Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Entende-se perfeitamente o desespero de Sócrates e da sua defesa. Nas milhentas cartas que enviou da prisão, o ex-primeiro-ministro não conseguiu refutar um avo do que lhe é imputado. Pelas palavras do próprio ficámos a saber que vivia de empréstimos milionários pedidos a um amigo. Em nenhum lugar do mundo uma pessoa normal vive assim, em nenhum lugar do mundo um ex-primeiro-ministro consegue sobreviver assim. A fantasia da mãe rica, com que durante anos Sócrates e os próximos alimentaram a comunicação social para justificar os gastos desmesurados de um político que, quando saiu do governo, entregou uma declaração de rendimentos sem rendimentos declarados, caiu por terra. Cabe agora à justiça investigar o que tem de ser investigado, sem pressões nem excitações.»

Ana Sá Lopes, no i

0 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Pois, mas aquilo que não é normal não é, necessariamente, criminoso.
    E não é José Sócrates quem tem que provar a sua inocência, é a justiça quem tem que demonstrar a sua culpa.
    E os cidadãos não devem estar presos enquanto a justiça tenta descobrir que crimes eles cometeram. Só devem ser presos depois de esses crimes terem sido descobertos e, de preferência, provados.
    E, ao que parece, a justiça até agora não encontrou nenhum crime – muito menos demonstrou a culpa de Sócrates.
    E isto é muito estranho. Para não dizer mesmo repugnante.

    1. “E não é José Sócrates quem tem que provar a sua inocência, é a justiça quem tem que demonstrar a sua culpa.” Atenção, nunca vi negar esta sua parte que sublinho muito menos aqui no Delito. Quanto ao resto parece-me muito baralhado.

      1. O texto citado neste post começa com “entende-se o desespero de José Sócrates e da sua defesa”. Ora, Sócrates de momento nada tem de que se defender – a não ser da sua prisão – porque de nada foi acusado. Ou antes, fizeram-lhe acusações genéricas e gratuitas, nada de concreto. A frase acima sugere que Sócrates tem que se defender de algo, quando, na verdade, é a justiça quem tem que começar por o atacar.

        1. “O texto citado neste post começa com “entende-se o desespero de José Sócrates e da sua defesa”. Mais uma vez sublinho, desta vez o seu sublinhado a que não me custaria nada acrescentar, o homem está em pânico profundo. Com a devida consideração sugiro que consulte as decisões e fundamentação associadas em dias sucessivos bem recentes dos tribunais Supremo e da Relação sobre os recursos apresentados. Acredito que isso o possa fazer desanuviar.

    2. O Código de Processo Penal – que permite tudo aquilo que deplora – foi assim deixado por Sócrates.

      E os Tribunais (o Supremo e o da Relação de Lisboa) acham que há motivos para que esteja preso – aplicando o código que Sócrates achou bom – para os outros.

      Quanto a demonstrar a culpa de Sócrates, isso acontece numa coisa que se chama "audiência de discussão e julgamento".

      Aí, certamente, Sócrates porá tudo em pratos limpos.
      Por mim, estou curioso em saber como tencionava pagar 600 000 euros de dívidas contraídas em pouco tempo, sem qualquer rendimento que torne esse pagamento provável.

      1. O Código de Processo Penal – que permite tudo aquilo que deplora – foi assim deixado por Sócrates.

        Sim, e depois? Eu não estou a dizer que a atividade política de Sócrates seja boa. Não estou a dizer que o código ou que as leis feitas por Sócrates estejam bem feitos. Não elogiei Sócrates.

        O facto de o Código de Processo Penal estar (em minha opinião) mal não significa, evidentemente, que eu apoie, ou tenha apoiado, Sócrates.

        os Tribunais (o Supremo e o da Relação de Lisboa) acham que há motivos para que esteja preso

        Pois acham. Mas eu não tenho confiança nenhuma nos juízes portugueses. E sei que Sócrates, quando governante, fez algumas coisas de que os juízes não gostaram.

        Quanto a demonstrar a culpa de Sócrates, isso acontece numa coisa que se chama “audiência de discussão e julgamento”.

        Sem dúvida, e espero que ela aconteça bem depressa.

        O que me revolta é ver cidadãos presos sem que nenhuma acusação concreta seja contra eles levantada e sem que eles se possam defender dela em audiência de discussão e julgamento.

        É isso que eu acho que está mal. Muitíssimo mal, mesmo.

        estou curioso em saber como tencionava pagar 600 000 euros de dívidas contraídas

        Nem você nem eu tem nada a ver com o dinheiro que alguém deve a outrem. Nem como o vai pagar, se é que vai. Isso é problema lá entre eles. Ninguém tem nada que andar a espiolhar a vida financeira de outrem. Isso é uma atividade feia a indigna.

  2. Se a presunção de inocência fosse entendida como a entendem os próximos de Sócrates ninguém poderia ser preso antes de ser julgado… E então pergunta-se, como é que muitos poderiam vir a ser julgados? Sócrates não está preso por qualquer condenação, tal como muitos outros presos, mas pelos motivos que o próprio Tribunal da Relação acaba por pôr cá fora e que, afinal, toda a gente sabe e o post resume…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *