«Quando o assunto é José Sócrates, quase ninguém prescinde de registar uma declaração de interesses afectivos. O facto de esta declaração de interesses não ter interesse nenhum é muito interessante. Sócrates foi detido e acusado de crimes graves, e vai ser julgado por isso. (…) Mas o mais interessante é a excepcionalidade desta manifestação maciça de amor e desamor. Não ocorre a ninguém dizer o mesmo de outros réus (“não se pense que eu simpatizo especialmente com Manuel Palito”), nem mesmo de outros antigos políticos que são agora réus (“posso odiar Duarte Lima, mas tenho de me bater para que ele beneficie do direito de se defender”). Na verdade, ninguém odeia Duarte Lima. Nem mesmo os que já o ouviram tocar órgão. E também ninguém ama Duarte Lima. Sobretudo os que o ouviram tocar órgão. Mas José Sócrates, ao que parece, conseguiu penetrar no universo dos afectos. Não no meu, devo dizer. Guardo a minha afeição para um conjunto de coisas realmente importantes, ao qual não pertencem actuais ou antigos primeiros-ministros. Eu gosto, por exemplo, de arroz doce. Mas não se pense que simpatizo especialmente com gelatina. No entanto, se uma taça de gelatina ou um prato de arroz doce forem acusados de corrupção, branqueamento de capitais e burla agravada, espero que tenham um julgamento justo. Não virei para a rua gritar que o arroz doce é inocente e que a gelatina nunca me enganou.»
Ricardo Araújo Pereira, na Visão

Bolas, julguei que ele gostasse era daqueles pudins que engole em série.
O papa-pudins:
https://www.youtube.com/watch?v=8TRKcB63 pfI
“Não virei para a rua gritar que o arroz doce é inocente e que a gelatina nunca me enganou”. Isto é demasiado elaborado para uma pessoa comum como eu. Passo.
Eu gostei!

Somos dois.
somos três
Ninguém fica indiferente à gelatina ou ao arroz doce. Todos tecemos opiniões sobre as cofecções que seguramente mexem e muito com os nossos afectos e humores. Se formos gente comedida e com dois dedos de testa, o melhor que temos a fazer é guardar os nossos pareceres sobre o branqueamento da canela, para quando o prato for ajuizado por quem de direito. É que as nossas papilas são tendenciosas e pendem muito para o antigo ditado ” cada cor, seu paladar”.
Confesso a minha predilecção pelo arroz doce. Também aprecio leite creme.
Lapidar, Rui Ramos no “Observador”
“A rolha usada foi a venerável figura jurídica da “presunção de inocência”. É uma garantia processual, que obriga os tribunais a considerar o acusado como inocente até a sentença transitar em julgado. Durante esta semana, passou a ser outra coisa: a obrigação de toda a gente proclamar solenemente a inocência de quem ainda não tenha sido condenado.”
Está a descoberto jogo viciado, vindo de importantes que proclamam nas margens da borracheira não pactuar com miseráveis batotas. Papeis.
Que não se atrevam a deter o arroz doce!!!
Quanto à gelatina….
Também me é indiferente a sorte da gelatina, genericamente falando. Quanto ao arroz doce…