Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Parece absurda esta forma do actual Governo grego negociar, gritando aos quatro ventos que a dívida precisa de ser reestruturada, quando sabe que, no passado, com discrição, já foi reestruturada. Ao gritar, alerta os eleitorados de 18 países para o perdão de dívida que está a pedir, dificultando a vida dos governos que respondem perante esses eleitorados. Convenhamos que pedir dezenas de milhares de milhões de euros emprestados ao mesmo tempo que se grita que não se pode pagar é uma estratégia negocial estranha.»

Luís Aguiar-Conraria, no Público

0 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Quem é que alinha nesta pantomina? Mesmo cantando vitória o que é que se altera se tem sido nessa base que os governantes gregos tem andado a simular negociações? Se a margem se vier a situar nos 60/40% tudo na mesma como a lesma. Mas se a diferença encurtar significativamente a extracção politica do resultado aritmético será de mal a pior. Por cá já Catarina Martins subiu ao palco para celebrar e nos cantar a canção do bandido como se Tsipras e Varoufakis tivessem andado a brincar até agora em nome de Troianos.

  2. Com tanta euforia que por aí vai, já estou a prever aqui no Delito outra série de postais tipo “Grécia Antiga”.
    A estratégia do Syrisa, é o maior embuste politico do século XXI.

  3. Na realidade há duas estratégias negociais estranhas:
    1 – Injectar dinheiro nas mãos do devedor para adquirir bens ao fornecedor; e fazer deste um incumpridor depois de ele ter cumprido com o objectivo a que se propunha o empréstimo sem direito a emitir opinião;

    2 – A outra estratégia negocial que se afirma ser estranha é deveras idêntica àquela que se celebra em Portugal e noutros países, fazendo rolar pagamento de empréstimos com outros empréstimos. Por isto ninguém se admire que em Portugal os cofres estejam cheios de dívidas. E que em Espanha tenham sido injectados 100.000 milhões para salvar a banca.

    PS: Por exemplo, 50% do PIB alemão é feito através de suas exportações. A Europa do Sul, e as restantes do alargamento, viram-se privadas do seu desenvolvimento empresarial, em particular do tão falado empreendedorismo, porque a estratégia de enriquecimento desta Europa do Euro (Alemanha e França em particular) visava enxugar todo e qualquer tipo de competitividade.

    Quando após os resultados alguém que anda lá por Bruxelas vem dizer que ou cai a Grécia ou cai o Syriza – isto foi afirmado por Nuno Melo – só revela que a imaturidade para ler as transformações que vêm ocorrendo conduziu a esta tragicomédia.

    Sim, referendem se os demais países pretendem ajudar a Grécia; e em simultâneo referendem em Portugal, Espanha, Itália, Irlanda, Bélgica… como pretendem ver resolvidos os acordos de pagamento às ditas “instituições”.

  4. Não me parecia mal a realização de um referendo simultâneo em cada um desses 18 países, realizado no prazo máximo de UMA SEMANA, para se saber ao certo o que acham os seus cidadãos sobre as exigências dos gregos.

  5. Podemos sempre utilizar o método da União Europeia referendar os tratados: Fazem-se os referendos necessários até dar o resultado pretendido.

    Não admira que a cúpula da UE ande furiosa com a Grécia. Eles são profundamente contrários ao voto popular em assuntos comunitários.

    1. Ao menos lá deu logo o resultado pretendido. O varouburberry já se demitiu. Não foi como referendo do aborto, aqui pela nossa terrinha.

  6. Depois vejo notícias como esta:

    Banco central grego vai pedir ao BCE reforço dos fundos de emergência
    O banco central da Grécia apresenta, este domingo, um pedido ao Banco Central Europeu para aumentar o financiamento de emergência, destinado às instituições financeiras gregas.
    Diário Económico

    A seguir vem esta:
    Alemanha: É “difícil imaginar” novas negociações com Atenas
    O vice-chanceler alemão afirmou hoje que Stripas “cortou as últimas pontes entre a Grécia e a UE”.
    Diário Económico

    Sejam dívidas antigas gregas ou mais empréstimos a Bancos gregos… alguém vai pagar a factura e, aposto que o calote também vai sobrar para nós.

    Cada vez estou mais curiosa em saber como é que a UE vai descalçar esta bota…

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