Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Pedro Passos Coelho explicou ontem, numa entrevista ao Expresso, por que razão António Costa não se vai aguentar, mesmo dentro do PS, com poucos votos de vantagem. Disse ele que o próximo Governo não poderá seguir uma política “radicalmente diferente” daquela que ele próprio seguiu e que, quando não há dinheiro, “não há keynesianismo que valha”, ou mais precisamente, não há keynesianismo. Os radicais, que por aí andam às costas da miséria do próximo, não percebem isto e tratarão de criar toda a espécie de sarilhos dentro e fora do PS para levar Costa ao bom caminho; enquanto os moderados tentarão impor algum realismo e algum senso da responsabilidade, duas virtudes que historicamente a esquerda não conhece.

Quando as questões de hoje passarem para o interior do Governo, como passarão sem a maioria esmagadora que o PS pediu e a que está longe de chegar, os mercados financeiros, para grande fúria dos crentes, irão inevitavelmente tomar nota e subir os juros do mais preliminar empréstimo. Ninguém confia o seu dinheiro a um regime fraco, turbulento e, ainda por cima, radical. Os banqueiros, não sei se repararam, usam sempre gravata.»

Vasco Pulido Valente, no Público

0 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Notável observação de VPV, a de que os banqueiros usam gravata.
    Ninguém tinha reparado, nem Varoufakis.
    VPV, sempre brilhante… como a brilhantina.

    » … quando não há dinheiro, “não há keynesianismo que valha”

    Uma profunda ignorância é falar de keynesianismo num contexto de moeda única.
    Primeiro, colocando os pontos nos “i”, antes de Keynes, foi o burlão Alves do Reis que invocou a produção de dinheiro para dinamismo da economia. Podia ser burlão, mas não era parvo, e antecedeu Keynes, querendo impulsionar a economia angolana com o dinheiro feito pela impressora…

    Assim, há que distinguir o Keynesianismo, que é legal porque o Estado independente o determina, do Alves-dos-Reisismo, que é uma mera burla, que dá prisão, quando os Estados não são independentes e não podem produzir moeda própria.

    Portanto, quem fala de Keynesianismo sem moeda própria, ou é burro, ou quer ser burlão, como Alves dos Reis. Os socialistas já tentaram a via de Alves dos Reis, e vimos no que deu.

    Se a ideia é ficar nas próximas décadas presos a um marco chamado euro, o único caminho é o seguido pelo Governo. Pode ter variantes tipo Syriza obediente, com mais ou menos medidas sociais, que só vão agravar a dívida, mas não há forma de conseguir produzir riqueza, quando a moeda de riqueza nos é alheia.
    Para conseguir isso, serão precisas décadas, talvez séculos, e alguma benevolência externa, para conseguir competir partindo de economias de base desigual, e estando na periferia do centro económico.

    Portanto, o caminho deste Governo é esse caminho lento, com muita esperança fundada em pouco ou coisíssima nenhuma. Em muitos aspectos, o governo de Passos Coelho foi só mais obediente que o de Tsipras está a ser, mas só um crescimento de 6% (sabe-se lá porquê) permitiria repor a dívida a padrões aceitáveis, menos sujeitos a flutuações de mercado.
    Pior, muito pior é o desvio à esquerda do PS. Porque, como é óbvio, só servirá para cavar mais a dívida, e em breve voltaríamos aos problemas de financiamento.

    A única solução de recuperação rápida seria o verdadeiro Keynesianismo, mas isso implicaria a saída do Euro, algo que o PS nunca vai querer, nem nenhum dos partidos do arco de governação. Pelos vistos, até o Syriza meteu travões nisso… e assim vão ficar condenados ao definhar – até que Le Pen ganhe as eleições em França (… e mesmo assim, ficamos à espera).

