Reflexão do dia


Pedro Correia,

«A esquerda tem o dever de salvar o welfare state, mas para isso tem de o racionalizar. A prioridade é o emprego, sobretudo para os jovens, mas para isso exige destruir o apartheid entre os que estão dentro, e são protegidos, e os que estão fora e não têm direitos. O modelo da flexi-segurança, de inspiração nórdica, é uma das vias, contestada embora pelos sindicatos, que denunciam o trabalho precário mas apenas defendem “os que estão dentro”.»

(…)

«O Syriza polarizou durante alguns meses a mobilização desta área. Mas a viragem final de Tsipras foi um balde de água fria. Em Espanha, o Podemos chegou a ocupar o  lugar cimeiro nas sondagens e abanou o sistema partidário. Teve o mérito de, ao obrigar os partidos tradicionais a reverem os seus “costumes”, ter ajudado a reabilitar a credibilidade da política entre os cépticos cidadãos espanhóis. Hoje parece estar a descer, sendo a quarta força nas sondagens. Esta “esquerda da esquerda” oscila entre o “esplêndido isolamento” e a vontade de fazer alianças que lhe permitam aceder à área da governação, tentando forçar a esquerda reformista a adoptar uma parte dos seus temas. Noutros casos, a denúncia do euro e da autoridade europeia arrisca-se a conduzir a uma radicalização soberanista e a uma perversa convergência entre extrema-esquerda e extrema-direita.»

Jorge Almeida Fernandes, no Público

0 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Caro Pedro:
    No «mouche».
    O Almeida Fernandes é 5 estrelas.
    E o Pedro a seleccionar textos, livros e músicas.
    E às vezes a opinar, outras deixa-se condicionar demasiado pela ideologia, caindo no pensamento «mainstream».
    Não se trata de abdicar das suas convicções ao sabor das circunstâncias.
    Mas ninguém é perfeito, não é assim?

    1. Obrigado pelas suas palavras, M. S. Gosto muito do textos do Jorge Almeida Fernandes. Por me rever na grande maioria das teses que expõe, quase sempre muito bem sustentadas em factos, mas também pela originalidade do olhar dele, que foge quase sempre ao pensamento formatado e rotulado. Bastam os textos dele para justificar a compra do ‘Público’ ao domingo – para quem continua a preferir jornais em papel, como eu.

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