Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Escreve-se mal por muitas razões. As pessoas não lêem. Vêem analfabetos a falar na televisão. E de imediato escrevem sem pensar. Tudo isso redunda num naufrágio: as redes são um bar de analfabetos.»

Arturo Pérez-Reverte, no El Mundo

0 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Não será por acaso que já andam por aí muitos eruditos a tentar mostrar a própria elevação rebaixando as redes sociais. Enquanto os analfabetos das televisões tem patrão que lhes paga provavelmente para induzir ignorância, falham redondamente no objectivo a que se propõem e na argumentação que utilizam. As redes sociais tem o mérito de dar a palavra a gente que manifestando algumas insuficiências não deixa de reflectir os que quanto mais pretendem elevar-se mais pequenos se mostram junto daqueles a quem não deram instrumentos para voar. Honra a estes que mesmo assim demonstram que uma vela torcida e ratada pode dar tanta ou mais luz de que uma outra muito polida e torneada. Desçam os notáveis do pedestal onde se instalaram á força de muito empurrão e pisem a terra que lhes sustenta o escadote onde aprenderão que na quantidade que frequenta as redes sociais vão esbarrar com qualidade que os fará sentir-se anões que apenas se vêem grandes quando miram a própria sombra se o sol já vai rasteiro.

  2. Com razão vemos esses lamentos; mas pesando os prós e contras, nunca o cidadão comum teve tanta possibilidade, de se fazer ouvir. E como a historia recente mostra, de aceder ao empreendedorismo e até a política.

    1. De acordo consigo. Tomando á letra “as redes são um bar de analfabetos”, eu disparo: Os bares de analfabetos não são mais que que a extensão popular e genuína de clubes e restaurantes de luxo onde pulula o artificio bem posto. Melhor o resultado de tal menu a que fazemos a prova dos noves, de que a contabilidade enganosa nos querem impingir com a influência nociva que artificialmente pretendem semear.

  3. Absolutamente correcto, Pedro.
    Tenho exemplos concretos de pessoas licenciadas, com fluidez de discurso e sólidos conhecimentos, que passadas à escrita são um pesadelo que nos dá muito que pensar.
    Tenho ainda o meu próprio exemplo de acefalia Gramatical nas conjugações dos tempos verbais, o que me deixa ainda mais perplexa sobre os sinais dos tempos.
    Estaremos a enfrentar uma regressão cultural?

    1. Não há crise. Dos cultos analfabetos estruturais de antanho passamos aos analfabetos funcionais da impreparação e da idiotice. Doutores na asneira, na ciência burros.

  4. Pode-se ver analfabetos na televisão. Mas os estragos decorrem de ouvi-los.
    A rádio e os jornais são excelsas escolas de analfabetismo.
    “na medida em que”, “sendo que”, “há 5 dias atrás” …
    Os menores de 45 anos são ignorantes pois foram submetidos a experiências padagógicas pós 25…

  5. No dia-a-dia constato-me a ouvir de que há 40 anos os cidadãos não podiam ter uma formação adequada porque o sistema assim o programava. Éramos um país atrasado e governado por atrasados. Na minha honesta opinião, as dificuldades de há 40 anos são as mesmas com que me deparo no dia a dia, mas na controvérsia opinativa eu sabia das dificuldades de cada um. Ir para a escola, andar descalço e com a barriga vasia, não é só de agora, os sacrifícios é que são diferentes – onde as familias labutavam para matar a fome à familia, hoje, esperam sentados à espera das benévolas oferendas das sociedades de bem. Antes, aqueles que frequentavam a 1ª classe no final do ano lectivo, sabiam de cor a tabuada. Sabiam ler. Mas só passava de ano quem tinha condições. Hoje, não é preciso andar na escola para ser doutor. Engenheiro é mais difícil. O MEC, seja a cor representada, não gosta de ver retido um aluno, depois, constatamos que encontramos alunos com o 12º que não sabem a tabuada porque temos as calculadoras, não sabem quem governa o país porque o essencial é a Net, ou os jogos de computador. Antes, ensinar trabalhos manuais, bastava o mestre ter o curso industrial, mas sabia e tinha conhecimentos básicos para ensinar. Ele conhecia todo o equipamento que a escola dispunha ao ensinamento. Havia o torno mecânico, a freza, o limador. Havia os laboratórios. Era um ensinamento técnico e prático para quem queria entrar no mundo do trabalho e com os domínios do conhecimento mínimo. Hoje, o que temos nas grandes faculdades de engenharia? Ensnamentos teóricos e nada de práticas. Pessoas que se formam e não sabem achar um volume, uma área ou o que é uma composição quimica. Temos licenciados que não conhecem o filho da vaca ou da égua e donde aparecem as batatas… tudo em desfavor dos projectos educativos. Há que ter preocupações. Com 5 e 6 anos de formação para além dos 11 ou 12 anteriormente obtidos, sabe-se pouco. Mas reduzir ao minio o tempo de ensino, valha-me ao desespero da mediocridade

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