfrentar a Troika e recusar as condições da ajuda financeira.
Vale para a vida e vale para os governos : os riscos, que fazem naturalmente parte da vida e da governação, devem ser sempre minimos e devidamente calculados.
O governo actual está-se a comportar como se estivesse efectivamente num “casino” a jogar com o dinheiro dos outros e confiante num jackpot !!
Vamos ser sérios, realistas e humanos. O anterior governo pouco se importava se o seu pouco mendigava ou não. Os governos têm de negociar porque se vamos por aí, jamais sairemos desta sina. Faz o que eu digo e toma lá se não fizeres não levas nada. Um governo não pode aceitar tudo, tem de negociar, tem fazer tudo, para dar dignidade ao seu povo se assim não for, não é governo, são lacaios ao serviço dos mesmos de sempre.
Anónimo : “O anterior governo pouco se importava se o seu pouco mendigava ou não.”
O povo português não “mendigava”. Teve maiores dificuldades.
Mas estas maiores dificuldades não foram da responsabilidade do governo que teve de aplicar uma politica de austeridade.
Foram da responsabilidade do governo que levou o pais para a pré-bancarrota em 2011.
É caso para dizer que quem não “se importa” são os governos que, como o de José Sócrates até 2011 e o de António Costa hoje, teem politicas irresponsáveis e desastrosas.
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Anónimo : “Um governo não pode aceitar tudo, tem de negociar”
O governo de Passos Coelho fartou-se de negociar.
O programa inicial da Troika foi largamente ajustado ao longo do tempo : as metas e as condições foram varias vezes revistas, certas medidas previstas não foram aplicadas, outras não previstas foram aplicadas, etc, etc
Mas um governo sério, sensato e realista tem de aceitar que o pais assuma as suas responsabilidades e respeite as condições que lhe são exigidas para ser ajudado financeiramente.
Não aceitar as condições dos nossos credores teria sido suicidário. Em vez de ganharmos com isso teriamos perdido ainda mais credibilidade e nenhuma facilidade nos teria sido então concedida.
Não aceitar cumprir com as obrigações assumidas no momento em que nos emprestaram dinheiro é desonesto e vergonhoso (esta é que é a verdadeira indignidade !!!!!!!!!!!).
Não aceitar cumprir as regras que nos comprometemos as respeitar como membros da UE e do Euro não é sério nem realista.
Viu-se o resultado do “bater o pé” no caso da Grécia.
Adivinhamos agora que nos pode vir a acontecer o mesmo se o governo actual continuar a querer “bater o pé” à UE.
um artigo bastante bom de PSC!
Concordo.
Socialismo é sempre casino. É sempre uma aposta única de milhões de pessoas.
Muitas delas forçadas.
Se falha sofrem todos.
E se sofrem todos não há redundância. É mais difícil recuperar.
Foi com a ‘responsabilidade’ e ‘ausência de risco’ e predominância da subserviência que chegamos aos perto de meio milhão de emigrantes. Esses perderam, e nem precisaram de apostar em casino nenhum.
Foi com a ‘responsabilidade’ e ‘ausência de risco’ e predominância da subserviência dialogante que chegamos aos perto de meio milhão de emigrantes em quatro anos.
Esses perderam, e nem precisaram de apostar em casino nenhum.