«A tabuada é a mesma para a direita e para a esquerda. Cumprir os limites do défice, como deve ser e o País se comprometeu, obriga a tomar opções duras. Não se pode distribuir o dinheiro que não se tem e a riqueza que não se cria. Durante muito tempo teremos que continuar a ser governados sob o signo do mal menor. E isso significa que a austeridade terá que continuar, embora em doses cada vez mais reduzidas como, de resto, todas as candidaturas prometiam a ritmos diferenciados. E mesmo assim é preciso que tudo corra bem, hipótese cada vez mais longínqua.
O grande objectivo que os partidos da esquerda podem alcançar se vierem a ser governo não é uma mudança radical de política: é o afastamento da direita do governo. O resto há-de continuar, porque não há milagres. E não tardará até ouvirmos que a austeridade de esquerda é muito melhor do que a austeridade de direita. E que um aumento de 1,8 euros nas pensões feito por um governo de esquerda é uma política social enquanto um aumento de 1,8 euros nas pensões feito por um governo de direita é uma política de miséria e empobrecimento. Em política a aritmética é uma ciência muito pouco exacta, como sabemos.»
Paulo Ferreira, no Observador

Certo: o quererem mudar a matematica(defice, desemprego..) só porque visto deste lado ou do outro, mostra tacanhez, que devemos como cidadãos livres, não aceitar seja de quem for.
Então estar em austeridade é 5% de défice, nem quero imaginar o que não seja.
E vai ser aliviada! para onde 10% de défice , 1/5 do que os Estado gasta é pedido emprestado?
E onde se vai buscar o dinheiro para poder ter défice?
A propósito da conversa do mal-menor, e da falta de alternativas, há um cartoon absolutamente delicioso:
http://1.bp.blogspot.com/-z0xZJJR-waA/Ts ElY4YSPKI/AAAAAAAAAiU/aQ5cgZ4A_Jo/s1600/m al+menor.jpg
… e depois que não digam que não sabiam quem era a Abuelita.
Até onde nos levou toda a austeridade? Que ganhou o país com tanta austeridade? Que ganhou a coligação em ir além da Troika? Que fez a Troika por aqui? Se formos sérios e analisarmos bem a Troika não fez nada, a não ser austeridade que nos levou ao estado em que estamos, pobres e sem recursos nenhuns porque tudo que dava lucro foi vendido. Que temos agora que seja vendável? Nada, foi tudo vendido a preço de saldo e a dívida, em vez de diminuir, aumentou. Se isto foi bom, como será um governo que zela pelo seu povo, em vez de zelar pelos grandes grupos económicos que foram sempre protegidos, nada pagaram e nada os afectou? Quase de certeza que será muito melhor e mais digno.
O Ricardo Salgado teve que pagar 3M€ para não ficar preso, outros 3M€ para poder sair de casa e continua sem poder ir ver a família ao Brasil. Claro que o pára-quedas desta malta é sempre bom demais, mas como é possível dizer que não perderam nada?
Os bancos passaram anos a acumular prejuízos ao mesmo tempo que pagaram impostos especiais e ficaram responsáveis por assumir as perdas dum banco falido. Resultado? Pagamos todos, em spreads e comissões, porque o único sítio onde podem ir buscar o dinheiro é ao nosso bolso.
Achar que os grandes grupos passaram incólumes, é não ver o que se passou no BES e na PT, a diferença entre a forma como o assunto foi tratado e como teria sido tratado noutros tempos.
Não foi por mérito, provavelmente, foi por falta de dinheiro. Mas basta ver/ler algumas coisas do Mário Soares, para perceber como o PS teria tratado o seu amigo Ricardo Salgado.
A Troika emprestou cerca de 80 mil milhões de euros para se pagar as contas.
Pois os mercados não emprestavam mais dinheiro para o défice
.
No fim do governo Sócrates 1/4 do Estado vivia dos empréstimos. 25% das contas do Estado foram pagas com dinheiro emprestado.
12,…% de défice em relação ao PIB.
