«Escreve-se mal por muitas razões. As pessoas não lêem. Vêem analfabetos a falar na televisão. E de imediato escrevem sem pensar. Tudo isso redunda num naufrágio: as redes são um bar de analfabetos.»
Arturo Pérez-Reverte, no El Mundo
«Escreve-se mal por muitas razões. As pessoas não lêem. Vêem analfabetos a falar na televisão. E de imediato escrevem sem pensar. Tudo isso redunda num naufrágio: as redes são um bar de analfabetos.»
Arturo Pérez-Reverte, no El Mundo
Não será por acaso que já andam por aí muitos eruditos a tentar mostrar a própria elevação rebaixando as redes sociais. Enquanto os analfabetos das televisões tem patrão que lhes paga provavelmente para induzir ignorância, falham redondamente no objectivo a que se propõem e na argumentação que utilizam. As redes sociais tem o mérito de dar a palavra a gente que manifestando algumas insuficiências não deixa de reflectir os que quanto mais pretendem elevar-se mais pequenos se mostram junto daqueles a quem não deram instrumentos para voar. Honra a estes que mesmo assim demonstram que uma vela torcida e ratada pode dar tanta ou mais luz de que uma outra muito polida e torneada. Desçam os notáveis do pedestal onde se instalaram á força de muito empurrão e pisem a terra que lhes sustenta o escadote onde aprenderão que na quantidade que frequenta as redes sociais vão esbarrar com qualidade que os fará sentir-se anões que apenas se vêem grandes quando miram a própria sombra se o sol já vai rasteiro.
Raras vezes tenho tropeçado numa declaração impressa num jornal em que me reveja tanto como nesta de Pérez-Reverte.
Farei como sempre. Procurar ensinamento em opinião não coincidente de quem nos merece crédito.
Faz bem. Mas cuidado com as labaredas, Queima Beatas.
cada vez pior
Com razão vemos esses lamentos; mas pesando os prós e contras, nunca o cidadão comum teve tanta possibilidade, de se fazer ouvir. E como a historia recente mostra, de aceder ao empreendedorismo e até a política.
De acordo consigo. Tomando á letra “as redes são um bar de analfabetos”, eu disparo: Os bares de analfabetos não são mais que que a extensão popular e genuína de clubes e restaurantes de luxo onde pulula o artificio bem posto. Melhor o resultado de tal menu a que fazemos a prova dos noves, de que a contabilidade enganosa nos querem impingir com a influência nociva que artificialmente pretendem semear.
Absolutamente correcto, Pedro.
Tenho exemplos concretos de pessoas licenciadas, com fluidez de discurso e sólidos conhecimentos, que passadas à escrita são um pesadelo que nos dá muito que pensar.
Tenho ainda o meu próprio exemplo de acefalia Gramatical nas conjugações dos tempos verbais, o que me deixa ainda mais perplexa sobre os sinais dos tempos.
Estaremos a enfrentar uma regressão cultural?
Não há crise. Dos cultos analfabetos estruturais de antanho passamos aos analfabetos funcionais da impreparação e da idiotice. Doutores na asneira, na ciência burros.
Pode-se ver analfabetos na televisão. Mas os estragos decorrem de ouvi-los.
A rádio e os jornais são excelsas escolas de analfabetismo.
“na medida em que”, “sendo que”, “há 5 dias atrás” …
Os menores de 45 anos são ignorantes pois foram submetidos a experiências padagógicas pós 25…
No dia-a-dia constato-me a ouvir de que há 40 anos os cidadãos não podiam ter uma formação adequada porque o sistema assim o programava. Éramos um país atrasado e governado por atrasados. Na minha honesta opinião, as dificuldades de há 40 anos são as mesmas com que me deparo no dia a dia, mas na controvérsia opinativa eu sabia das dificuldades de cada um. Ir para a escola, andar descalço e com a barriga vasia, não é só de agora, os sacrifícios é que são diferentes – onde as familias labutavam para matar a fome à familia, hoje, esperam sentados à espera das benévolas oferendas das sociedades de bem. Antes, aqueles que frequentavam a 1ª classe no final do ano lectivo, sabiam de cor a tabuada. Sabiam ler. Mas só passava de ano quem tinha condições. Hoje, não é preciso andar na escola para ser doutor. Engenheiro é mais difícil. O MEC, seja a cor representada, não gosta de ver retido um aluno, depois, constatamos que encontramos alunos com o 12º que não sabem a tabuada porque temos as calculadoras, não sabem quem governa o país porque o essencial é a Net, ou os jogos de computador. Antes, ensinar trabalhos manuais, bastava o mestre ter o curso industrial, mas sabia e tinha conhecimentos básicos para ensinar. Ele conhecia todo o equipamento que a escola dispunha ao ensinamento. Havia o torno mecânico, a freza, o limador. Havia os laboratórios. Era um ensinamento técnico e prático para quem queria entrar no mundo do trabalho e com os domínios do conhecimento mínimo. Hoje, o que temos nas grandes faculdades de engenharia? Ensnamentos teóricos e nada de práticas. Pessoas que se formam e não sabem achar um volume, uma área ou o que é uma composição quimica. Temos licenciados que não conhecem o filho da vaca ou da égua e donde aparecem as batatas… tudo em desfavor dos projectos educativos. Há que ter preocupações. Com 5 e 6 anos de formação para além dos 11 ou 12 anteriormente obtidos, sabe-se pouco. Mas reduzir ao minio o tempo de ensino, valha-me ao desespero da mediocridade