    Quem preza minimamente a independência nacional nunca toleraria este estado de coisas, mas há muito que a traição nacional deixou de ser crime. Passámos a conviver e aceitar ordens de Bruxelas, a agradecer as esmolas dos insuficientes fundos compensatórios, e ver um país com grande história tornar-se num país de histórias de crianças a brincar a primeiro-ministro, reféns do seu passado submarino cheio de trafulhices de insegurança social.

    1. da Maia não podia ser mais claro, é um desiludido do socialismo.

      Que choque aconteceu no socialismo que para os socialistas hoje tudo se resolve só com dinheiro , dinheiro imprimido, desvalorizações?

      A Queda do Muro de Berlim parece que significou muito mais do que a Esquerda julga.

      Foi altura em que ser de Esquerda se tornou apenas uma coisa: Keynesianismo Financeiro.

      Foi a altura que a Esquerda descobriu uma coisa.
      Não consegue administrar.
      Falhanço das nacionalizações, falhanço de empresas publicas, falhanço da educação publica, falhanço de tudo o que é administrado pela Esquerda um pouco por todo o mundo. Portugal, Cuba, Estado Árabes, diferença entre as Coreias, etc. E a Venezuela hoje reforçando a convicção de falhanço.

      Deixou de acreditar na sua capacidade de administrar. Só lhe restou o dinheiro para continuar a existir.
      Logo quer resolver tudo despejando notas.

      Basicamente o da Maia pensa que um país não pode evoluir, não pode aprender não pode mudar independentemente da sua moeda.

      Tudo se resume à especulação financeira do estado e ao dinheiro.
      O resto é demasiado complicado para a Esquerda.

      Que triste ideologia.

  2. Não só usam gravata como têm aquela tara de querer o dinheiro emprestado de volta e ainda por cima com juros.Dinheirinho à borla,à borla mesmo só dado pelos lenines,putins e varufakis desta vida.Há contrapartidas,isso há,mas ficam sob sigilo ou aparecem depois sob a forma de ditaduras.À borla,pois.

  3. Na realidade sabe que é o uso da gravata que resolve as coisas no momento. Será assim no futuro?
    Vive-se uma situação de miséria a nível mundial também originada pela filha da putice das chamadas bolhas. Por causa destas bolhas muitos se viram enredados em suas próprias gravatas. Tão lestos foram a auxilia-los que conseguiram tirar-lhes as gravatas e usá-las no pescoço das populações; e ainda se pensa que este é o sistema adequado para sair desta situação.

    O Pedro citou ali abaixo um provérbio que se revelará coerente também nesta situação: “Quem perturba sua própria casa herda o vento”.

    Ainda não nos demos conta da gravidade que se está a originar um pouco por cada país do mundo. E se alguém pensa que as pessoas vão esperar submissas muito mais tempo para saírem dos laços da gravata, enganam-se.
    Há famílias e pessoas sós que vivem humilhadas, sem presente e sem futuro e sem que lhes sejam proporcionados apoios adequados. A somar-se a esta situação, o estigma que foi criado em torno daqueles que se encontravam caídos, e os que virão ainda, fazem com que as pessoas se isolem, e mesmo quando mediocremente apoiadas evitem demasiadas exposições.
    Não se estranhe, portanto, que sobre a dignidade de outros não se possa construir rumos sólidos.
    Neste sentido, entendo que para evitar atitudes graves e desesperadas as pessoas devem mudar e votar diferentemente do que se fez até aqui.

    Passos Coelho beneficiou do maior apoio que alguma vez se viu neste país no sentido de se poder inverter o rumo da governação Sócrates. E não só não aproveitou este apoio como, juntamente com o CDS, o desprezou e até mesmo insultou.
    Aqui chegados, Costa também necessita que se lhe dê o mesmo apoio que Passos recebeu. De Passos já sabemos que a política não será feita de forma diferente, assim reproduz VPV. Esta garantia todos a têm. É necessário deixar que Costa tente um Novo Rumo.

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