Este Governo só consegui tornar menos mau para 5% défice em relação ao PIB.
A dívida continua a aumentar mas um aumento mais lento.
A Troika só emprestou esse dinheiro segundo condições de que o défice se reduzisse a quase zero de modo à dívida não aumentar e mesmo a reduzi-la. Ainda não chegámos lá.
Se a Troika não aparecesse você teria défice zero no dia a seguir e queria ver como esperneava. 1/4 dos gastos do Estado desapareceriam.
Posts como seu demonstram o analfabetismo sobre a vida publica provocado pela escola.
Ó Pedro, ajude-me, por favor! Como podemos tirar as palas aos que só veem em frente, num sentido, portanto, os “burros”?
Abraços.
Não peça ajuda, não vale a pena. Essa gente a quem chama burros, mesmo com palas vêem em todas as direcções, outros há que com palas, só vêem mesmo em frente e quando vêem a estrada, a fugir-lhes já querem ver mais além do que queriam. Não chame burros, a ninguém, fica-lhe mal.
– Vozes de burros não chegam à CÉU?
– Ou faltam aparelhos auditivos destinados a anjinhos/diabretes?
Olá, caríssimo De da Maia (Damaia ou será da Maia? Bem, passemos à frente!)
Agradeço, desde já, o seu engraçadíssimo comentário com questões.
Aproveitou o provérbio pra chegar até ao meu pseudónimo. Ah! Isso é que é ter sentido de oportunidade, caro amigo! Eu quero que todas as vozes cheguem até mim, mas a dos burros, animal de que mais gosto, até espero sentada, se for preciso.
“Anjinhos/diabretes”! Tão afetuoso! Obrigada, de forma “babada”!
Não, não faltam aparelhos auditivos, coisa nenhuma, e agora até vêm fazer os testes a nossa casa. A técnica que me visitou há dias foi muito simpática e competente, mas eu ouço ainda bem, portanto, la “pobrecita” não fez negócio.
Feliz semana com bons fígados e ouvidos.
Caríssimo anónimo!
Como está? Muito agradeço a sua resposta/observação.
Ora essa! Nem parece seu! Eu peço ajuda a quem bem me apetecer.
“Mesmo com palas veem em todas as direções”. Ah! “Valentes”! Só “a talho de foice”, lembremo-nos que o vocábulo veem já não é acentuado. Dois “es” e mais o acento é como “subir para cima” ou “descer para baixo”, pleonasmo, portanto. Convém estarmos atualizados, porque nós dizemos atualizados e não “aquetualizados”, devendo-se, assim, escrever como se fala. Pronto, eu sabia, lá vem a “guerra” do AO, completamente desnecessária. Com o tempo lá chegaremos, porque, entretanto os “tias e as tios “, do Restelo e não só, vão para outra morada. Como julgo que saiba, julgo, nada, tenho a certeza, porque o caríssimo anónimo é um ser inteligente, nada é estático, tudo sofre transformações, mutações e recebe influências, pois nós vivemos em sociedade. Provavelmente, nem de tal se lembrou, mas estamos sempre a tempo de arrepiar caminho, e tolerância e aceitação tenho-a aos “molhos”.
A estrada nunca me foge, porque eu não tenho carta de condução nem carro. Tenho passe social. Ah, pois! Social é a palavra primitiva de socialismo. Nem mais! Social + o sufixo “ismo”. Estamos, aqui, a falar, como dois amigos, relembrando matérias passadas.
Quanto ao animal de que mais gosto, o burro, falo do de quatro patas, acho que o estimado anónimo talvez já tenha esquecido, o que é normal, humano e aceitável, qual a função das aspas.
Quanto aos outros, aqueles que nem sempre conseguem ver mais além (e agora que já não temos, que já não usamos quadrante, balestilha, bússola), analisar com isenção e independência críticas, sem paixões, fica mais a meu jeito, as “coisas”- entre aspas, tornam-se ainda mais difíceis. O termo que utilizei é meramente carinhoso e só me fica bem. Então, não é, meu novo amigo?
Bom domingo! Fique bem e iluminado!